Articulista
Tanuza Oliveira

É jornalista profissional. Escreve às terças.

Entre filiações e promessas, o desafio real segue sendo a participação feminina na política
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Elber: mulheres terão papel fundamental nessa construção

Em tempos de circulação acelerada de informações - e desinformações -, o compromisso com a verdade deve ser o ponto de partida de qualquer análise. No ambiente político, onde narrativas se constroem rapidamente, interpretar fatos de forma precipitada pode gerar distorções que, longe de contribuir com o debate público, apenas ampliam ruídos.

A repercussão recente sobre uma suposta chapa do PSB em Sergipe formada sem mulheres trouxe à tona um debate necessário, ainda que, na prática, a situação não tenha se configurado exatamente dessa forma.

Em entrevista ao JLPolítica, o vereador Elber Batalha esclareceu que não houve, até o momento, o lançamento oficial de uma chapa, mas sim a filiação de novos nomes ao partido — todos homens. Segundo ele, a composição definitiva ainda será construída e, também por força da legislação eleitoral, contará sim com a participação de mulheres.

O parlamentar também destacou que o partido possui quadros femininos relevantes, como a deputada Kitty Lima, que já exerce mandato, e Tathiane da Astra, integrante da executiva nacional da sigla, apontadas como peças importantes nesse processo de construção política.

Ainda assim, o episódio levanta uma reflexão que vai além do caso específico. O fato de um ato público reunir apenas nomes masculinos, mesmo que em caráter preliminar, evidencia como a participação feminina ainda enfrenta barreiras estruturais dentro dos partidos.

“Alguns setores da imprensa usaram a foto de um café da manhã onde ocorreu a filiação de alguma nomes, mas não foi um evento oficial do partido, até porque ainda não estamos no momento. Mas, quando estivermos, lançaremos a chapa completa, com as mulheres que estão no nosso partido e que têm papel fundamental nessa construção”, disse Elber. 

Cumprir a legislação é o mínimo. O verdadeiro desafio está em garantir que mulheres não apenas componham chapas, mas participem ativamente das decisões, da articulação política e da definição de estratégias eleitorais. Isso exige planejamento, incentivo e, sobretudo, compromisso real com a equidade.

Mais do que corrigir percepções, os partidos precisam demonstrar, na prática, que a presença feminina não será apenas formalidade, mas prioridade. Porque representação não se improvisa. Se constrói.

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