Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Dr Robson: “Carira não é mais monopólio de dois grupos políticos”
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Robson Cardoso: “Nós estaremos aqui sempre, apostando no povo de Carira”

Candidato emergente à sucessão do município de Carira no ano passado, o médico Robson Cardoso Araújo Júnior, o Dr Robson, 34 anos, não conseguiu o objetivo ao qual se impunha, que era o de banir da política municipal dali, de uma só vez, dois grupos que se revezam há mais de 50 anos no mando.

Não conseguiu. Ou seja, não conseguiu 100%. Mas se pôs em segundo lugar, perdendo para o grupo de Bosco Machado, ex-prefeito que elegeu o filho e ex-prefeito Diogo Machado, e ganhando para o então prefeito Arodoaldo Chagas, o Negão, que tentava a reeleição.

Ele e Negão ficaram com 6.046 votos, ou 404 a mais do que Diogo. “Esses números dizem que é hora de observar que a cidade de Carira não é mais monopólio de dois grupos políticos. Carira não tem dono mais e isso é uma garantia de animação para o futuro”, anima-se Dr Robson.

Isso, para ele, é uma garantia de que vai seguir a gestão de Diogo de perto e de que em 2024 estará de pé e apostos. “Caso ele não responda bem, vai perder daqui a quatro anos e estarei aqui contribuindo e ajudando a população do mesmo jeito que sempre fiz nos últimos anos como médico e como cidadão” afirma nesta breve entrevista à Coluna Aparte.

Aparte - Além de 2.599 votos a mais, que lhe colocariam um na frente dos 5.642 de Diogo Machado, o que faltou para o senhor ganhar a eleição de Carira no ano passado?
Dr Robson -
Eu acredito que para isso faltou-me um grupo mais consolidado politicamente. Nosso grupo foi formado escassamente com o passar do tempo e ainda assim ocorreu uma pulverização de pessoas no final.

Aparte - No meio da campanha, o senhor chegou a aparecer liderando pesquisas. No que errou para não se manter líder e vencer?
Dr Robson -
O indeferimento da minha candidatura num primeiro momento foi fundamental para que eu não fosse finalmente eleito nesse pleito. A todo momento o grupo opositor, liderado por Diogo e pelo então prefeito Negão, falava intensamente à população que eu não ia aparecer nas urnas. Ou que se eleito, não assumiria.

Aparte - E isso impactou?
Dr Robson -
Sim, e muito. A ação de marketing deles foi bem feita e deixou o carirense meio confuso. Mas não era uma verdade e, como todo Sergipe viu, fui candidato normalmente e tive os votos computados em meu nome.

Aparte - Mas não houve também, da parte do senhor, a perigosa sensação do já-ganhou de véspera?
Dr Robson -
Não houve essa sensação do já-ganhou. Eu vi, sim, foi uma união de Bosco Machado e de Gabriel Chagas, filho do prefeito Negão e oponentes entre si, contra a minha candidatura.

Aparte - Mas por que isso?
Dr Robson -
Eles não queria que eu vencesse, pois sabiam que os ciclos políticos deles poderiam acabar ali. Mesmo assim, fui o segundo colocado, apesar da ação unida contra a minha pessoa.

Aparte - Que tipo de autocrítica o senhor faz à sua postura de candidato na exposição das intenções e objetivos?
Dr Robson -
Eu apostei sempre na mudança e acredito que isso ainda vai acontecer, inevitavelmente. Nós estaremos aqui sempre, apostando no povo de Carira. Mas a minha autocrítica é a de que preciso me organizar mais, fazer um grupo mais sólido, com mais tempo - porque todos nós éramos muito novos naquele processo. Eu preciso rever várias pessoas que agora veem a necessidade de um agrupamento maior de mudança - há muita gente pensando nisso, principalmente do lado de Negão 

Aparte - Faltou-lhe apoio de lideranças do Republicanos na hora h?
Dr Robson -
Acredito que faltou um pouco de lideranças do Republicanos e também de outros setores. Infelizmente, fiquei sozinho na hora H. Mas isso não foi fundamental para que não obtivesse êxito no meu projeto. 

Aparte - Então qual foi o motivo?
Dr Robson -
O que havia era toda uma estrutura política contra a nossa candidatura. Mas eu sempre soube que aquele meu trabalho político ali, de desbancar dois grupos com mais de 50 anos de mando, não seria fácil. Que eu poderia não vencer.

Aparte - O senhor não acha que visualizou demais o prefeito Negão, que terminou em terceiro lugar, e deixou Diogo Machado muito livre?
Dr Robson -
Não. Acredito que Negão sabia que não podia ser candidato e que sua candidatura não iria para frente com o indeferimento dele, caso ganhasse. Diferentemente do meu indeferimento, que tinha solução jurídica fácil. O que ele fez foi apenas manter o nome para impedir que seu grupo migrasse naturalmente para mim e consequentemente vencêssemos a eleição. Negão não fez campanha - estava doente e com risco de morrer. Qual seria o motivo para continuar com sua campanha? Eu respondo: a união de Bosco Machado, o pai de Diogo, e Gabriel Chagas, o filho dele.

Aparte - O senhor continua pensando na política municipal e eleitoral de Carira para 2024?
Dr Robson -
Sim, porque eu acredito muito no povo de Carira. Estaremos atentos e cobrando para que o povo de Carira seja respeitado. E continuo acreditando que posso vir a ser um novo quadro de mudanças e poderei, sim, me candidatar novamente em 2024.

Aparte - Qual o perfil dos 3.044 eleitores que preferiram o senhor?
Dr Robson
- É um perfil de homens e de mulheres de bem que continuam querendo mudança para Carira. Que querem ver a cidade realmente mudar. Até 2020, ninguém nunca havia imaginado que surgiria um grupo forte possível para disputar com esses grupos tão consolidados em Carira. E eu estava ali. 

Aparte - Juntando as votações do senhor e de Negão, 6.046 votos, Diogo Machado não é o prefeito da maioria dos carirenses. Isso lhe anima no projeto futuro?
Dr Robson -
Sim, porque esses números dizem que é hora de observar que a cidade de Carira não é mais monopólio de dois grupos políticos. É agora de vários. Carira não tem dono mais, e isso é uma garantia de animação para o futuro.

Aparte - Que futuro o senhor espera para a cidade de Carira mais uma vez sob a gestão da família Machado?
Dr Robson -
Não há como negar que o povo de Carira deu mais uma oportunidade à família Machado. Espero que o prefeito mostre que está à altura dessa confiança e desejo sorte para o Diogo. Que ele leve em conta que o carirense lhe deu essa nova oportunidade e que faça algo pelas pessoas e pela cidade. Que ajude o povo de Carira. Caso ele não responda bem a essa oportunidade, vai perder daqui a quatro anos, e estarei aqui contribuindo e ajudando a população do mesmo jeito que sempre fiz nos últimos anos como médico e como cidadão.

 

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Carleon Almeida
Vejo que a política,nos traz surpresas, a cada ano de eleições o povo deixa uma sucessão de governantes,isso mostra que o povo confia,que sugava democracia