Aparte
Opinião - A narrativa dos falsos moralistas está vencendo

[*] Rômulo Rodrigues

Na quinta-feira, 15 de julho de 2012, a Câmara dos Deputados aprovou por 278 votos a favor e 145 contra o texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO – do Brasil para 2022 que ampliou o Fundo Eleitoral de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

Orientaram, sim, a votação da proposta os partidos PSL, PL, PP, PSD, MDB, PSDB, DEM, Solidariedade, Pros, PSC, PTB e Cidadania.

Orientaram pelo não o PT, PSB, PDT, Podemos, PSOL, Novo, PV, Rede Sustentabilidade e a liderança da oposição.

Dos 33 partidos aptos a disputar eleições, 24 deles, que têm assentos na Câmara dos Deputados, poderão receber proporcional às suas bancadas eleitas em outubro de 2018.

O Fundo Eleitoral Partidário tem verba garantida no orçamento federal, que se presume venha a ser o tão sonhado financiamento público de campanhas em contraposição aos escandalosos financiamentos privados, principais fontes das inúmeras denúncias e constatações de corrupção tão combatidas.

Mas, no meio do caminho tem sempre uma pedra. O velho jornalismo patronal quatrocentão e escravagista, como O Estado de S. Paulo, jogou sua tortuosa manchete: “Fundo Eleitoral turbinado pode dar a PT e PSL R$ 600 milhões para cada um em 2022”.

O jornalão, que já foi da tradicional e reacionária família Mesquita e hoje pertence a um grupo de financistas, deu um exemplo do jornalismo canalha ao insinuar algo inexistente, que seria uma polarização envolvendo o PT e o bolsonarismo, e encobriu que o PT votou contra e o PSL votou a favor da aprovação do Fundo Eleitoral.

Ao tentar se passar como pilar da moralidade, o Estadão apenas deixa à mostra o que disse Nelson Rodrigues: “Por trás de todo paladino da moral vive um canalha”.

O Estadão é o mais digno representante e porta-voz do que disse o beócio Flávio Rocha, dono do império Riachuelo e grande devedor de impostos: “Taxar as grandes fortunas reduz as desigualdades, mas empobrece os ricos”.

Mas fato político marcante na conjuntura é a aprovação do Fundo Eleitoral de R$ 5,7 bilhões, que encaixou como uma luva, pôs no recuo as esquerdas e deu discurso para os enrustidos falsos moralistas da direita, considerando que o exagero do aumento de 175% é um bode na sala.

A grande contradição apareceu: o financiamento público de campanhas é uma bandeira legítima dos partidos de esquerda e de muitos democratas, há anos.

Votaram contra porque estão reféns dos moralistas sem moral que habitam no partido midiático, no partido militar, no partido da justiça e nos partidos daquele núcleo podre chamado Centrão, composto pelos que compram mandatos e para tanto precisam de dinheiro do setor privado para os alugarem e dar migalhas aos eleitores.

O Fundo Eleitoral aprovado e ainda não sancionado será distribuído para 24 dos 33 partidos existentes, que elegeram bancadas em 2018, numa proporção de R$ 11,1 milhões por deputado, para o partido se manter no exercício da democracia.

Em outras palavras, esse seria o custo da democracia no Brasil. Quem vai controlar, aí é outra história. Examinando pelo olho da moral, é de fato um valor muito alto e serve como prato cheio para os falsos moralistas.

Seriam justos seus protestos se denunciassem que 140 mil filhas de militares abocanham R$ 9,7 milhões por ano, por se manterem solteiras, mesmo que se amiguem e tenham família, muitas sejam empresárias, na sua maioria lutando contra a democracia.

O discurso falso moralista de que é dinheiro público tirado da saúde e da educação é mentiroso. O dinheiro tirado da saúde e da educação foi o do pré-sal, fatiado entre as multinacionais do petróleo e entregue de mãos beijadas.

Quem é graduado nas lides da política tem que saber que o dinheiro arrecadado de impostos não é público e, no caso da LDO, é arrecadado em impostos federais, principalmente Impostos sobre Produtos Industrializados – IPI -, e Imposto de Renda e já custeia os partidos militar e da justiça, além de financiar o partido midiático.

Portanto, não é amoral financiar a democracia. Sugiro que procurem ler o que disse Margaret Thatcher sobre o assunto.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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