Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Biografia jogará luzes sobre João Alves. “É grande vulto na história dos últimos 100 anos de Sergipe”
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No dia 27 de janeiro de 2019, na casa dos Alves, com Maria, João Alves, João Neto e a neta Malu, Déborah revela intenção do livro

E isso caberá à médica psicanalista, intelectual e pesquisadora Déborah Pimentel em parceria com o jovem sociólogo Igor Salmeron.

Igor fora convidado por Déborah para fazer leituras e pesquisas que pudessem subsidiar a obra que ela estava a escrever. “Foi assim que Igor tornou-se coautor em uma parceria profícua”, admite a autora.

A futura biografia de João Alves Filho, falecido no dia 24 de novembro do ano passado, aos 79 anos, não tem nome ainda. Mas já tem um propósito bem sedimentado.

“Eu sempre fui uma grande admiradora do ex-governador João Alves Filho, o mais ilustre político que Sergipe em toda a sua história pôde oferecer ao povo brasileiro. Eu sempre achei que ele merecia um resgate da sua bela trajetória”, diz.

A futura obra de Déborah se propõe a fazer o resgate de uma vida a serviço de três mandatos de governador do Estado de Sergipe, de dois a servir à Prefeitura de Aracaju e uma passagem cheia por um Ministério do Brasil.

“A história, aquela com letras garrafais, certamente fará justiça e honrará o bom nome de João Alves Filho que, pelo conjunto de sua obra, é reconhecido e considerado o melhor e o maior realizador de obras de grande vulto na história dos últimos 100 anos de Sergipe, e que trouxe, indubitavelmente, mudanças e que favoreceu a qualidade de vida dos sergipanos”, diz a autora. 

A propósito do livro, Déborah Pimentel bateu com a Coluna Aparte o papo que vai a seguir.

Aparte - De onde nasce o projeto de fazer uma biografia de João Alves Filho: da senhora mesma ou da família dele?
Deborah Pimentel -
Eu sempre fui uma grande admiradora do ex-governador João Alves Filho, o mais ilustre político que Sergipe em toda a sua história pôde oferecer ao povo brasileiro. Digo, povo brasileiro, porque na condição de ministro, João Alves Filho foi muito proativo e em apenas um ano de trabalho nos deixou legados, a exemplo do Ibama, que ele criou. Eu sempre achei que ele merecia um resgate da sua bela trajetória, haja vista o desencadeamento dos fatos melancólicos na sua última gestão na Prefeitura de Aracaju, porquanto a sua doença.

Aparte - A melancólica segunda passagem pela Prefeitura da capital não macula a biografia dele?
Deborah Pimentel -
Nenhum fato apaga o brilhantismo dele. Para escrever a biografia, fui muito estimulado por meus pais, Nazário e Elena Pimentel, que sempre nutriram admiração, respeito e amizade por ele. Eles acreditaram, como eu, que este registro da vida e obra de João Alves Filho era um necessário resgate do bom nome e da singularidade do mais importante político de Sergipe e cujos feitos e realizações na cidade de Aracaju, no Estado de Sergipe e no Nordeste deixaram uma marca indelével, que dificilmente outros políticos sergipanos conseguirão superar nos próximos anos.

Aparte - Como a senhora dispara a ideia?  
Deborah Pimentel -
Procurei a senadora e lhe comuniquei o meu desejo. Fui até à sua casa de praia no dia 27 de janeiro de 2019 e tive o privilégio de ser recebida de forma acolhedora, pela senadora e por João Alves Filho, que sentou conosco à mesa, João Alves Neto e Malu - filha e neta do casal - e conversamos por um bom tempo. Foi um encontro agradabilíssimo. A empreitada começou ali, naquele dia. Convidei logo em seguida um brilhante e jovem sociólogo, Igor Salmeron, hoje recém-empossado no Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras, para que fizesse leituras e pesquisas que pudessem subsidiar a obra que eu escrevia. Foi assim que Igor tornou-se coautor em uma parceria profícua.

Aparte - Em que pé está a empreitada e deve render um livro de quantas páginas?
Deborah Pimentel –
São 19 capítulos na biografia de João Alves Filho. Estamos com 450 páginas, no momento. Afinal, são dois anos e três meses de muito trabalho. Será um livro robusto. Estamos iniciando a fase da seleção das fotografias para ilustrar a obra, o que pode aumentar bastante o número de páginas. Entrei em contato com João Neto, o filho do biografado, para ter acesso ao arquivo fotográfico do seu jornal, com Eugênio Nascimento, do Jornal da Cidade e o fotógrafo Diógenes Di, que acompanha a senadora em eventos e tem um arquivo de 5 mil fotos. Agendamos e vamos escolher os melhores registros. Enquanto isso, convidei José Anderson Nascimento, presidente da Academia Sergipana de Letras para prefaciar a obra. Ele já o fez, o que nos honra. Até agora ele foi o único que leu o texto - além dos meus pais, claro, que foram incríveis com a revisão e as sugestões e por quem expresso um oceano de gratidão. A verdade é que estou com muito ciúme da cria que ainda estou lapidando e lambendo diariamente e não gostaria que fosse divulgada nenhuma linha sequer antes do lançamento. A família de João Alves Filho, creio, ficará muito satisfeita com todos os registros.

João Alves faria 80 anos no próximo dia 3 de julho, mas faleceu no dia 24 de novembro do ano passado

Aparte - A senhora já tem definido o nome da biografia? 
Deborah Pimentel -
Quando enviei para os meus pais e para Anderson, nós tínhamos dois títulos provisórios. De repente surgiu um terceiro por sugestão de um jornalista, amigo querido, mas não definimos ainda.

Aparte - Para quando a senhora projeta lançá-la?
Deborah Pimentel -
Desejo um lançamento presencial, em um evento à altura da memória e bom nome de João Alves Filho, convidando os seus familiares, amigos, jornalistas, os seus confrades da Academia de Letras e políticos de todas as esferas. Esperaremos um momento oportuno, haja vista a pandemia da Covid-19.

Aparte - Para além do tocador de obras, existe um outro traço preponderante de João Alves enquanto homem público?
Deborah Pimentel -
O engenheiro, o Dr. João, como muitos chamavam João Alves Filho, sempre buscou um sentido para a sua vida. Era um trabalhador incansável, visionário, um gestor futurista, um líder motivado e otimista, empreendedor e muito determinado. Ou quem sabe, fosse um teimoso. Adjetivos chegam facilmente, por associação livre de ideias. Ele sonhava, planejava e realizava. E quando havia obstáculos, os enfrentava. João Alves Filho repetia uma máxima de que “a história só é feita pelos teimosos, ousados, corajosos e pelos que creem sempre”. Esse traço de personalidade talvez fosse sua maior marca registrada. Além disso, ele sabia escolher o homem certo, na hora certa, para o projeto certo. João realmente acreditava que o sucesso de qualquer gestão é a equipe, precedida por um bom planejamento. As escolhas e decisões que ele tomou durante a sua vida foram definitivas nos resultados que ora são presentes no nosso entorno. Para isso, João necessitou dar sempre o melhor de si mesmo em tudo o que se propôs a fazer e fez. Um homem brilhante!

Aparte - A viúva exibirá algum traço de ressentimento pelo modo como os amigos próximos de João o trataram no fim da vida dele?
Deborah Pimentel -
A senadora Maria do Carmo é uma mulher muito discreta, serena e pragmática, e não manifestou nada neste sentido. Mas, suponho que deva ter as suas mágoas.

Aparte - A senhora não considera a vida pública sergipana um pouco avara, somítica, em provimentos biográficos de suas figuras de Estado?
Deborah Pimentel -
Confesso que nunca fui atenta a isso, até então, mas provocada, afirmo que conheço bons historiadores em Sergipe, basta citar o icônico Ibarê Dantas e o saudoso e bom amigo Luiz Antônio Barreto, cujos legado são de extraordinária riqueza. O Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe fervilha em constantes produções e publicações na sua revista, com nomes de grande destaque, a exemplo de Terezinha Alves de Oliva, do meu confrade Antônio Samarone, Saumíneo da Silva Nascimento, Ana Maria Fonseca Medina, entre outros. Na Academia de Letras e a de Educação temos historiadores como José Anderson Nascimento, Jorge Carvalho do Nascimento, e a UFS por sua vez tem desenvolvido excelentes trabalhos no Departamento de História. Talvez estas produções careçam de mais divulgação e mais visibilidade para o público em geral. Hoje eu sei que fazer uma biografia é um trabalho que exige muito esforço, muita pesquisa, muitas leituras. É algo extenuante, e que requer disciplina e tempo. Às vezes comentava com minha família que escrever sobre João está dando mais trabalho do que a minha pesquisa do doutorado, cuja obra foi publicada pelo Conselho Federal de Medicina em Brasília e tinha um pouco mais de 300 páginas. Agora, na reta final, posso admitir que fui muito ousada e ambiciosa. A história, aquela com letras garrafais, certamente fará justiça e honrará o bom nome de João Alves Filho, pelo conjunto de sua obra e que, por unanimidade, entre seus pares, independentemente de ideologias político-partidárias, aliás, mesmo entre os seus adversários políticos, é reconhecido e considerado, até então, o melhor e o maior realizador de obras de grande vulto na história dos últimos 100 anos de Sergipe, e que trouxe, indubitavelmente, mudanças e que favoreceu a qualidade de vida dos sergipanos. 

 

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Guga Santos
Justo,muito justo, justíssimo!
Marcio Monteiro
Ano passado escrevi artigo sobre João Alves e fiquei impressionado com a receptividade dos leitores. João era polêmico como todo os grande realizador e a quem devemos o nosso reconhecimento pelo grande legado que deixou para Sergipe. João merece uma biografia à sua altura.