Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Ex-senador Valadares diz que “não pendurou as chuteiras” da política e agora se acha o “Vavazão amor e paz”
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Antônio Carlos Valadares: “Pouco importa a idade. As ideias são o que valem” 

O ex-senador sergipano por três mandatos Antônio Carlos Valadares, PSB, que tem 78 anos - a mesma idade do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden -, disse nesta quarta-feira à Coluna Aparte que não pendurou as chuteiras da atividade política, garantiu que pode encampar alguma candidatura no ano que vem, mas advertiu que não está siderado - ansioso - para decidir desde já o que disputará.

“Eu não estou preocupado com os que me impulsionam a me candidatar, desde já, a algum mandato em 2022. Tenho reagido com o seguinte argumento: “90% da sociedade sergipana me conhece e no dia em que eu resolver ser um candidato, só terei que apresentar um projeto político convincente ao público e jogar papeis e propaganda nas ruas, porque dinheiro não tenho. De modo que não tenho essa preocupação de estar dizendo desde agora “ah, eu serei candidato a isso e àquilo”. Eu nunca declarei que serei candidato a deputado estadual. Isso é o pessoal lá de Simão Dias que fica me incentivando a essa possibilidade. Vou esperar os acontecimentos para o que convém”, afirma o ex-governador sergipano de um único mandato.  

“O que tenho dito é que sou um homem público, gosto de sê-lo, e ainda não pendurei as minhas chuteiras. Estou em plena atividade intelectual, minha mente está funcionando bem, a lei me permite que eu seja candidato, tenho elegibilidade garantida - graças a Deus não tenho nenhum embargo de justiça, se eu nunca tive, por que é que teria agora? Sou ficha limpa. Posso ser candidato a qualquer mandato”, reforça Valadares, que já foi também deputado estadual e federal.

Para Antônio Carlos Valadares, nem seria prudente, ou elegante, projetar-se numa pré-candidatura desde já. “Eu não tenho prazos. Eu vou aguardar os acontecimentos políticos, porque inclusive estamos em construção de uma aliança com Rogério Carvalho e não posso e nem devo me antecipar aos fatos - até para deixá-lo à vontade e não dizerem que a gente está colocando o carro adiante dos bois. Tem que se ter paciência”, reforça.

Fora do poder há quase dois anos e numa visão mais blasé de si mesmo, Antônio Carlos Valadares se declara mais leve politicamente. “Hoje eu sou o Vavazão amor e paz. Se Lula é o paz e amor, eu sou o amor e paz. Uma emissora de rádio me consultou outro dia sobre o desejo de Jackson Barreto ser candidato a senador em 2022. Eu disse: “ora, se ele tem vontade de ser, qual o problema? Ele tem legitimidade. Jackson Barreto pode ser candidato a senador, a lei lhe permite””, respondera Valadares.

E aqui Antônio Carlos Valadares traz o tema da idade para o centro do debate político. “Não é a idade dele que vai ser um freio ao desejo de Jackson. Eu senti que quem me consultou se admirou com a minha resposta. Oxente, tantas vezes Jackson já falou bem de mim! E eu estou mesmo naquela fase do Valadares amor e paz”, disse. Jackson Barreto está com 77 anos.

“Pouco importa a idade. As ideias são o que valem e são como as sementes de uma árvore. Se você semeia boas ideias, tem uma árvore frondosa para ajudar a muita gente. Veja o Biden e a idade dele. Faz 79 anos agora em novembro e é um sujeito fantástico. Você pode enterrar um sujeito, politicamente falando, através do voto quando ele não tem ideais, quando não tem projetos, não tem vontade de trabalhar e não tem passado. Quando ele é ladrão”, diz.

“Tenho usado o argumento de que você forma médico, advogado, enfermeiro, engenheiro, mas você não forma políticos. Político só recebe um diploma quando se elege, mas a experiência na área ele só adquire com a idade e com os exercícios de mandatos com dignidade”, pontua o também ex-prefeito de Simão Dias.

Antônio Carlos Valadares faz reflexões sérias sobre a enrascada em que ele e o filho Valadares Filho se meteram em 2018, indo para uma campanha majoritária sozinhos e isolados - ele ao Senado e o filho, ao Governo do Estado -, quando ambos naufragaram.

“Na eleição passada eu fui sozinho e os votos que recebi são meus, porque não fiz aliança. Aliás, fomos eu e Valadares Filho sozinhos. E sem dinheiro. Hoje eu sei que não vale a pena ir sozinho numa candidatura majoritária - nem para governador e nem para senador. Porque milagres aqui dificilmente acontecem”, diz.

É daí que ele acha que a costura para o Governo de Sergipe com o pré-candidato Rogério Carvalho, PT,  fará bem ao seu grupo e sobretudo à tentativa de Valadares Filho retomar a Câmara Federal, onde esteve por três mandatos obtidos em 2006, 2010 e 2014.

“Eu acho que Valadares Filho tem tudo para voltar ao cenário de Brasília. Desde já descarto uma disputa de deputado federal, porque já tem aí Valadares Filho e isso é uma decisão da Executiva Nacional do PSB - e ele é um bom candidato. Ele está se virando e está trabalhando para montar uma chapa viável, e eu ajudando naquilo que posso. Não é fácil, porque rodos os partidos estão sofrendo o impacto da interrupção das alianças proporcionais. Eu acho que o PSB precisa de 120 mil votos, mas o objetivo é colocar muitos candidatos para atingir isso daí, e creio que a partir de 45 mil votos dá para um candidato nesse contexto se eleger”, diz o Vavazão, que agora se quer de amor e paz.

 

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