Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Danniel Costa: “Eu, Letícia, a vice, e Marília, da Caase, não vamos decepcionar a advocacia sergipana”
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Danniel Costa: “Suamos, choramos, vivemos intensamente cada dia e mostramos que vale a pena acreditar”

Ainda rouco em decorrência das comemorações pela vitória, mas devidamente descido do palanque da campanha que lhe levou à Presidência da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Sergipe, Danniel Alves Costa, recobra o fôlego e garante: tudo o que prometera em campanha vai ser cumprido ao pé da letra.

“Eu sonhei com a chance de lutar pela advocacia e esse sonho agora se transformou na nobre oportunidade de fazer o bem. Durante a campanha, falei para advogados e advogadas: “Vamos fazer isso juntos”. Cumpri meu papel, ganhamos a eleição e, agora, chegou o momento de colocar em prática tudo o que foi idealizado para a gestão”, diz ele, em entrevista exclusiva à Coluna Aparte na tarde desta quarta-feira, 17 de novembro.

“Suamos, choramos e vivemos intensamente cada dia e, depois de tanto esforço, mostramos que vale a pena acreditar”, reforça Danniel, passando a régua no que foi a campanha, nos excessos que um momento como esse engendra e prometendo ser um presidente de todas as correntes que gravitam no centro da OAB-SE.

“Terminado o processo eleitoral, estaremos abraçando a todos e todas. Nunca tratamos os colegas como números. Ao contrário, procuramos entendê-los como pessoas e profissionais, e esse será o foco da nossa gestão. Nosso objetivo é sim cumprir todas elas (as promessas de campanha), e a advocacia pode cobrar isso. Eu, Letícia, minha vice, e Marília, presidente da Caase, não vamos decepcionar a advocacia sergipana, independentemente de quem votou na Chapa 2”, diz ele. Veja a seguir o bate papo.

Aparte - O senhor esperava que ganhasse a eleição com tamanha diferença?
Daniel Alves Costa
- Pessoalmente, sempre acreditei na vitória, porque enxergava na advocacia sergipana um sentimento de abandono, além da perda do seu protagonismo de anos. Aos poucos, quando fomos atraindo o apoio de centenas e centenas de advogados e advogadas que nutriam o sentimento de esperança, o grupo passou a acreditar na vitória, gerando uma mobilização coletiva em torno da campanha. Me espanta a forma como a advocacia vestiu a camisa da mudança e focou na campanha. Os últimos 15 dias foram incríveis. Por isso a diferença de votos se justifica e demonstra que a mudança era necessária.

Danniel Costa abraçou com intensidade a advocacia sergipana e teve um vitória maiúscula

Aparte - Historicamente, foi uma vitória com uma margem há muito não vista na disputa pela OAB. As razões disso estariam mais no cansaço do grupo que a administrava ou nas proposições do grupo que o senhor representa?
DAC -
Não só nesse cansaço, mas na situação atual da advocacia, como falei anteriormente. Quando iniciamos nossa pré-campanha, que foi curta, é verdade, fizemos questão de visitar todas as regionais, conversar com vários colegas e percebemos o desânimo com a profissão. Muitos abandonando e outros sem horizontes. Sem perspectiva. E, para completar, em plena pandemia, tivemos uma OAB que se limitou a um auxílio de R$ 300 e a permitir que os escritórios fossem fechados em uma ação mais efetiva para garantir a atuação profissional durante o período de quarentena. Situações que se agravavam mais ainda no interior de Sergipe. Conseguimos mostrar essa realidade de forma clara e verdadeira na campanha, sem ofensas pessoais, mas com duras críticas à gestão, e essa mensagem foi absorvida pela maioria da advocacia, contrastando com nossas factíveis propostas de acolhimento e representatividade.

Aparte - Que papéis o senhor acha que cumpriram em sua campanha o marketing e a comunicação social?
DAC
- Cumpririam papéis essenciais. É preciso ter uma relação de confiança entre coordenador e candidato. E isso eu construí com Cícero Mendes há anos. Somos amigos e clientes, e quando topei abraçar esse projeto não pensei em outra pessoa a não ser ele. Também somamos forças com Theotônio Neto, um grande profissional com uma carreira consolidada, e meu amigo Anderson Góis, que esteve ao meu lado nesta jornada. Com Cícero, além do marketing certeiro, preciso e presença marcante nas redes sociais - saímos de um perfil no Instagram com 0 seguidores e chegamos a 3.361, tudo de forma orgânica -, também ocupamos um espaço importante na imprensa. Entrevistas e matérias foram essenciais para consolidar nossa imagem como um advogado pronto para dirigir a Ordem dos Advogados do Brasil, apesar dos 38 anos, o que para muita gente seria um fator negativo pela pouca idade. Minha grande lição foi a de que não se faz mais nenhuma campanha sem as redes sociais e um bom trabalho junto à imprensa.

Aparte - O senhor credita maior peso dessa vitória a um grupo tal de advogados, ou ela veio de forma horizontal?
DAC -
Eu tenho sentimento de gratidão a todos e todas, mas não posso deixar de destacar o papel da jovem advocacia. Quando as urnas da sessões com a numeração de OAB mais altas começaram a abrir e a gente foi ganhando com diferenças consideráveis, ali estava a resposta dos jovens advogados e advogadas. Eu sempre dizia nas minhas falas que a gestão atual da OAB não havia feito nada pela jovem advocacia, e fui até acusado de propagar fake News. Mas isso foi tão verdade que foi essa juventude de profissionais que nos ajudou na vitória. Eles criaram uma onda azul contagiante, linda, cheia de amor e esperança. E isso contagiou toda a advocacia sergipana. A construção da nossa chapa foi feita contra a lógica das eleições anteriores: não buscamos a elite da advocacia ou lideranças já consolidadas. Ao contrário, formamos a chapa com advogados atuantes e que, assim como eu, vivem da advocacia. Destaco aqui a advocacia preta, que assumiu a mobilização da campanha. Hoje, ao final da eleição, não temos grupos políticos dentro da chapa, mas sim uma verdadeira família. A campanha ficou leve e prazerosa.

Danniel Costa: “Minha esposa Patrícia Aguiar compreendeu as mudanças em nossa rotina e literalmente vestiu a camisa”

Aparte - O senhor reconhece peso e densidade de figuras mais antigas no escoramento do seu projeto que não estavam na sua chapa?
DAC -
Claro. Em todos os meus discursos eu sempre ressaltei os colegas mais experientes. E num dos últimos compromissos nossos, tive o prazer de encontrar com eles e de reforçar meu compromisso com a advocacia sênior. À frente da campanha, tive advogados e advogadas que foram como pais e mães para mim, me aconselhando e até me dando algumas broncas (risos), mas tudo para o meu bem. Deixo aqui o meu agradecimento especial a todos eles, sendo justo citar os nomes de Carlos Augusto Monteiro, Rose Morais, André Vieira, Lúcio Fábio, Márcio Conrado, Evânio Moura e Marcos D´Avilla, que confiaram em mim desde o começo e entenderam que era o momento da mudança.

Aparte - Quais são as chances de as propostas do seu programa de campanha fazerem água, baterem fofo, nos próximos três anos?
DAC -
Eu nem penso nisso, acredite. Temos um plano de ações viáveis porque ele foi construído junto com a advocacia. Pela primeira vez na história da OAB, fizemos fóruns, reuniões para colher essas demandas e transformá-las em um plano possível de ser cumprido, e não meramente promessas eleitoreiras. Nosso objetivo é sim cumprir todas elas, e a advocacia pode cobrar isso. Eu, Letícia, minha vice, e Marília, presidente da Caase, não vamos decepcionar a advocacia sergipana, independentemente de quem votou na Chapa 2.

Aparte - Nessa geografia de direita e de esquerda com a qual se mapeia o Brasil hoje, onde o senhor se situa?
DAC -
Não tenho lado político quando falo da Ordem. Em vários momentos tentaram politizar a eleição, mas eu sempre reforcei que minha principal bandeira é a advocacia e o Estado Democrático de Direitos. Voltaremos a ter uma OAB ativa e participativa dos grandes debates, independentemente de a qual lado desagradar, porque não tenho compromisso com partido ou liderança política. Meu compromisso é com a advocacia e a sociedade.

Aparte - O senhor tem que informes da sanidade financeira e administrativa da OAB de Sergipe sob atual gestão?
DAC -
Infelizmente não tenho informe nenhum. Não temos um Portal da Transparência. E o que diz ser um, mostra apenas balancetes financeiros que nada expõem. Essa será uma das primeiras medidas: alimentar o Portal da Transparência de verdade, seguindo a legislação, e buscar informações concretas sobre as finanças da Ordem, para criar uma Comissão de Revisão da Anuidade. No que estiver dentro das condições financeiras da instituição, de forma responsável e transparente, iremos reduzir o valor da anuidade.

Danniel Costa olhou no fundo dos olhos de advocacia de todas as idades, mas os jovens o encararam com devoção

Aparte - O senhor vai propor uma ação de transição até janeiro?
DAC -
Acredito que esse deve ser um gesto natural da atual gestão. Vamos aguardar e ficaremos disponíveis para fazer essa transição da melhor forma possível, sem prejuízos à continuidade dos serviços da Ordem.  

Aparte - Que conceito lhe restou de Inácio Krauss enquanto oponente na disputa?
DAC
- Restara-me os conceitos de integridade e de civilidade. Fez seu papel de um presidente na prestação dos serviços à advocacia durante seu mandato. Lógico que toda a disputa há momentos mais acirrados, mas isso faz parte do jogo. Eu também sempre busquei criticar a gestão e nunca parti para as questões pessoais, como, por exemplo, a constante nomeação de membros de comissão em pleno período eleitoral. Acredito que tanto a postura dele quanto a da nossa chapa contribuíram para um processo democrático que permitiu a escolha livre e soberana da advocacia pelo melhor nome. Agora, terminado o processo eleitoral, estaremos abraçando a todos e todas. Nunca tratamos os colegas como números. Ao contrário, procuramos entendê-los como pessoas e profissionais, e esse será o foco da nossa gestão.

Aparte - Mas, em síntese, o que esperar de Danniel Costa como presidente da OAB?
DAC -
O mesmo que foi visto durante a campanha: um gestor com pulso firme, determinado e focado no trabalho. Sempre serei acessível e estarei ao lado da advocacia. Afinal sou atuante e continuarei sentindo de perto as necessidades da classe. Jamais esquecerei da minha simplicidade, humildade e do bom humor junto aos colegas. Durante a campanha, por diversas vezes, falei para advogados e advogadas: “Vamos fazer isso juntos”. Cumpri meu papel, ganhamos a eleição e, agora, chegou o momento de colocar em prática tudo o que foi idealizado para a gestão.

Aparte - Gratidão seria, então, o seu sentimento nesse momento?
DAC -
Sim: gratidão. A todos que acreditaram no meu potencial, principalmente porque o começo foi muito difícil, mas pude mostrar que é possível acreditar num sonho e tornar realidade. Eu sonhei com a chance de lutar pela advocacia e esse sonho agora se transformou na nobre oportunidade de fazer o bem. Também agradeço aos membros da chapa que jamais mediram esforços para lutar em torno dessa eleição - aos meus sócios Adalício Morbeck, Ruy Penalva, Ricardo Almeida, Laira Andrade, Ramon Cavalcante e Dulciana Porto, que assumiram a condução dos processos no escritório e me incentivaram desde o começo. A minha esposa Patrícia Aguiar, que compreendeu as mudanças necessárias em nossa rotina e, nos últimos dias, literalmente “vestiu a camisa” para colaborar de forma decisiva. Aos diversos amigos, amigas, autoridades, enfim, todos que torceram e acreditaram na mudança. Foram dias incríveis que permearam o sentimento de esperança e de pertencimento. Passamos por momentos emocionantes que jamais serão esquecidos. Suamos, choramos e vivemos intensamente cada dia e, depois de tanto esforço, mostramos que vale a pena acreditar. Tudo é possível!

 

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