Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Conselheiro federal pinta gestão da OAB de Sergipe como pouco democrática
Compartilhar

Arnaldo Machado: uma entrevista que mete o dedo em muitas feridas da OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe - OAB/SE - vive desde janeiro de 2016 um período de pouca transparência na gestão, de rara eficácia na defesa das prerrogativas dos advogados sergipanos, além de ser marcada pelo império do desejo pessoal por vezes indelicado e expositivo dos advogados por parte do seu presidente, Henri Clay Andrade, que em algumas atitudes chega perto de um ditador.

Esta leitura de uma OAB/SE fora dos eixos e personalizadíssima é feita por um dos seus três conselheiros federais, o advogado e professor Arnaldo de Aguiar Machado Júnior, chefe do Departamento de Direito da Universidade Federal de Sergipe, na entrevista domingueira deste portal JLPolítica.

Solapando a visão de confraria que por vezes guia os advogados dentro do comando da OAB, o conselheiro Arnaldo Machado não usa meias palavras para apresentar a gestão de Henri Clay. Não faz concessões e nem mesuras. Pelo contrário, ele aperta o dedo no gatilho da visão de um Henry Clay perverso, personalista, sem palavras e pouco reconhecedor de méritos de aliados. 

Em 18.486 caracteres do corpo da entrevista - é muito grande -, Arnaldo Machado cita 25 vezes o nome de Henri Clay e em nenhuma delas lhe faz qualquer tipo de afago. Não adjetiva muito, mas capricha nos verbos. Nessas citações, o leitor vai ver, pela memória do entrevistado, Henri Clay classificando o Conselho Federal da Ordem de golpista por ter apresentado no final de março de 2016 um pedido de impeachment da então presidente da República, Dilma Rousseff, do qual ele era contra.

“Ao tomar conhecimento de que eu viajaria a Brasília em atenção à convocação formulada (pelo Conselho Federal), o presidente Henri Clay “determinou” que eu abortasse a viagem, tendo em vista que se trataria, segundo ele, de um golpe a ser patrocinado pelo Conselho Federal da OAB. Nas palavras de Henri Clay, segundo relatado pelo secretário-Geral da OAB/SE, Aurélio Belém, caso eu mantivesse minha viagem, eu seria expurgado do grupo”, narra Arnaldo.

Ainda segundo a memória de Arnaldo Machado, o leitor vai ver em Henri Clay um presidente de Ordem autoritário e berrando de público e nas mídias sociais contra um conselheiro federal, que é o próprio Arnaldo, como se esse fosse um títere, um subalterno dele em virtude do impeachment - o que contribuiu imensamente, desde então, para abrir um fosso na relação de ambos. “Primeiramente, é importante deixar claro que não existe qualquer hierarquia entre mim, na condição de conselheiro federal, e o presidente Henri Clay”, pondera Arnaldo Machado.

Na entrevista, você, leitor, verá um Arnaldo Machado asseverando que Henri Clay não é um presidente de palavra, afirmando que ele vai defenestrar na eleição deste ano o grupo do qual faz parte ao lado de Inácio Krauss, prevendo inclusive quem vai ser o candidato dele à sua própria sucessão - “o presidente da OAB não pode servir de garoto de recados de quem quer que seja” -, revelando detalhes de supostas ardilosidades no coração da gestão e conjecturando estranhezas no fato de o atual presidente não ter posto ainda em julgamento as contas do ex-presidente Carlos Augusto Monteiro. 

“Merece ainda registro que o Conselho Federal da OAB tem se destacado na luta em defesa das prerrogativas, inclusive dando suporte a várias seccionais. Contudo, o presidente Henri Clay, objetivando não dividir o protagonismo local, optou por não contar com esse importante auxílio do Conselho Federal”, anuncia Arnaldo. A entrevista domingueira do JLPolítica vai ao ar com certa antecipação: ela poderá ser acessada a partir das 20 horas deste sábado, 24.3. Arnaldo é o entrevistado de número 60 deste Portal. 

Clique aqui e veja a entrevista

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.