Aparte
João Fontes opera milagre, traz Eduardo Amorim a debate, mas sem solidariedade a André Moura

Eduardo Amorim: sim, política é ou não coisa do capeta?

Com seu texto de mídia social provocador “João Fontes aponta fraqueza de Eduardo Amorim frente a André e a PGR”, replicado aqui nesta coluna, o ex-deputado federal João Fontes, PPS, tirou nesta quinta-feira o senador Eduardo Amorim, PSDB, da toca da passividade comunicacional.

No texto circulado em grupos de WhatsApp - sobretudo no do Universo, homônimo do site Universo Político, de Joedson Teles -, Fontes censurou o senador Eduardo Amorim por fraqueza e falta de solidariedade ao deputado federal André Moura, PSC, alvo de denúncia da Procuradoria Geral da República. Os dois militam no mesmo teto político, embora um (mais o deputado que o senador) sempre queira comer o fígado um do outro.

O senador tucano, um passivo crônico quando a seara é a mídia social, desceu dos tamancos e sacolejou razões na passarela dos grupos de zap. “João, coragem, determinação e humildade são adjetivos que nunca não me faltaram”, esbravejou Eduardo Amorim, na largada.

E historiou mais: “Em 2014, tive a coragem de apontar as mazelas que Sergipe vivia e as que poderia viver se nada fosse feito”, disse ele. “Para tanto, tive a determinação de ficar vários (ele não diz vários o quê, mas pela lógica do texto deve ser meses ou anos) da minha vida buscando esse diagnóstico para propor o remédio para o paciente chamado Sergipe”, diz.

“Não fui compreendido, não fui o escolhido, mas não me afastei da verdade, não enganei. Portanto, amigo João, não cometi o pecado da covardia, da hipocrisia, da mentira ou omissão! Cada povo é senhor do destino, porque temos a liberdade democrática para escolher (como disse o poeta e jornalista William Ernest Henley no poema Invictus)”, desabafou o senador do PSDB.

E seguiu: “Que bom também poder fazer as correções necessárias, pelo menos de quatro em quatro anos. O líder verdadeiro não precisa do revólver para liderar. O líder verdadeiro conduz seus liderados com a humildade do soldado e a firmeza do comandante. Abraço, João”, fechou Eduardo a sua milagrosa exposição pública via zap.

Mas algo não quer se calar. Numa análise simples de discursos, conclui-se que o de João Fontes operou o milagre da fé de precipitar o senador Amorim a se abrir à mídia social. Mas a análise do discurso de Eduardo o revela avaro e somítico no principal aspecto da provocação do tagarela Fontes: o senador não move um dedal de fala solidária a André Moura, nem sob esse chicote do convite público.

Será que André Moura, sob o ponto de vista de Eduardo, não é credor deste gesto cobrado por João Fontes? Terá sido uma falha do comunicólogo Eduardo Amorim, que lembrou-se da coragem de 2014 e esqueceu-se da omissão frente a um fato de há três semanas?

Portanto, continua aberto e irrespondido o mote fontiano: “Amigos, alguém viu alguma declaração de solidariedade do “líder político” Eduardo Amorim a André Moura sobre a denúncia da PGR?”.

Não, ninguém viu. Será que esta postura do senador Eduardo é para validar mesmo a definição de que “a política é coisa do capeta”, também cunhada pelo cônego João Fontes?