Aparte
OPINIÃO: O PMDB, o PT, a Lava Jato. Seria a vingança do Cruzado?

Gilberto: derrocada dos irmãos siameses PMDB/PSDB é “a vingança do Cruzado

*] Gilberto dos Santos 

Fevereiro de 1986, onze meses após herdar o Governo de Tancredo Neves,  o presidente José Sarney lança o Plano Cruzado.

O plano se caracteriza, dentre outras medidas, pelo congelamento de preços. O resultado é a queda da inflação. O presidente colhe uma popularidade recorde.

Neste clima, ao final do ano de 1986, ocorrem eleições gerais. O resultado foi uma vitória esmagadora do PMDB. Foram 22 governadores eleitos entre os 23 da época – apenas um do PFL, o sergipano Valadares – e 49 senadores de 58 possíveis.

Juntos, PMDB e PFL, responsáveis pelo consórcio governista elegeram 73,39% dos deputados federais, sendo o PMDB sozinho responsável por 53,39% dos deputados.

Ainda como efeito colateral tardio, vimos o desaparecimento do PDS, até antes de Sarney o partido governista. A consequência disto foi que o PMDB saiu tão grande da eleição que implodiu, dele nascendo os dissidentes do PSDB fundado em junho de 1988 durante o congresso constituinte.

Os grupos que ficaram no PMDB eram basicamente caracterizados por uma peculiaridade, o fisiologismo. Estes grupos apoiaram indistintamente Collor, Itamar Franco, FHC ou Lula, sempre em troca de cargos.

Os cargos davam acesso ao dinheiro público que propiciava o financiamento de eleições, e assim girava a roda, assim criou-se os Temers, os Cunhas, os Gedéis, os Henriques Eduardo, os Barbalhos e tantos outros.

Até que veio a Lava Jato! Esta operação avariou seriamente o PT, partido incrustado no proletariado e na sociedade civil organizada, e só não o dizimou graças a inquestionável liderança de Lula, que é muito maior que o partido.

Quanto ao grupelho do PMDB que imaginava sobreviver após empreender um golpe parlamentar em Dilma, usando dos mesmos métodos fisiológicos até então praticados e tentando extinguir conquistas seculares dos trabalhadores, tendo ainda como seguidores a maior parcela do PMDB e de seu irmão siamês, o PSDB, poderão colher uma grande derrota em 2018 que pode ferir de morte estas duas agremiações partidárias.

E mais: podendo decretar ainda uma nova fase de rearrumação partidária, sendo ele talvez o principal motivo que os nossos ilustres congressistas relutem em aprovar neste momento uma nova reforma eleitoral.

A se confirmar a derrocada dos irmãos siameses PMDB/PSDB, poderíamos comemorar, inclusive com bandas e fanfarras, aquilo que poderíamos denominar de “a vingança do Cruzado”, fazendo alusão aquilo que pode vir a ser o réquiem destes dois partidos.

[*] É médico, ex-presidente
do Hospital de Cirurgia
e seu atual tesoureiro.

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