Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Dom João José desmente a venda da sede-centro do Arquidiocesano ao Hapvida
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Dom João José Costa: “Quem trouxer uma proposta boa, a gente com certeza bate o martelo”

Dom João José Costa, arcebispo metropolitano de Aracaju e diretor-geral do Colégio Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus, desmentiu nesta quinta-feira, 29 de julho, com exclusividade para a Coluna Aparte, que a Arquidiocesano de Aracaju tenha vendido a sede desta escola para a rede de hospitais Hapvida, de origem cearense e implantada aqui nos espaços que serviram de sede ao Hospital São Domingos Sávio, na rua de Itabaiana.

Bem mais do que isso. Dom João José Costa sustentou que o quarteirão-sede do Arquidiocesano, situado à rua Dom José Tomaz, 194, São José, centro da capital sergipana, não será jamais vendido. O boato da venda da sede do Arqui ao Hapvida circulou esta semana com insistência em alguns portais dados à prática de fake news e abastecidos por jornalistas órfãos de boas fontes de informação e preguiçosos frente a uma melhor apuração de dados.  

“O Hapvida não está comprando a sede do Arquidiocesano. O quarteirão inteiro está à disposição para alguel. As empresas que se interessarem em alugar vão encontar na gente disposição para o diálogo. Mas vender, não. Não há nada entabulado com o Hapvida para compra e venda e não sei de onde vem essa boataria. Só sei que não tem nenhum diálogo nesse sentido. Tudo que poderá haver agora, com quem se interessar, é no campo do aluguel”, disse Dom João José Costa, sem muito rodeio e indo direto ao ponto.

“O Colégio Master comprou a Farolândia e vai investir lá em educação no mesmo espírito da Escola Arqui. Mas até o final do ano as atividades do Arqui do centro de Aracaju vão ser encerradas e a partir de 2022 o prédio já deve ser alugado para alguma empresa que tenha interesse. Já tem aparecido até algumas propostas, porque ali é um lugar bom e referencial, quer seja para escola e até mesmo para hospital”, diz o líder religioso da Igreja Católica Apostólica Romana em Sergipe, a quem pertence o patrimônio físico do Colégio Arqui.

“Mas eu reforço à sociedade sergipana e aos pais de alunos do Arqui que ali não será vendido. Será alugado e não estamos fechados com ninguém ainda. Quem trouxer uma proposta boa, a gente com certeza bate o martelo - quer seja hospital, quer seja escola, quer seja um centro comercial, porque ali é uma estrutura muito grande e boa”, informa o bispo.

Sobre o espaço físico da rua Dom José Tomaz, Dom João José Costa diz mais. “É uma quadra inteira - ali tem o estacionamento na esquina, em frente ao Hapvida, e duas casas que também são da Diocese. Assim como a Igreja Nossa Senhora Menina - tudo ali é da Arquidiocese. O quadrado todo”.

Segundo a versão dada por Dom João José Costa, entre as propostas de aluguel acenadas para a sede do centro não entra nenhuma do Grupo Master, adquirente da sede da Farolândia. “Nem sei se eles vão querer alugar, porque o nosso acordo foi feito em torno do outro imóvel, o da Farolândia”, diz o religioso.

O empresário Jorge Mitidieri, sócio majoritário do Master, confirma a versão de Dom João José Costa. Mas não fecha os olhos para o peso e a importância do quarteirão do Arquidiocesano no centro de Aracaju.

“Não é o momento de a gente conversar sobre aquele prédio, mas vai chegar o instante de falarmos. Eu tenho o maior interesse em fazer alguma coisa por aquela sede. Tem muita coisa que se pode fazer pela manutenção daquele prédio. Pode ser, por exemplo, uma Faculdade de Medicina. Devo dizer, no entanto, que não tivemos nenhuma conversa com eles, nenhuma proposta, sobre o futuro dali. Mas dentro de mim existe um propósito de resgatar aquilo, já que resgatamos a Farolândia, por onde a história do Arquidiocesano vai continuar”, disse Jorge à Coluna Aparte.

“Para o aluguel, nós estamos abertos para qualquer possibilidade de diálogo”, reforça Dom João, admitindo-se feliz com o desfecho do negócio entre o Master e o Arqui na esfera pedagógica. “Nós estávamos com muita dificuldade e isso foi uma bênção”, diz o bispo.

Jorge Mitidieri, Demócrito Diniz e Fernando Monteiro fazem cafuné em Cônego Carvalho: respeito

Essa visão de “bênção” com o negócio acadêmico perpassa até a figura mais importante nos 61 anos de existência do Colégio Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus - o Cônego Carvalho, que o dirigiu na expressa maioria desse tempo e deu-lhe peso, densidade e respeito.

Em reverência à importância do Cônego Carvalho para o Arqui, o trio do Master formado por Jorge Mitidieri, diretor-Geral, Demócrito Diniz, diretor-Pedagógico do Ensino Médio, e Fernando Monteiro, diretor-Pedagógico, foi até a casa do religioso beijar-lhe a mão e informar-lhe do compromisso de manter de pé a obra que ele ajudara a levantar.

Na versão de Jorge Mitidieri, o Cônego Carvalho transitou entre a tristeza de ver o Arqui mudar de mãos e a alegria de vê-lo cair no comando de pessoas que tiveram formação acadêmica na própria instituição, e que foram professores e até dirigentes de áreas internas dele, como Demócrito e Fernando.  

Para fazer um cafuné histórico e devidamente merecido no quase centenário Cônego Carvalho, o novo Arqui promoverá um espaço físico dedicado a ele na futura sede da Farolândia. “Vamos levar todo o memorial do Cônego Carvalho para a base da Farolândia. Já discutimos com o arquiteto a configuração de uma sala especificamente para isso e comunicamos à Igreja e ao próprio Cônego”, avisa Jorge Mitidieri.

O sistema Arqui chegou a ter quatro mil alunos em seu momento áureo. Hoje, são cerca de 830, e esse índice desidratado impacta até na geração de empregos, estando atualmente com cerca de 210 funcionários. Mas algo diz que a partir do ano que vem esse avião alçará voos mais altos e melhores.

Foto 1: Portal Infonet

 

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