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Belivaldo Chagas: “Todos vão exigir de JB uma candidatura ao Senado”

Belivaldo Chagas: sair da Casa Civil só depois do carnaval

Janeiro chegou e o vice-governador Belivaldo Chagas não deixou a Secretaria da Casa Civil, conforme era plano e promessa dele. Tudo vai ficar para depois do carnaval, que termina este ano em 14 de fevereiro.

Belivaldo Chagas admite que ficou para ajudar o governador Jackson Barreto a fazer o enxugamento de custo do Estado. “Tendo em vista as medidas que estão sendo adotadas pelo Governo para contenção de gastos, e como a coordenação deste trabalho cabe à Casa Civil, o governador, numa conversa comigo, ponderou no sentido de que eu deixasse para sair depois do Carnaval. Ele pediu colaboração para dar continuidade a estas ações”, diz.

Politicamente, Belivaldo Chagas acha que Jackson Barreio lhe passa o Governo em sete de abril. “O que eu tenho ouvido das lideranças - vereadores, prefeitos, vices - é que todos vão exigir do governador uma candidatura dele ao Senado”, diz.

“Muitas lideranças entendem que é extremamente importante a participação de Jackson Barreto tanto num processo eleitoral como candidato este ano, quanto, a partir do momento em que se concretize uma eleição dele para o Senado - no que acreditamos muito -, na vida do país, porque teria muita significado para o Estado de Sergipe e para o Brasil neste momento, tendo em vista as preocupações dele com este instante do político da nação”, diz Chagas, em breve entrevista a Aparte. Leia.

Aparte - Por que o senhor decidiu por não se afastar da Casa Civil a partir deste 1° de janeiro de 2018?
Belivaldo Chagas -
Tendo em vista as medidas que estão sendo adotadas pelo Governo para contenção de gastos, e como a coordenação deste trabalho cabe à Casa Civil, o governador, numa conversa comigo, ponderou no sentido de que eu deixasse para sair depois do Carnaval. Ele pediu colaboração para dar continuidade a estas ações.

Aparte –E em que pé estão elas?
BC -
Na terça-feira da semana passada, ainda antes do ano novo, eu tive uma conversa com a administração indireta, neste sentido. No dia 28, nós tivemos uma reunião, primeiro com os administradores diretos, com todos os secretários. Vou ter de acompanhar este trabalho de contenção de gastos neste mês todinho. É um trabalho que estamos fazendo, órgão a órgão. Mas lembro que isso não engloba somente cargo em comissão. É contenção também na diária. É combustível, é aluguel de carro, é hora extra. Tudo que diz respeito a despesas. Em tudo que puder diminuir, vamos diminuir. Custe o que custar. E eu tenho que fazer este trabalho.

Aparte - A sua preocupação é, como titular da Casa Civil, a de dar o suporte ao Governo nesta gora.
BC -
Exatamente, por comandar a Casa Civil, me cabe fazer esta coordenação. Como eu venho acompanhando tudo isso há mais tempo, fica mais fácil. Seria complicado eu sair e passar para outra pessoa fazer este controle que estamos fazendo.

Aparte - O senhor vai conseguir manter paralelamente o ritmo das ações da pré-campanha?
BC -
A ideia é a seguinte: vamos avançar mais nestas questões administrativas até o carnaval - isso nos dá quase um mês e meio, e deixar as questões políticas no ritmo em que se encontram. Avançaremos nelas mais também a partir do carnaval, que este ano se encerrar no dia 14 de fevereiro. Não descuidarei delas, lógico, porque tem os finais de semana, mas o que eu pretendia fazer a partir de janeiro farei somente a partir do carnaval, em função da necessidade extrema de a gente dar essa balançada nas despesas do Estado, que a gente precisa segurar.

Aparte - Por que esta urgência?
BC -
Veja isso: 2018 é um ano bem diferente de 2017. Até podemos jogar despesas de 2017 para 2018, assim como se fez de 2016 para 2017. Mas, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal, 2018 exige todo um rigoroso cuidado, porque não podemos jogar despesas dele para 2019, independentemente de quem vier a ser o governador. Pouco importa isso. O que vale é que é outro exercício financeiro.

Aparte - O senhor conta com a possibilidade de vir a ser o governador efetivo a partir de sete de abril?
BC -
Sim, a partir do momento em que governador comunicar o seu afastamento, independentemente de confirmar, num outro instante, se será candidato ou não ao Senado. Ele pode se afastar, dizendo que vai ser candidato, e pode se afastar dizendo que vai dar um tempo, para depois decidir. O certo é que não sentamos, eu e ele, para discutir a possibilidade de ele sair e nem qual a data que ele faria isso. Se ele resolver ser candidato, a data limite é sete de abril.

Aparte - A sua intuição política e a sua convivência com Jackson Barreto apontam alguma direção para a opção dele?
BC -
Apontam no sentido de que ele deverá sair, porque esta tem sido uma exigência da sergipanidade. O que eu tenho ouvido das lideranças – vereadores, prefeitos, vices - é que todos vão exigir do governador uma candidatura dele ao Senado. Muitas lideranças entendem que é extremamente importante a participação de Jackson Barreto tanto num processo eleitoral como candidato este ano, quanto, a partir do momento em que se concretize uma eleição dele para o Senado - no que acreditamos muito -, na vida do país, porque teria muita significado para o Estado de Sergipe e para o Brasil neste momento, tendo em vista as preocupações dele com este instante do político da nação. A minha visão é a de que ele não vai ter como se negar a este momento em que todos estão a exigir uma participação dele em que o Brasil e principalmente o Estado de Sergipe estão precisando a partir de 2019.

Aparte - O senhor acha que lhe seria melhor fazer a campanha de candidato ao Governo sendo governador ou estando vice?
BC -
Com toda a sinceridade, penso que isso não altera nada. Porque se eu vier a fazer a campanha como vice e Jackson coordenar o processo de eleição, com certeza ele vai estar liderando sem nenhum problema. Eu estando no governo, a única diferença é que eu estarei liderando também, porque a figura do governador exige que ele se torne um líder desse processo, mas sempre ouvindo a todos.