Articulista
Observatório das Metrópoles

Escreve às sextas.

O novo arranjo populacional de Aracaju: configurações socioespaciais e econômicas
Compartilhar

Aqui, uma população de 1.024.574 habitantes ou 46,37% dos sergipanos

[1] Vera Lúcia Alves França e [2] Fernanda Esperidião

Estudos recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam um novo arranjo populacional para Aracaju, o que evidencia a necessidade de novas estratégias de gestão do poder público no sentido de garantir o equacionamento dos problemas existentes de forma mais eficiente e democrática a fim de reduzir as desigualdades socioespaciais e econômicas e proporcionar melhor qualidade de vida a população.

O Estudo Regiões de Influência das Cidades Brasileiras - 2018, publicado em 2020, pelo IBGE -, traz para Aracaju um arranjo populacional bem mais amplo do que aquele apresentado pelo referido estudo em 2008, quando era formado apenas por quatro municípios: Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão que constituíam a Região Metropolitana de Aracaju, desde 1995. 

NOVO ARRANJO ESPACIAL… - O novo arranjo populacional evidencia a existência de um amplo espaço formado por 12 municípios: Aracaju, Barra dos Coqueiros, Carmópolis, Divina Pastora, General Maynard, Laranjeiras, Maruim, Nossa Senhora do Socorro, Riachuelo, Rosário do Catete, São Cristóvão e Siriri que ocupa uma área de 1.631 km², o que corresponde a 7% do território sergipano e abriga uma população de 1.024.574 habitantes, representando 46,37% da população estadual.  

Analisando os dados, constata-se que a população está mais concentrada nos quatro municípios que compõem a Região Metropolitana de Aracaju, com 932.210 habitantes - 90% do total do arranjo. Dos demais municípios, apenas Laranjeiras, Maruim e Carmópolis têm população superior a 10 mil habitantes.

Causa estranheza a ausência, nesse arranjo populacional, dos municípios de Itaporanga d’Ajuda, Santo Amaro das Brotas e Pirambu, muito ligados à capital na procura de bens e serviços.

Como ocorre em vários estados brasileiros, constata-se forte concentração populacional na capital e nos municípios no seu entorno, enquanto nos 93% do território, isto é, nos demais 63 municípios interioranos estão dispersos 54% da população.

Essa área compreendida pelo novo arranjo populacional concentra atividades econômicas bem expressivas, com destaque para os serviços e as atividades industriais, especialmente aquelas ligadas a indústria extrativo mineral.

Em Aracaju estão as funções de serviços mais especializadas, principalmente aquelas administrativas e de educação referentes aos poderes estadual e federal. A indústria extrativo mineral, sobretudo aquelas voltadas para a exploração do calcário, potássio, gás natural e petróleo, está na maioria dos municípios do arranjo, embora nos últimos cinco anos venha ocorrendo um arrefecimento dessas atividades, o que tem causado sérios problemas para a economia sergipana.

As atividades agrícolas estão mais concentradas nos municípios de Riachuelo, Siriri, Divina Pastora e Laranjeiras, e estão voltadas, na sua maior parte, à atividade canavieira.

Considerando os dados do Produto Interno Bruto, observa-se que, em 2020, essa área era responsável por 45,29% do PIB estadual, sendo que predominavam as atividades do setor terciário - 70,90% -, enquanto a indústria alcançava 16,35% do total.

A participação do setor industrial se destacava mais em Barra dos Coqueiros, Rosário do Catete, Divina Pastora, Carmópolis e Laranjeiras, com situação bem superior àquela do Estado de Sergipe que era de apenas 19,75% e mesmo dos demais municípios do arranjo. Portanto, constata-se que essa área tem um dinamismo econômico significativo para o Estado de Sergipe.

Ainda dentro das informações do PIB, considerando a variável PIB per capita, nota-se que o município de Barra dos Coqueiros apresenta a melhor posição, com R$ 36.009,91, seguido de Rosário do Catete, com R$ 31.812,35, dentre os municípios pertencentes ao novo arranjo populacional que apresenta condição bem semelhante ao Estado de Sergipe, com R$ 22.177,45 per capita.

Ao se observar a Classificação Nacional das Atividades Econômicas -CNAE 2.0 - para os municípios que compõem o Arranjo Populacional de Aracaju existe uma maior distribuição de atividades, tais como comércio, atividades administrativas e serviços complementares, indústria de transformação; administração pública, defesa e seguridade social, transporte, armazenagem e correio nos municípios que compõem a  Região Metropolitana de Aracaju, isto é Aracaju, Barra dos coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão.

Para os demais municípios que compõem o novo arranjo populacional, as atividades econômicas são concentradas em administração pública, como os municípios de Divina Pastora, General Maynard e Maruim, que concentram suas atividades em aproximadamente 86% unicamente nessa atividade.

Já nos demais municípios – Carmópolis, Laranjeiras, Riachuelo, Rosário do Catete e Siriri - ocorre uma distribuição em outras atividades, a exemplo de indústria extrativas e indústria de transformação. A pouca diversificação faz com que estes municípios tenham uma maior dependência dos municípios mais diversos, comprometendo-os a não possibilidade de transformação e de um maior dinamismo econômico.

Isto nos leva a refletir como se estabelecem as relações intermunicipais.

As relações de dependência que se estabelecem entre esses centros urbanos e adjacências exigem medidas que viabilizem a solução dos problemas comuns, a exemplo daqueles referentes ao saneamento básico, aos transportes e à mobilidade, à saúde, educação e ambiente, entre outros.

Sabe-se que são problemas complexos que exigem uma mudança de posturas políticas que devem sempre estar acima das questões partidárias, voltadas para a redução das desigualdades sociais e conduzindo para o bem comum.

PENSANDO EM SOLUÇÕES… - A adoção de soluções compartilhadas, a exemplo da formação de consórcios e parcerias, deve proporcionar maior integração além de reduzir os custos, facilitando o equacionamento dos problemas e favorecendo a população que passa a desfrutar de melhor qualidade de vida.

Para que tal situação aconteça torna-se necessária uma nova postura política dos gestores das diferentes esferas de poder, voltada para uma visão integrada, com o planejamento das ações dentro de um horizonte temporal de médio e longo prazo, deixando de lado as ações imediatistas que, na maioria das vezes, não resolvem os problemas.

Portanto, desenvolver estratégias para uma política de estado e não de governo, quando, muitas vezes, os projetos são abandonados no final da gestão, resultando no desperdício de recursos, além dos prejuízos para a população. Assim, para que haja, de fato, essas mudanças, torna-se necessário, também, o envolvimento da população que com sua participação consciente e responsável irá contribuir para o fortalecimento da gestão democrática. 

[1] É doutora e professora aposentada do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Sergipe.

[2] É professora do Departamento de Economia e do Programa Acadêmico de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal de Sergipe.

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.