Articulista
Valter Joviniano de Santana Filho

É fisioterapeuta e reitor da UFS. Escreve às sextas.

Recursos hídricos em questão
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Rio São Francisco: um curso d’água que diz muito para Sergipe

A água é um dos recursos naturais mais importantes para a nossa sobrevivência. Às margens de importantes rios, a humanidade construiu civilizações ao longo do tempo e nossa relação com esses recursos está presente também em nossa cultura.

Ao olhar para a bandeira do nosso Estado, vemos que as cinco estrelas representam os cinco principais rios que cortam Sergipe: Rio São Francisco, Rio Sergipe, Rio Vaza-Barris, Rio Real e o Rio Japaratuba. O tema da água permeia nossa sociedade e no momento que a questão climática se tornou um ponto de preocupação para todos nós, repensar a nossa relação com os recursos hídricos é algo fundamental.

Para debater esse tema, apresentar ideias e dialogar com a sociedade, foi realizado em Sergipe o XXV Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos e o 1º Fórum Latino-Americano da Água. O evento contou com centenas de palestras para mais de três mil participantes e colocou nosso Estado no mapa das discussões sobre os recursos hídricos em nível nacional e internacional.

Os vários stands foram visitados pelo público em geral e por estudantes da rede pública, que puderam conhecer um pouco do trabalho de preservação e cuidado com os recursos hídricos. O fórum colaborou tanto no que diz respeito à divulgação científica quanto na formulação de propostas para políticas públicas que tocam nesse ponto.

A Universidade Federal de Sergipe vem contribuindo nessas pesquisas. Durante o mês de novembro, integramos pesquisadores da UFS das áreas da Arqueologia Subaquática e Antropologia à 6ª Expedição Científica do Baixo São Francisco, juntamente com a Universidade Federal de Alagoas, IBGE e diversas instituições, com um único escopo: a reconstrução do país e o contato direto com toda a comunidade ribeirinha que compõe as áreas em torno no Rio São Francisco.

De 21 a 30 de novembro serão realizadas diversas atividades científicas e tecnológicas, desde a produção de fossas agroecológicas, que visam promover condições adequadas de saneamento, e realização de exames à doação de materiais multimídia e implementos agrícolas em cidades como Pão de Açúcar, Traipu, São Brás, Propriá, Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu.

Neste mês, tive contato com os pesquisadores em uma visita que realizei à região do Baixo São Francisco, passando por cidades como Canindé e Piranhas, no vizinho Estado de Alagoas, na qual pude conhecer de perto essa iniciativa. É inegável o sentimento de gratidão diante de toda a mobilização, engajamento e dedicação dos pesquisadores, equipe de apoio e orientadores.

Essas iniciativas contribuem para um olhar científico sobre algo que impacta diretamente nossas vidas. As recentes alterações climáticas junto ao El Niño fizeram com que o Brasil experimentasse climas extremos com parte significativa do país sofrendo com ondas graves de calor e outra parte, principalmente a região Sul, tendo que lidar com as cheias e com as chuvas em grande escala.

O mundo em que vivemos está se transformando climaticamente e a universidade tem a missão de atuar no desenvolvimento de pesquisas para colaborar com o poder público e com o bem-estar de todos.  

 

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