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Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Candidato da oposição diz que Crea de Sergipe tem gestão velha e pesada
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Dilson Luiz de Jesus Silva: disposto a remexer o coreto e gerar uma nova ordem

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia - Crea - do Estado de Sergipe virou uma entidade de classe pesada, burocrática e alheia aos reais interesses dos engenheiros civis, agronômicos, assim como do mercado que os demanda. E é preciso mudar isso, modernizando-o, tornando-o a serviço desse mercado, da formação acadêmica e dos profissionais que o tem como teto e casa.

Esta é a síntese do pensamento do engenheiro civil Dilson Luiz de Jesus Silva, 45 anos de idade, com 26 anos dedicados à construção civil sergipana e 13 de Engenharia. Ele é candidato à Presidência do Crea-SE numa eleição marcada, aos trancos e barrancos, para o próximo dia 1º de outubro.

Aliás, 1º de outubro será também a data para definir os futuros mandos do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia - Confea - e da Mútua, que é a Caixa de Assistência dos profissionais desse sistema. Um órgão do Confea e dos Creas. Vai ser tudo num pacote só.

“A prática da gestão do Crea de Sergipe hoje é de apenas cobrar anuidade, cobrar taxas abusivas e de pagar diárias constantes a quem está no poder”, diz Dilson Luiz de Jesus Silva. Como se vê, não é nada positiva a leitura que ele faz do mando atual do Crea, que tem o engenheiro agrônomo Arício Resende como presidente. 

O mandato no Crea é de três anos. Arício Resende está fechando o segundo e quer passar de volta para Jorge Silveira, ex-presidente que passou pelo comando antes dele. Ele é uma entidade de classe forte, que reúne cerca de 5.400 engenheiros das duas áreas.

“Sou um candidato para os profissionais da Engenharia e para as empresas. Por um Conselho mais eficiente, que tenha uma visão de mercado, e que ajude a abrir o campo de trabalho para o profissional e, com isso, melhore a qualidade do serviço prestado para a população de Sergipe”, diz Dilson Luiz, colocando-se frontalmente contra o Crea “cobrador de anuidade e de taxas abusivas”.

Dilson Luiz se diz, ainda, um candidato a favor de uma abertura e de mais transparência para o Crea de Sergipe, e subscreve sem drama o slogan da oposição nacional ao Confea, que é o “Ou muda ou acaba”. “Nosso slogan não é fatal e é porque o modelo de gestão que temos hoje no Conselho exclui os profissionais de poderem participar dele nas decisões. Só participa quem eles querem. É a turma do amém”, diz.

“Eu pedi para participar duas vezes, e me foi negado. Eles perseguem os profissionais que vão de encontro a isso, e queremos mudar. Queremos abrir o Conselho para que todos possam participar com transparência. Eles têm o grupinho deles, que se mantém em cargos de conselheiros sem fazer mudança, e é essa turma que hoje está com eles”, diz.

“A campanha começou no dia sete de março e elencamos 22 propostas. Entre as 22, uma das principais é exatamente a abertura da entidade para todos os profissionais, para que possam vir a participar do plenário do Conselho. A entidade está fechada para os profissionais e fica sempre aquele grupinho se revezando dentro como conselheiros. Outra proposta é em relação às instituições de ensino, que é a de incentivar a produção técnico-científica e levar isso à difusão para os nossos congressos”, completa o candidato.

“Temos que incentivar a produção técnico-científica em Engenharia, que hoje está muito parada. Queremos incentivar, junto às instituições de ensino e levar isso para a Semana Nacional de Engenharia, que é feita anualmente. A Engenharia, não digo nem a sergipana, mas a nível nacional, está em decréscimo muito grande de formação e prática. Não só é o aluno, quando entra, que tem que fazer a equiparação, um tipo de equivalência para poder começar a seguir as aulas -uma fragilidade nas matérias básicas de física e matemática -, e isso inclui o português. Temos uma deficiência grande que precisa melhorar na base. Isso é uma coisa para ser conversada com o Conselho de Educação do Estado”, diz Dilson.

“Quanto especificamente à formação profissional como engenheiro, temos uma deficiência grande para o que o mercado hoje pede e pelo que hoje as instituições estão formando. Temos dificuldade de atualização de ementa de curso, no que dependemos do MEC. As faculdades tentam mudar a ementa, mas dependem que o MEC aprove, e isso passa anos. Quando ele vem a aprovar, já está obsoleto. As técnicas da Engenharia hoje mudam a cada três, cinco, dez meses. Sempre temos coisas novas”, adverte Dilson.

A data da eleição em 1º de outubro foi uma definição não pacífica. “Eles da atual Diretoria queriam fazer a eleição no dia 3 de junho, no meio da pandemia, houve reação e aí mudaram para 15 de julho. Nós conseguimos, via Justiça Federal de Sergipe, suspender a eleição no Brasil todo nessa data e está marcada para o 1º de outubro. A disputa entre Jorge e eu está indo bem. Acho que estamos à frente dele, porque todo mundo está insatisfeito com o Conselho que eles dirigem”, futuca Dilson Luiz. Ele é presidente do Clube de Engenharia de Sergipe e está licenciado para concorrer à eleição do Conselho.

 

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