Articulista
José Roberto de Lima Andrade

É economista, professor da UFS e presidente do SergipePrevidência. Escreve às sextas.

O que está por trás do desempenho da bolsa brasileira e seus 200 mil pontos?
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Bolsa de Valores do Brasil: cobiçada pelo mundo

A bolsa de valores brasileira está muito próxima de alcançar os 200 mil pontos, uma marca histórica. Apesar dos fundamentos econômicos não tão favoráveis para que isso aconteça, o que vem impulsionando este desempenho impressionante? 

Antes de começar a tentar explicar o que está por trás do desempenho recente da bolsa brasileira, é preciso entender alguns conceitos importantes.

O primeiro deles é que quando nos referimos ao desempenho da bolsa, na verdade estamos falando do Ibovespa, índice que reflete o desempenho de uma carteira – conjunto – de ações negociadas na B3, a bolsa brasileira. 

A carteira que compõe o Ibovespa é formada por 79 ações, com pesos diferentes no índice. No caso do Ibovespa, ações da Vale, Itaú, e Petrobras, por exemplo, representam quase 30%, significando que o desempenho destas influenciam muito mais do que as demais 76. 

Esta carteira é constantemente alterada, mas com preponderância de setores importantes como bancos e mineração. Esta metodologia de atribuir peso a setores importantes é a mesma utilizada no cálculo da inflação IPCA, por exemplo. 

Um outro conceito importante é o de pontos, pouco comum para as pessoas não familiarizadas com o mercado financeiro. Vamos pensar na carteira que compõe o Ibovespa.

Se pudéssemos comprar no começo do ano todas as ações do índice, pagaríamos um valor qualquer, R$ 160 mil, por exemplo. Se essa carteira chegar a 200 mil pontos, significa que estas ações valem atualmente R$ 200 mil. Uma valorização de 25%. 

Falar em pontos é o mesmo que falar em valorização. Mas por que os 200 mil pontos são tão especiais? É o valor máximo já atingido pela bolsa brasileira. Até certo ponto, uma barreira que estava sendo esperada há muito tempo para ser superada. 

E o que está por trás desta valorização surpreendente? É importante destacar que os fundamentos econômicos “tradicionais” vão contra este movimento.

Principalmente a taxa de juros, ainda extremamente elevada no Brasil e com o cenário interno - inflação - fortemente influenciado pelo cenário externo – guerra no Irã – e sem sinal de um desfecho. 

É consenso que grande parte do desempenho da bolsa brasileira esteja fortemente relacionada à entrada de capital externo. Para fins de comparação, só este ano entraram cerca de R$ 69 bilhões, enquanto em todo o ano de 2025 a bolsa recebeu - saldo líquido -, R$ 26 bilhões.   

E por que os gringos estão vindo para o Brasil? Em um cenário global de riscos, a bolsa brasileira tem sido vista como um porto seguro. Expectativa de redução nos juros, que impulsionaria ainda mais a valorização do Ibovespa, a percepção de que as ações ainda estão “baratas”, e que a economia brasileira está mais blindada a crises globais, seja do choque da oferta do petróleo a exposição de uma possível bolha do mercado de inteligência artificial, reforçam o otimismo com a economia brasileira.  

Quem sabe os 200 mil pontos passem a ser algo do passado. Torçamos que sim.

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