Articulista
Mário Sérgio Félix

É radialista, jornalista e pesquisador da MPB. Escreve às quintas.

Didu Nogueira: nascido no Méier, mas com um pé e o coração em Porto da Folha
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Genial João Nogueira, cuja obra o sobrinho Didu Nogueira resgata

A relação da música brasileira com Sergipe tem proporcionado várias histórias que permitem ao nosso leitor descobrir nomes que despontam ou despontaram a partir desse pequeno e rico Estado.

Nomes que contribuíram, que contribuem e que fazem dessa rica história um acervo de encontros que nos permite elevar o nome do Estado de Sergipe a um patamar de alto nível sonoro.

Exemplos? João Mello, Carvalhinho, Ismar Barreto, Lula Ribeiro, Sérgio Mello, Pedrinho Rodrigues e tantos outros que ainda iremos sinalizar por aqui.

Ah, tem também o senhor João Batista Nogueira, pai do genial João Nogueira - pai de Diogo Nogueira -, e da diva do samba Gisa Nogueira. Seu João Batista era sergipano da cidade de Porto da Folha.

Em entrevista ao saudoso Fernando Faro, sergipano de Aracaju, mas criado na cidade de Laranjeiras, no famoso programa “Ensaio”, da TV Cultura, João Nogueira confidenciou que seu pai, o seu João Batista Nogueira, era um buraqueiro da cidade de Porto da Folha.

A família Nogueira tem se destacado por mais de 60 anos na música brasileira, em especial no samba. João Nogueira, além de ter sido um grande bamba do samba, lutou, brigou, teve percalços de vida por causa desse gênero que a todos encanta.

O “Clube do Samba” tornou-se uma referência de luta, principalmente por causa do que o país estava passando na década de 1970, com aquela invasão da música estrangeira.

O “Clube do Samba”, criado pelo João Nogueira e por um time de bambas, tinha como principal objetivo tirar o samba do marasmo em que se encontrava.

Eram válidas reuniões, conversas e tudo o mais que se pudesse fazer para tirá-lo do sufoco que a música estrangeira estava lhe promovendo.

E eis que com o “Clube do Samba” surge uma figura de suma importância que se tornaria o braço direito de João Nogueira: um menino ainda, um moleque, com todo o respeito, que estava se engajando nesse projeto criado pelo João e que se envolveria de corpo e alma após a morte dele: Carlos Eduardo Nogueira Machado.

Na roda de samba, no meio dos bambas, ele era apenas Didu Nogueira. Didu, filho da diva do samba Gisa Nogueira, sobrinho do João e neto de seu João Batista Nogueira, recebeu além do DNA do samba, o da boemia.

Seu avô construiu um nome na música sergipana que, junto a João Mello, Carnera, João Argolo e outros mais, fez da música daqui e para a música daqui uma escada para os grandes nomes que despontaram a seguir. João Gilberto é dessa escola, e aqui aprendeu com Carnera a batida da sua revolucionária Bossa Nova.

Portanto, Didu é figura importante e necessária na história do samba atual e contemporâneo. Além de cantor e compositor, tornou-se um grande produtor musical, tendo em vista o conhecimento senão de todos, porém da maioria dos músicos que gravam com os maiores bambas, principalmente os do Rio de Janeiro.

Recentemente, Didu lançou o CD “Nascidos no Subúrbio” em parceria com o grande violonista sete cordas Jorge Simas, que também foi violonista de João Nogueira. O disco conta com músicas inéditas do João, interpretados por Simas e Didu.

Traz também as grandes parcerias de João, a exemplo de Zé Katimba, Gisa Nogueira, Paulo Cesar Feital e, claro o inseparável Paulo César Pinheiro. Coube a Simas, a direção musical. Os arranjos.

Didu é um carioca daqueles que se não tivesse nascido no Méier seria colocado lá pelos seus orixás. É daqueles que se for a pé do Méier a Copacabana entra em todos os bares, bate um belo papo, canta um bom samba, toma uma boa cerva gelada e segue o caminho.

É uma figura de boa e de bem com a vida. Difícil é saber por quem ele não sente afeto. Ou quem não sente afeto por ele. Conheci Didu através do Marquinhos de Oswaldo Cruz.

Marquinhos esteve aqui em Sergipe participando do Festival de Arte de São Cristóvão. Mário Freire, que na época era secretário da cidade de São Cristóvão, o levou ao Programa Seleção Brasileira e batemos um papo. sobre samba, claro.

Marquinhos é portelense. Didu, também. Se conheciam e eu disse que o avô de Didu era sergipano. De imediato, Marquinhos me passou o contato de Didu e ficamos amigos até sempre. E de quebra, somos, modéstia à parte, três tricolores de coração!

Até hoje Didu tem um relacionamento positivo com o Programa Seleção Brasileira, com indicações de nomes do samba que não devem ficar fora da mídia e que merecem ver seus trabalhos apresentados, principalmente aqui no Nordeste.

Marcelo Menezes é um exemplo dessa parceria. Marcelo tem um disco inteiramente com parceria de Paulo Cesar Pinheiro. Para Didu, Paulinho, como ele carinhosamente o chama, “é o maior poeta do samba, vivo”! E eu concordo com ele.

Hoje Didu percorre o Brasil fazendo shows e divulgando o “Clube do Samba”, a obra de João Nogueira, com o disco produzido por ele, “Nascidos no Subúrbio”, que celebra os 80 anos de nascimento do genial João Nogueira.

O maior sonho dele é trazer o show para Sergipe e divulgar a obra do seu tio em terras sergipanas. Um sonho ainda maior é conhecer a terra de seu voinho, como ele se refere carinhosamente ao avô João Batista Nogueira. Mas aí já é outra história...

A convite do jornalista Jozailto Lima, mantenedor deste Portal JLPolítica & Negócio, estarei aqui todas as quintas-feiras falando de coisas por trás da nossa boa música do Brasil. Fui elevado a articulista! Não me deixe só e venha você comigo.

 

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