Aparte
OPINIÃO: Cristinápolis, a cidade do já foi

Ian Souza: dedicação à pesquisa sobre a decadência de Cristinápolis

 [*] Ian Souza​

Cristinápolis já foi cenário de destaque na política de Sergipe e, há décadas, parou no tempo. Ela já foi chamada de a Chapada dos Índios, ganhou o nome da Imperatriz do Brasil, Dona Tereza Cristina, e vai morrendo aos poucos.

O município de Cristinápolis, que teve grande relevância na política de Sergipe, está abandonado. Com o Fórum Eleitoral arriscado a fechar e um dos dois postos fiscais abandonado e fechado. Cristinápolis é uma fronteira sem segurança e a grande e longa fase que os cristinapolitanos passam é a do desemprego. A cidade não tem nenhuma indústria e os jovens abandonam sua terra por falta de oportunidades.

A cidade de Cristinápolis, terra de índios poderosos, de refúgio de escravos e indígenas, já teve 32 engenhos de cana-de-açúcar e duas cerâmicas. Muitos são os seus filhos, do passado, que marcaram a política local estadual e nacional. Firmino Alves, filho desta terra, fundou Itabuna, uma das principais cidades do Sul da Bahia. Ele chegou, mais tarde, ao Executivo desta que é a terra de Jorge Amado e hoje é nome de uma cidade, também no sul baiano.

Monsenhor Olímpio Campos, filho de Itabaianinha, se ordenou padre antes da idade permitida. Ao completar 24 anos, em 1978, foi ordenado padre da Freguesia de São Francisco de Assis da Chapada. Já em 1880 foi transferido para a Igreja de Santo Antônio do Aracaju, e em 1882 vira deputado provincial, onde ocupou a cadeira por várias vezes.

Depois deputado federal, mais tarde senador, presidente da Província de Sergipe (governador), Olímpio Campos e foi destaque nacional o grupo olimpista, fazendo o irmão Guilherme Campos governador por duas vezes. Olímpio Morreu no cargo

Coronel Otávio de Souza Leite foi líder do governador general Oliveira Valadão, mas antes disso o seu filho, Otávio, Bernardino José de Souza, aos 12 anos foi levado pelo pai para a capital baiana para estudar em uma escola modelo. Bernardino fundou a Faculdade de Direito da Bahia e o Instituto Histórico e Geográfico da Bahia. Ele foi o autor do Dicionário Terra da Gente do Brasil, diplomata, professor catedrático de diplomacia e faleceu como ministro do Tribunal de Contas da União.

Benjamin de Carvalho foi deputado estadual e trouxe vários recursos para sua cidade natal. Oséias Cavalcante Batista fora deputado por quatro vezes e ainda prefeito de Itabaianinha. Leonardo Gomes de Carvalho Leite, primeiro advogado da Sergipe, teve propriedades em Cristinápolis, e chegou a ser senador baiano. Seu neto, Leonardo Neto, trabalhou anos no Senado, no Distrito Federal.

Dois filhos do ex-prefeito Epaminondas Reis, trabalharam no TSF. Capitão Dantas fundou a cidade de Cumbe, Bahia. João César de Oliveira Leite, médico e farmacêutico, erradicou a febre amarela, fundou o Tiro de Guerra, a Escola Normal, vários jornais e a Cruz Vermelha. Ele nasceu em Cristinápolis em 1894 e fundou o hospital de Manhuaçu, em Minas Gerais.

O jornalista Homer Monte Alegre, começou escrever aos 14 anos, trabalhou e criou vários jornais no Rio de Janeiro. Francisco Souza Fontes, João Fontes de Faria e o Otávio de Souza Leite foram desembargadores filhos da terra. Frei Paulo também já esteve aqui em 1966, quando veio reconstruir a matriz franciscana. Antônio Conselheiro construiu o Cemitério Católico da cidade em 1895.

O município tantos engenhos de açúcar no passado e de duas cerâmicas, tem hoje 20 mil habitantes sem nenhum outro meio empregatício a não ser a Prefeitura e os sítios de laranja. Enquanto cidades muito pequenas e sem renda tem como empregar, a primeira cidade sergipana cortada pela BR-101 está na berlinda.

[*] Tem 19 anos, é estudante
de História na Faculdade
Estácio de Sá e
pesquisador da área.

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