Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Deputado João Marcelo: “O povo pode contar com o Legislativo, e devemos atuar em prol do cidadão”
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João Marcelo: muito inserido no contexto do Legislativo, apesar do pouco tempo

João Marcelo Montarroyos Leite. Este nome é novo na atividade política e na idade. Ele vai fazer 37 anos no próximo dia 11 de abril e está deputado estadual com apenas 71 dias - assumiu no dia 1º de janeiro como suplente na vaga deixada pelo deputado Dilson de Agripino, que se elegera prefeito da cidade de Tobias Barreto.

Ele é bacharel em Direito, pecuarista, casado com Carla Morais, pai de Vitória e assina apenas como João Marcelo, deixando os pomposos Montarroyos e Leite de fora. É filho do desembargador Alberto Romeu Gouveia Leite e da médica pediatra Carmen Lúcia Montarroyos Leite.

Apesar da chegada meio anônima na Alese, marcada por uma pandemia, João Marcelo é novo, sim, mas não é de tudo um neófito. Um desconhecido.

Em 2012, ele disputou a eleição de Nossa Senhora das Dores na condição de candidato a vice-prefeito de Fernando Lima, PDT, e foram eleitos. Com a cassação do mandato de Fernando, ele terminou como prefeito nos anos de 2015 e 2016.

Em 2018, João Marcelo encarou uma candidatura à Alese, o que lhe valeu uma segunda suplência e o mandato que vai até 31 de dezembro de 2022.

É atento, observador, leva o que faz muitíssimo a sério e acredita que pode fazer muito pelo Estado e pelas pessoas tendo a Alese como plataforma. Sobretudo pelos mais necessitados.

“O povo precisa entender que pode contar com o Poder Legislativo e nós, deputados, devemos atuar em prol do cidadão. Para encontrar soluções, podemos buscar as parcerias com o Governo do Estado, com os demais parlamentares”, diz ele.

A propósito dos 71 dias do mandato dele, a Coluna Aparte bateu um papo seguro com João Marcelo Montarroyos Leite, e é o que vai a seguir.  

Aparte - Que lições o senhor tirou destes 71 dias no parlamento estadual?
João Marcelo
- Tirei a lição de que o deputado precisa ter consciência de que ele é um legítimo representante do povo e, se tiver força de vontade, vai encontrar o que fazer pelos cidadãos todos os dias. Além disso, vi a necessidade de atender as pessoas, de ouvir, orientar ou ainda ser informado da situação para que a gente leve ao conhecimento das autoridades que possam resolver, ou ainda a outros colegas que se somam para encontrar uma solução. Nesse caso, a Assembleia, desde que eu cheguei, tem trabalhado muito em parceria. Os parlamentares se somam na resolução das demandas. Isso é muito positivo. Esta solidariedade dos colegas para que eu me sentisse à vontade foi importante nestes 71 dias. Tanto que hoje eu não me sinto mais um novato. Já me sinto parte do Legislativo e, em condição de igualdade, posso discutir todos os assuntos de interesse dos sergipanos, especialmente dos mais necessitados. Essas são as principais lições deste período. 

Aparte - O que é possível fazer pelas comunidades sergipanas tendo a Alese como plataforma?
João Marcelo -
 Como eu disse anteriormente, os deputados estão na Assembleia Legislativa como representantes legítimos da população. Então é possível, desde que a gente tenha força de vontade para buscar informações, visitar as comunidades para dialogar com a população e tomar conhecimento dos problemas e, a partir daí, ir em busca dos meios necessários para atender aos anseios. E para encontrar soluções, podemos buscar as parcerias com o Governo do Estado, com os demais parlamentares. O povo precisa entender que pode contar com o Poder Legislativo e nós, deputados, devemos atuar em prol do cidadão. 

 

João Marcelo, ao lado de Nena, prefeita de Monte Alegre, visita o superintendente do DER

Aparte - Chegado em janeiro ao mandato e em tão pouco tempo o senhor teve condições de apresentar emendas impositivas ao orçamento do Estado para ajudar algum município de Sergipe em 2021?
João Marcelo -
 Assim que assumimos o mandato, buscamos informações sobre as emendas. No final do ano passado, o deputado Dilson de Agripino já as tinha destinado. Porém, como chegamos em janeiro deste ano e as emendas serão destinadas a partir de agora, nada mais justo que eu possa indicá-las. Portanto, irei buscar a Mesa Diretora da Assembleia para que possa garantir este meu direito e, então, dizer para onde irei destiná-las.

Aparte - O que mais lhe incomoda em estar deputado sob as condições impostas por uma pandemia?
João Marcelo - 
Em primeiro lugar, é o fato de representar a população e ainda não ter um nível de informação confiável sobre o vírus para que a gente possa agir de maneira mais correta. Desde o início da pandemia as informações são sempre desencontradas. A gente busca estudar, mas o vírus teima em modificar e surgem novas variantes. Com isso, não sabemos efetivamente trazer respostas para os cidadãos, mas nos colocando à disposição já fazemos nossa parte, especialmente para atender as pessoas mais necessitadas. Também é um desafio maior, imposto pela pandemia, estas sessões virtuais. A partir do momento em que as discussões que precisam ser mais acaloradas e concentradas no plenário eu estarei ainda mais satisfeito por estar na Assembleia. Isso tudo não é nada comparado à possibilidade de estar próximo das pessoas que gosto, visitando as comunidades e conhecendo melhor o Estado do qual o povo me escolheu para que eu fosse representante. Portanto, são justamente estas limitações que incomodam, principalmente em relação ao contato com os sergipanos. Mas tenho fé em Deus que estamos mais próximos de vencer esta pandemia.

Aparte - Obviamente, o senhor vai tentar a reeleição no ano que vem. Até que ponto este mandato de dois anos lhe ajudará nesta intenção?
João Marcelo -
 Estando no mandato, é mesmo natural que eu seja colocado como candidato à reeleição. Contudo, não podemos falar em obviedades na política, uma vez que esta não é uma ciência exata. Entendo que antes de qualquer coisa é preciso construir diariamente uma possível candidatura à reeleição. Até o dia do registro, é preciso estar preparado para isso. Nestes dois anos de mandato, represento a população sergipana pela campanha e condição de elegibilidade da eleição passada. Agora, eu preciso desempenhar as minhas atividades de modo que a possibilidade de candidatura nas próximas eleições seja viabilizada. Por isso, trabalho cada dia buscando cumprir os meus deveres enquanto parlamentar em prol dos sergipanos, especialmente daqueles que dependem do poder público. No momento, esta é a maior preocupação, ampliada diante do cenário pandêmico que estamos vivendo. 

Aparte - Em 2018, o senhor obteve apenas 8.790 votos para chegar uma segunda suplência e acessar o mandato este ano. O que lhe leva a achar que ano que vem o senhor melhora a performance?
João Marcelo - 
Eu não diria apenas, pois considero relevantes esses 8.790 votos que recebi de sergipanos que confiaram em meu trabalho. Até porque, vale lembrar que mesmo sendo conhecido apenas em Dores e região e estando em um partido pequeno, fiquei na suplência e hoje estou deputado com a oportunidade de fazer com que Sergipe conheça melhor a nossa capacidade e o perfil de atuação. A partir do momento que eu chego na Casa com pés no chão e fazendo o bem sem olhar a quem, eu terei condição de ser um deputado mais bem votado nas próximas eleições que eu venha a disputar. Mas isso quem decide é o povo, que vai julgar o trabalho que eu espero estar fazendo da maneira correta. Participo assiduamente das sessões, apresento indicações, projetos e cobro, sempre que necessário, o Executivo, sempre apontando caminhos. 

Em visita aos diretores da Diretoria Regional de Educação-5, em busca de conhecer as necessidades

Aparte - Falando em buscar caminhos para problemas enfrentados pelo Estado, o senhor anunciou que está atuando no sentido de atrair uma nova indústria para Sergipe. Como assim?
João Marcelo - 
Exatamente. Sei do momento difícil pelo qual passa nossa economia e os índices de desemprego. Por isso, ao invés de apenas falar, eu vou em busca de possíveis soluções. Recentemente, estive no Estado de Goiás visitando uma grande indústria de milho e soja, a Caramuru, e, com base em informações passadas pela Codise, demonstrei os potenciais do nosso Estado. O Nordeste é quem mais consome os produtos da empresa e, atualmente, os caminhões precisam buscar os produtos nas fábricas do Centro-Oeste, percorrendo grandes distâncias. Com o aval do Governo de Sergipe, conversamos com a Diretoria da empresa e tratamos da possibilidade de instalação de uma unidade em uma região estratégica em nosso Estado, mais precisamente em Nossa Senhora das Dores, que é o portal do sertão. Uma região que corresponde a quase 80% da produção de milho em Sergipe, que por sua vez é o segundo maior produtor de grãos do Nordeste. De modo que será feito um estudo para que seja viabilizada a vinda desta indústria para nosso Estado, o que vai gerar emprego e renda para nossa gente. Essa é minha forma de atuar, apontando os problemas, mas indicando e buscando as soluções. 

Aparte - Com 2.648 votos em Nossa Senhora das Dores, o senhor obteve 19,15% dos votos válidos dali. Isso coloca seu mandato muito mais a serviço de Dores que de outros municípios?
João Marcelo -
 É natural que, por ser filho do município, eu dê uma atenção especial e diferenciada a Nossa Senhora das Dores e a municípios da região, que estavam carentes de uma liderança. Por isso, tenho plena consciência de que preciso trabalhar muito para atender as demandas regionais dali. Porém, nossa atuação tem sido no sentido de fazer a diferença também nos demais municípios sergipanos. Tanto é que já recebemos e estamos lutando por demandas de outros municípios, a exemplo de Aracaju, Monte Alegre, São Cristóvão. E, reitero: estou à disposição dos 75 municípios do nosso Estado pois, enquanto deputado, sou um representante de todos os sergipanos.   

Aparte - O que lhe restou de positivo da sua experiência como prefeito por um período no final da gestão de 2013 a 2016?
João Marcelo -
 É importante a experiência obtida na passagem pelo Executivo porque a gente aprende a cuidar melhor das pessoas, estando mais próximo para compreender mais de perto as necessidades. Quando nós chegamos na Alese, apesar das atividades serem um pouco diferentes, tratamos também de assuntos ligados à coisa pública e de temas ligados aos cidadãos. Neste caso, a experiência baseada nos índices que alcançamos enquanto prefeito de Nossa Senhora das Dores, foi ainda mais importante. Eu tenho mais experiência, por exemplo, do que fazer para melhorar a Educação, a Saúde, a Assistência Social e tantas outras áreas. Neste sentido, enquanto parlamentar, atuamos para que leis sejam criadas com o intuito de atender às demandas do Estado e dos cidadãos.

Aparte - Por que o senhor não disputou a Prefeitura de Dores no ano passado?
João Marcelo -
 Entendo que a política surge como consequência. Eu tenho outras atividades e assuntos da minha vida particular, incluindo a família. A política é importante, mas é preciso que seja feita com a cabeça tranquila, com o pé no chão e responsabilidade. Por isso que eu disse que não existe obviedade na política, pois esta funciona como uma nuvem, ou seja, muda muito rápido. O cenário político, em qualquer nível, muda muito rápido. Na última eleição em Dores, não me sentia à vontade e focado para ser um candidato a prefeito. Por isso, decidi não entrar pessoalmente na disputa, mas não ficamos de fora do processo eleitoral. Conseguimos emplacar o nome de minha mãe como vice-prefeita. Sempre estarei preparado para minha gente de Dores, mas esperando o melhor momento para ser candidato e, com o apoio dos dorenses, assumir a gestão. 

Aparte – O senhor tem projeto de disputá-la em 2024?
João Marcelo -
 Ainda é cedo para cravar qualquer pretensão a esse respeito. O que posso afirmar é que sempre estarei preparado para defender o meu município, mas não preciso estar em um cargo específico para fazer isso. Continuo trabalhando com firmeza e lealdade, visando o presente para que esteja condicionado no futuro a disputar uma reeleição de deputado estadual ou uma eleição para outro mandato, inclusive de prefeito de Nossa Senhora das Dores. Amo a minha cidade e minha gente, tenho zelo com a coisa pública e sou um ser político por natureza. Serei candidato sempre que entender ser o momento certo.

 

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