Articulista
José Roberto de Lima Andrade

É economista, professor da UFS e presidente do SergipePrevidência. Escreve às sextas.

Ajuste fiscal não é sexy, não dá voto
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Como as promessas dessa gente que está na pré-campanha serão cumpridas?

Abril chegou e as coisas das eleições começaram de fato. Com o fim do prazo para desincompatibilização de cargos públicos, que foi dia 4 deste mês, finalmente conhecemos quem concorrerá aos mandatos majoritários e eletivos em nível estadual e nacional. 

E viva a democracia. Único regime onde é possível debater ideias, por mais estapafúrdias que sejam, principalmente quando se referem ao cumprimento de promessas de forte apelo popular.

A questão, é bom que se frise, não é só a de atender aos anseios populares. Afinal de contas, não é para isso que as pessoas são eleitas? O cerne da questão é como essas promessas serão cumpridas. 

Li um dia desses em um destes canais de economia no Instagram um comentarista preocupado com a não abordagem de um tema fundamental para o futuro - cada vez mais presente - da economia brasileira: o ajuste das contas públicas. 

Mas por que falar em ajuste de contas públicas, ou ajuste fiscal? Justamente agora que, apesar da guerra no Irã, a bolsa está quase chegando nos 200.000 pontos, o câmbio real/dólar tendendo para abaixo dos 5,00, inflação não pressionando como antes... Enfim, para que estragar o clima? 

Uma frase me chamou atenção. Ajuste fiscal não é um tema sexy, não dá voto. E é verdade. Ajuste significa que é necessário reduzir gastos, já que ninguém em sã consciência quer pagar mais imposto. 

Daí o enorme constrangimento em se abordar o tema de ajuste fiscal. Em ano eleitoral então... É óbvio que o tema é desconfortável. Vai ficar restrito ao debate entre economistas, e olhe lá.

Mas é preciso deixar claro que uma pergunta deve ser feita se não quisermos cair no mundo da ficção ingênua. Como as promessas dessa gente que está na pré-campanha serão cumpridas? 

A resposta não deve ser trivial. Há uma série de demandas da sociedade brasileira que precisa ser resolvida. De serviços de saúde a infraestrutura rodoviária. E mais um monte. Uma ruma, no bom sergipanês. 

Capacidade de prover serviços em qualquer nível requer eficiência na gestão. Mas não há gestão eficiente que sobreviva à escassez de recursos.

Recursos escassos, demandas, se não ilimitadas, normalmente muito maiores que os recursos existentes. Foi desse dilema que surgiu a economia. 

Quem sabe os economistas não existam justamente para não serem sexys, apesar do esforço contrário.

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