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Derrota na OAB não tem nada a ver com embaraços para Henri Clay em disputa eleitorais futuras

Henri Clay Andrade: nada a ver lincar um fato a outro

Geralmente, fim de eleição é sempre um momento recheado de abusos no campo das previsões envolvendo derrotados e vitoriosos.

Por vezes, e geralmente, os derrotados são postos no centro de muitas análises constrangedoras, como se a perda de um pleito qualquer o inutilizasse para outras demandas políticas e eleitorais pro resto da vida.

E, ao fim do resultado da eleição da última terça-feira, para a escolha de um novo comando para a Ordem dos Advogados do Brasil, secção de Sergipe, o que não faltou foram pessoas e observações querendo pregar o advogado Henri Clay Andrade na cruz do derrotismo.

Numa cruz de dificultações de vir a ser ele algo ou alguma coisa na disputa eleitoral do ano que vem, quando, filiado ao PSOL, intenciona disputar algum mandato.

Ora, vê na derrota do grupo de Henri Clay Andrade um embargo ao projeto político dele no ano que vem é uma doce sandice. Uma bobagem pra lá de bobinha.

Por que? Primeiro, porque Henri Clay não estava disputando nada na terça-feira. Segundo, mesmo que ele estivesse no lugar de Inácio Krauss, o derrotado, a eleição de terça não teria e nem terá nada a ver com a de outubro do ano que vem. Os objetivos são outros.

E depois tem outra coisa: a OAB é uma entidade de classe socialmente muito importante, mas não tem lá poderes políticos para eleger ninguém ao Governo do Estado, ao Senado, à Câmara Federal ou para a Alese.  

Mas o mais importante nem está nem nessas fundamentações fatalistas e circunstanciais. O mais importante está em outras fundamentações, que os altos e baixos momentos históricos cansam de esfregar na cara das pessoas.

Quer uns desses momentos, leitor? Jackson Barreto perde as eleições de governador em 1994 e de senador em 1998, levanta, sacode a poeira e vira governador do Estado por duas vezes.

Uma vez, pela fatalidade da morte Marcelo Déda, em 2 de dezembro de 2013, de quem ele era vice-governador, e a outra com a reeleição em 2014.

Do próprio Marcelo Déda, vem um fatalismo também trágico: se elege deputado estadual em 1986 com 33 mil votos e perde a reeleição em 1990, quatro anos depois, ao obter minguados 3.300 votos.

Ora, mas coube a Déda levar para o outro lado da vida a primazia de ter sido o único sergipano eleito em primeiro turno duas vezes governador de Sergipe - isso em 2006 e 2010, com a segundo sendo uma reeleição. E daí?

O deputado federal de dois mandatos seguidos - 2014 e 2018 -   Fábio Mitidieri está aí virado numa lambreta querendo ser o governador de Sergipe em 2022, depois de ter perdido uma reeleição de vereador de Aracaju em 2012.

Portanto, ao ver seu grupo perder a eleição da Ordem na terça-feira Henri Clay não deve ser tido como habilitado ao derrotismo na luta política eleitoral dessas que passam por partidos políticos. Muito pelo contrário.

O sucesso ou o fracasso eleitoral dele vai depender de outras circunstâncias. De composições políticas, de alinhamentos. E sobretudo dos desejos coletivos da hora exata em que ele se submeter ao crivo popular. O resto é firula e carência de boa observação.

 

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