Aparte
Festa do Carro de Bois faz Tomar do Geru vibrar

Carros e carreiros: uma festa que é Patrimônio Imaterial e Cultural do Estado

Aparte – Qual é o significado da festa do Carro de Bois para o município de Tomar do Geru?
Pedrinho de Balbino – Esta festa é de um grande significado, porque através dela nós preservamos uma cultura que ainda é viva no município, onde há famílias que ainda sobrevivem do trabalho com o carro de bois. Com esta festa, nós tentamos resgatar e mostrar a Sergipe e ao Brasil que a coisa cultural tem que ser preservada. A sociedade se envolve de uma maneira muito bonita, com as escolas, as famílias, os carreiros e os chamadores. A cidade vibra.

Aparte – Há uma disputa por premiação?
PB – Não. Mas já houve período em que havia uma disputa do melhor nome, dos bois mais bonitos. Mas isso inibia as pessoas que tinham boizinhos mais feios. Entendemos que isso estava servindo como desestímulo a uma parte da sociedade, e paramos.

Aparte – Houve interrupção deste evento durante estes 26 anos?
PB – Houve em um só ano.

Aparte – Em decorrência de que?
PB – De segurança. De crise.

Aparte – O senhor está aqui na SSP para falar com o secretário João Eloy de Menezes. Que tipo de segurança uma festa dessa requer?
PB – Ela é uma festa que reúne de 10 a 12 mil pessoas e exige um nível de segurança muito grande. No dia 23, por exemplo, nós teremos algumas bandas locais e durante o dia 24 teremos aquilo que eu chamo de um banho de cultura, com apresentações de grupos folclóricos, aboiadores, repentistas. Teremos um desfile folclórico à tarde, após o desfile dos carros de bois, e à noite, forró.

Aparte – Ela é uma festa de sexta, sábado e domingo?
PB – Já foi assim. Depois passou a ser só de sábado e domingo. Hoje está só de domingo e agora nós estamos tentando retornar aos dois dias. Isso, em virtude das dificuldades que o município enfrenta, se o Ministério da Cultura liberar os recursos de apoio.

Aparte – Quem fundou esta festa?
PB – Fomos nós, um grupo de amigos, exatamente no dia 28 de julho de 1990.

Aparte – Ela já faz parte do calendário turístico do Estado de Sergipe?
PB – Ela já fez parte. Depois, por um descuido, houve a retirada. Mas há dois anos o deputado Gilson Andrade apresentou um projeto de lei na Assembleia e ela hoje é Patrimônio Imaterial e Cultural do Estado.

Aparte – Além de culturais, ela deixa resultados econômicos, prefeito?
PB – Deixa, e muito. Nela, há um envolvimento de toda a sociedade. O comércio ganha muito. É uma grande festa, e a esperada de todo o ano.

Aparte – Não lhe parece estranho que num tempo moderno, o seu município ainda preserve o carro de bois.
PB – É um pouco estranho, mas é gostoso.

Aparte – Preserva só por causa da festa ou por estar incorporado à realidade econômica?
PB – O carro de bois está incorporado à realidade econômica de Tomar do Geru, mas hoje a grande maioria o tem pela festa. As pessoas mantêm o carro de bois pela festa. E isso é bom também.

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