Aparte
OPINIÃO - Brasil é exemplo mundial na preservação ambiental frente ao agronegócio

A preocupação com o impacto da ação humana ao meio ambiente ganhou relevância central.

[*] Manoel Moacir Costa Macêdo
[**] Márcio Rogers Melo de Almeida

O século XX trouxe revoluções tecnológicas que aceleraram as mudanças nas formas de produção, valores, códigos e interações sociais. No bojo dessas profundas modificações, a preocupação com o impacto da ação humana ao meio ambiente ganhou relevância central.

A capacidade humana de desequilibrar ecossistemas, modifica a velocidade natural de adaptação dos organismos vivos às transformações geradas nos seus habitats, e visso causa impactos irreversíveis e destrutivos à natureza. Quiçá uma referência histórica da supremacia do Homo sapiens

Um marco dessa transição a nível mundial foi a “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano”, realizada em Estocolmo, em 1972, que produziu o que podemos chamar de “Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente”.

Com a institucionalização global da temática ambiental, rapidamente se espalharam pelo mundo fóruns com a missão de refletir, planejar e materializar ações de proteção ao meio ambiente.

Com o passar dos anos, essas reflexões ultrapassaram o espaço exclusivo dos ambientalistas para a agenda principal dos encontros de líderes mundiais. No Brasil, essa relevância está simbolizada na Carta Magna de 1988, que traz no seu Capítulo VI - Do Meio Ambiente -, artigo 225 a afirmação: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Uma conquista que nos colocou no contexto das nações civilizadas na problemática ambiental.

Em relação à produção de alimentos, uso e ocupação do solo, e sua associação com a temática ambiental, discussões calorosas têm sido levadas a cabo. As ideias se centralizam na oposição entre os cuidados com o meio ambiente e o modus operandi dos sistemas de produção da chamada moderna agricultura.

Criou-se no imaginário social um estigma associado ao termo agronegócio. Esse setor seria sinônimo de atraso ambiental e social, devastador da flora e da fauna, numa perspectiva predatória e irresponsável. A carência de estatísticas e de números agregados que mostrassem acuradamente a realidade, ajudou a consolidar essa imagem.

Esse rótulo tem a capacidade de encobertar avanços científicos e inovações que poupam a terra, diminuem o sofrimento da mão-de-obra, preservam o meio ambiente e estão a serviço da vida e da produção de alimentos. Uma missão para a paz. No entanto, não podemos permitir os mecanismos que agridem os elementares princípios da civilização, a exemplo do trabalho escravo e da contaminação ambiental irresponsável.

Nessa discussão, a grande novidade surgiu com os dados apresentados recentemente, a partir de uma análise de grande envergadura coordenada pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa Gestão Territorial.

Segundo o trabalho, dos 850.280.588 hectares do território brasileiro, 11% são de áreas de vegetação nativa em propriedades rurais, como as de Reserva Legal – RL - e de Áreas de Proteção Permanente – APPs -; 17% são de vegetação nativa em unidades de conservação; 13% são de vegetação nativa em terras indígenas e 20% de vegetação nativa em terras devolutas, relevos e águas interiores. Totalizando 61% de vegetação nativa preservada em todo o território brasileiro.

Calculou-se que a área ocupada com agricultura abrange 7,8% do território nacional, totalizando 65.913.738 hectares. Esse estudo foi apresentado em fóruns mundiais com forte responsabilidade ambiental. Coincidentemente, e a contrariar as desconfianças nacionais em relação aos dados apresentados pela Embrapa, a típica “síndrome de vira-lata” que nos acomete com certa frequência, o relatório publicado pela Agência Espacial Norte-Americana –Nasa - confirma os resultados do grupo de trabalho da Embrapa.

As informações levantadas posicionam o Brasil em outro patamar de responsabilidade ambiental, sobretudo quando comparamos as áreas agrícolas de diversos países. Na União Europeia, o uso da área agrícola ocupada nos países membros está entre 45% e 65% do total dos seus territórios; na China, 17,7%; na Índia, 60,5%; e nos Estados Unidos, 18,3%.

Isso constitui um panorama completamente diferente em relação ao que nos habituamos a escutar. O Brasil deve olhar os seus parceiros com altivez quando acusado de irresponsabilidade ambiental. É certo que não devemos fechar os olhos sobre a pressão contínua para o uso de biomas e ecossistemas que devem ser preservados.

Os recordes de produtividade em grãos, a liderança mundial na produção em diversas culturas alimentares e a importância como celeiro mundial, mostram que a modernização da agricultura nacional baseada em ciência é motivo de orgulho para os brasileiros, suporte para a manutenção de programas sociais relevantes e moeda de troca nas complexas relações diplomáticas na arena global.

[*] É engenheiro agrônomo, bacharel em Direito e chefe-geral da Embrapa Tabuleiros Costeiros
[**] É economista e analista em Gestão Estratégica.