Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Fábio Henrique foi a maior tragédia dessas eleições, e Padre Inaldo ajudou nisso
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Fábio Henrique: um futuro sob brumas

Estas eleições municipais de 2020 em Sergipe, que sequer se encerraram, posto que falta decidir quem será o prefeito ou a prefeita de Aracaju, operaram algumas surpresas e infundiram algumas tragédias, decepções e descompassos em políticos.

Algumas delas podem estar simbolizadas na derrota que o governador Belivaldo Chagas e o prefeito de Simão Dias, Marival Santana, sofreram com o candidato deles, Aloízio Viana, para Cristiano Viana e os Valadares.

Podem vir do arrastão que Gilson Andrade, em reeleição, fez contra Márcio Souza e a tradição de Ivan Leite e Carlos Magno reunida em Estância.

Podem estar na derrota dos Reis pelos Ribeiro, simbolizado na figura de Gustinho Ribeiro sozinho, ou na incapacidade de o velho cacique Jackson Barreto em eleger seu sobrinho de afeição Everton Souza, PDT, vereador Aracaju, restado com apenas 2.298 votos.

Mas a maior das tragédias da sucessão municipal desse ano se operou sobre a figura do deputado federal Fábio Henrique de Carvalho, PDT.

Solitário, desgarrado de grupos e de boas companhias políticas, Fábio amealhou para ele e para o irmão Adilson Jr de Fábio Henrique um dobrado terceiro lugar nas duas sucessões das quais participaram - a de Nossa Senhora do Socorro, com ele, e a de São Cristóvão, com o mano.

Isso tudo seguido de algumas diabruras e desarranjos estranhos. De São Cristóvão, Fábio incutiu no seu Jr que saísse de uma relação com o prefeito Marcos Santana, de quem era vice, para bancar uma candidatura, e o fez dizendo as do fim contra Santana.

De Nossa Senhora do Socorro, o próprio Fábio atazanou às escâncaras. Armou armadilhas estranhas para o prefeito Padre Inaldo, de quem queria tomar o mandato a fórceps, interditou na justiça eleitoral divulgação de pesquisas nas quais o Padre aparecia liderando e na sexta-feira 13, a dois do dia das eleições, ele conseguiu dar publicidade a uma pesquisa na qual vencia a Inaldo por 12 pontos percentuais de frente.

Mas no frigir dos ovos do dia 15, a extrema ironia: Fábio Henrique ficou em terceiro lugar e atrás de Inaldo com 3,81 pontos percentuais de desvantagem. Ou seja: como Fabão apregoara que estava 12 pontos na frente e chega 3,81 pontos atrás, é como se o erro dele representasse quase 16 pontos.

Um erro que o deixou atrás do candidato Dr Samuel, o deputado estadual do Cidandia. Ok: por apenas a filigrana de 105 votos. Mas em terceiro. Samuel teve 24.018 votos - 29,23% dos válidos - e Fábio, 23.918 – 29,10%.

Acossado pelos dois, Inaldo Luis da Silva obteve 27.042 votos - e isso são 32,91% do total dos válidos. Esse total corresponde a 3.024 a mais do que a votação de Samuel e 3.129 do que a de Fábio Henrique.

A votação de Inaldo Luis da Silva simboliza a força política e eleitoral dele e do ex-prefeito José Franco juntos, que foi seu parceiro e entrou com o filho Manelito Franco como candidato a vice-prefeito. Mas, obviamente, Inaldo não teria tido sucesso eleitoral se não tivesse uma gestão a ser considerada e avaliada pelos socorrenses.  

Não é que Fábio Henrique de Carvalho, tendo deixado de ser prefeito de Socorro em 2016 - foi sucedido pelo mesmo Inaldo que se reelege agora - não tivesse direito de tentar retornar. Tinha e tem. É da democracia.

Mas é que Fábio jogou nesta sucessão de Socorro e na de São Cristóvão foram as inabilidades que tem construído ao longo de sua curta carreira de vereador de Aracaju, de dois mandatos de prefeito e um mandato de federal arranjado na rebarba de 2018.  

Isso pode lhe custar o futuro. Fábio Henrique vai se constituindo, pela dissimulação e pela falta de palavra que o caracteriza, um político sem confiança, sem grupo e, logo, solitário. E político solitário tem carreira curta. Voo de galinha.

Em 2016, Fábio Henrique fechou acordo para somar-se com a chapa de João Alves à reeleição de Aracaju, sumiu e 24 horas depois apareceu em entrevista já indicando a esposa Sílvia Fontes candidata a vice-prefeita na chapa de Valadares Filho.

Repreendido por assessores de João ao telefone no aeroporto de Aracaju, enquanto embarcava para os Estados Unidos, Fábio disse que não se esquentassem, porque candidato a vice é algo passivo de mudança, de troca.

Em 2018, na montagem da composição da chapa para disputar o Governo do Estado, todo o Sergipe viu como Fábio cozinhou Belivaldo Chagas, de quem era secretário de Turismo, e depois o deixou a ver navios e foi somar com Valadares Filho, em cujo grupo disputou o mandato de federal e elegeu-se com minguados 35.226 – o derradeiro entre os oito.

De modo que todos os atos políticos de Fábio Henrique apontam para uma perenidade dessa tragédia que se abateu sobre ele e seu mano Jr nessa eleição.

Essa falta de adensamento dele a grupos fortes e os atos nada confiáveis dele - veja que começou com Zé Franco, mas a Zé Franco não se liga mais –, vão aos poucos lhe limando da lista dos novos políticos de futuro a suceder uma geração que vai pendurando a chuteira, como João Alves, Albano Franco, Jackson Barreto, Maria do Carmo, entre outros.

E essa é a maior das tragédias que pode se abater sobre alguém que gosta da atividade política, que parecia ter por ela uma certa afeição e que é jovem demais para desintegrar.

 

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