Articulista
Tanuza Oliveira

É jornalista profissional. Escreve às terças.

Uma mulher para Aracaju? Mas por que não? 
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Emília, Katarina e Yandra pontuam bem nas pesquisas e podem ser as candidatas no próximo ano 

Com os debates de bastidores em torno das eleições do próximo ano se intensificando, a pergunta se estaria na hora de Aracaju ter uma prefeita - sim, mulher - tem sido constante. Quando a pergunta correta seria: por que isso ainda não ocorreu?

São quase 169 anos de uma capital que nunca foi comandada por uma mulher! Isso diz muito sobre a nossa sociedade, que desde a promulgação do direito de ter mulheres votando e sendo votadas sempre as relegou a uma ínfima participação na política. 

Para contextualizar: a proporção de mulheres à frente das capitais sempre foi muito pequena, além de vir diminuindo ao longo dos anos. Em 2000, a presença feminina marcava 19,2%. Em 2012, estacionou em apenas 3,8%, taxa que se manteve em 2016, com apenas uma mulher eleita prefeita: Teresa Surita, em Boa Vista, Roraima. 

Nas últimas duas décadas, apenas sete ao todo. Em Natal, no Rio Grande do Norte, que teve duas prefeitas nesse período; em Fortaleza, Ceará, e Maceió, Alagoas, com uma. Aracaju, repito, não teve nenhuma mulher como prefeita até hoje. 

Para contextualizar ainda mais: esse cenário de baixíssima representatividade persiste mesmo com uma população feminina maior do que a masculina, como revelou o último Censo: em 2022, eram 94.388 mulheres a mais do que homens, o que se traduzia numa razão de sexo de 91,81. Ou seja, a cada 100 mulheres, havia 91,81 homens no Estado de Sergipe. 

A diferença relativa no número de homens e mulheres vêm aumentando no Estado desde, pelo menos, o Censo 2000 - razão de sexo de 96 -, com intensificação entre o Censo 2010 - razão de sexo de 95 - e o Censo 2022.

No Brasil, havia mais mulheres do que homens em todas as grandes regiões. A razão de sexo do Brasil era de 94,25 em 2022. Na região Norte, os quantitativos de homens e mulheres eram mais equilibrados e a razão de sexo chegava a 99,67. Na região Sudeste, porém, ela não passava de 92,90. 

Em números absolutos, o Brasil tinha cerca de 6 milhões de mulheres a mais do que homens. Se a maioria da população, inclusive a aracajuana, com 50 mil mulheres a mais que homens, por que os números não se refletem nas questões eleitorais? 

Nomes como os da vereadora Emília Correa, da Delegada Katarina, de Yandra Moura - aqui listados pela ordem em que apareceram nas últimas pesquisas de intenção de votos para a Prefeitura de Aracaju -, não devem ser considerados apenas por serem de mulheres, mas por serem bons nomes, por terem bom trabalho. 

Essa seria a lógica se a esfera política não fosse mais um dos espaços reservados ao “Clube do Bolinha”, no qual a entrada feminina é proibida - como o foi por tanto tempo.

Vencer mais essa exclusividade e eleger a primeira prefeita de Aracaju perpassa pela urgência em quebrar essas barreiras e ocupar esses espaços. Não apenas por obrigação, mas por justiça. E é muito bom saber que no próximo ano isso pode acontecer.

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