Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Governistas veem a imagem de JB “boa”, e Belivaldo crescendo
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Jackson Barreto: imagem melhor que a do próprio Governo

A lógica é: “o diabo não é tão feio quanto pintam”. No final de junho, o governador Jackson Barreto disse a esta coluna que agosto seria um mês demarcador do processo de sua própria sucessão. Ou seja: que ele e seu grupo tentariam fechar este mês com definições bem adiantadas de pré-candidaturas.

Isso implicaria definir o nome que disputará o Governo, decidir se ele próprio deixará o mandato para enfrentar uma eleição de Senado, as alianças e, sobretudo, como está a imagem do Governo no imaginário do povo para um referendo a tudo isso.

Hoje são 15, restam portanto 16 dias para agosto ir embora, mas no dia 5 deste mês, o sábado antepassado, JB e meia dúzia de seletos conselheiros, incluindo aí Belivaldo Chagas, realizaram em Palácio uma importante reunião em torno de uma macro pesquisa de cunho político, eleitoral e administrativa, e começaram a jogar luzes sobre o processo.

A primeira constatação foi a de que, como base nos índices analisados da pesquisa, “o governo não estão tão feio quanto pintam os membros da oposição”. Mais do que não estar feio, estaria dentro dos índices confortáveis para colocar um projeto de eleição na rua com chances de sagrar-se vitorioso.

A síntese seria a seguinte: o sergipano consultado pela pesquisa estaria reconhecendo o momento de dificuldade pelo qual passa o Estado de Sergipe, mas indisposto a faturar estas dificuldades como uma ocorrência meramente local. Ou seja: sabe associar o que se passa em Sergipe com o que vem do Brasil inteiro, e abstrair a culpa meramente sergipana.

“O que todos apuramos dessa reunião é que o diabo não é tão feio quanto pintam. A gente sabe que a oposição vem com um discurso da decadência, do caos. Só que a gente não tinha isso cientificamente. E não é o que dizem”, afirmou, em off, uma das figuras da reunião. Os dados elementares que brotaram da análise são esses:

1 – Existe um sentimento forte de compreensão em uma parte significativa da sociedade de que o governador Jackson Barreto e o governo dele estão passando por uma crise, mas separam a pessoa do govenador da do Governo em si.

2 – Os sergipanos sabem ler o significado de um arsenal de pequenas, mas significativas, obras que permeia Sergipe quase inteiro, ao ponto de confundir a Governo do Estado com uma espécie de Prefeitura Estadual. E acham isso positivo. Uma espécie de “em tempo de crise, também se faz”.

3 – Constatou-se que tem um pouco mais de 30%, ou quase 40%, que não aceitam realmente o Governo, porque gostam regiamente da oposição. Mas, em contrapartida, em torno de 60% da sociedade entendem e outra parcela inclusive apoia.

4 – Certificou-se que a salário do servidor em atraso e a má conservação das estradas e rodagens do Estado berram alto contra a imagem do Governo.

5 – Aferiu-se que as figuras públicas do senador Antônio Carlos Valadares e do governador Jackson Barreto rivalizam pelas duas vagas de Senado num grau de polarização que não sobraria para ninguém – com Rogério Carvalho, PT, inclusive, tendo uma performance muito fraca.

6 – E concluiu-se que o nome de Belivaldo Chagas teria entrado num vácuo de crescimento que o viabilizaria como um candidato de boa competividade.

Na conversa que manteve com esta coluna Aparte em 27 de junho, JB disse que pesquisas, dali para frente, seriam seu norte firme e forte para decidir os rumos da sucessão. Faria muitas, e qualitativas, sobretudo. A que apareceu no dia 5 teria sido a primeira? Possivelmente.

O leitor deve estar se perguntando: mas nesse arsenal de análises não entrou a preocupação com os dados do Anuário Socioeconômico da UFS, que apontou um naufrágio desenvolvimentista do Estado? Não entrou. A reunião não teve esta finalidade.

Mas não quer dizer que JB esteja de olhos fechados para a realidade saltada do Anuário Socioeconômico. Ele já deu comandos para que setores do Estado corram atrás de uma reparação daquilo que a UFS apontou.

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