Aparte
Opinião - Pensar Sergipe é pensar grande. Em 2022 o eleitor não pode vacilar

[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

Quem fala, esquece. Quem sofre, lembra. A cada eleição, os políticos prometem soluções para todos os problemas que o país, os Estados e municípios passam - dos mais simples aos mais complexos.
Infelizmente, muitos eleitores ainda dão crédito à palavra de velhos caciques da política nacional que estão no poder desde o século passado, mas que na prática pouco fizeram de bom para o povo e para o desenvolvimento do Brasil.

Não há como pensar Sergipe sem considerar uma renovação no quadro político dos que administram o Estado desde 1982 quando João Alves Filho foi eleito governador pela primeira vez pelo voto direto.

Esse princípio vale para todas as esferas do Poder Executivo e Legislativo - incluindo principalmente as prefeituras das principais cidades do interior, onde grupos políticos tradicionais comandam os seus destinos há décadas.

Mas as mudanças de comando têm de estar em sintonia com as anseios da sociedade e vislumbrando um futuro melhor para as próximas gerações, que diante do quadro atual vivem sem perspectivas de dias melhores.

Do jeito que está, fica cada vez mais difícil acreditar que o país sairá do fundo do poço. Em termos de credibilidade em relação a esse plantel de políticos - que se dizem nossos representantes -, é como crer em Papai Noel ou em milagres.

O povo está cansado de ouvir promessas e deixou de acreditar em milagres. Quer apenas daqui pra frente contar com políticos honestos e competentes no comando do país, dos Estados e municípios.

Que o único compromisso ao assumir o cargo para os quais foram eleitos, façam valer os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal: a saúde, a educação, a segurança, e antes de tudo, de políticas sociais que sejam capazes de diminuir as desigualdades, o índice de desemprego e medidas urgentes para sanar o drama de milhões de brasileiros que vivem assustados com fantasma da fome rondando a mesa sem saber a quem recorrer.

O sentimento é de total abandono. Com raras exceções, o atual quadro de políticos que compõem o nosso Congresso só pensa em defender seus próprios interesses ou de segmentos que possam lhe beneficiar de alguma forma a se perpetuar no poder.

Mas as eleições do ano que vem servirão de termômetro para saber o que podemos esperar de melhor para o futuro. Uma coisa é certa: sem renovação não há solução.

Se isso não acontecer, eu temo que entraremos num processo de depressão coletiva e a esperança será enterrada de vez. E sem ela, ninguém vence obstáculos, muito menos num país de tamanho continental nas mãos de um Congresso apático aos dramas sociais, e dominado pelas bancadas da bala, do boi e da Bíblia.

Não podemos esquecer que as três juntas tiveram papel importante do impeachment da presidente Dilma Rousseff, PT, em 2016. Hoje, elas representam a base de sustentação do presidente Jair Bolsonaro no Congresso Nacional. Mas o país continua em estado de letargia diante de tantos problemas de ordem  política, econômica e social.

Em Sergipe não é muito diferente. Por aqui, a crise parece não ter fim. O Estado é o movido a empréstimos e caminha a passos de tartaruga rumo ao crescimento. O desemprego continua sendo o maior problema a ser vencido pelos nossos governantes, mas a maioria se mostra incapaz de solucioná-lo. Com a pandemia a situação só se agravou.

É preciso que haja em 2022 uma renovação urgente nas lideranças políticas que há quatro décadas detém o poder e comandam o Estado de Sergipe.

Sem querer desmerecer a trajetória política de cada um deles - todos da velha guarda -, creio que já deram a sua parcela de contribuição e que já passou da hora de vestirem o pijama.

É preciso abrir espaço para novos valores e lideranças, como foi Marcelo Déda -, que quebrou uma hegemonia no comando do Estado, depois de quase 30 anos nas mãos dos Franco e de João Alves Filho. Esse acontecimento foi muito importante para o Estado naquele momento político.

Pensar Sergipe é pensar grande. O ano de 2022 é o momento certo para renovar a esperança e o quadro político de nossos representantes, tanto em Brasília quanto em Sergipe. Lembre-se disso.

[*] É administrador de Empresas, Policial Rodoviário Federal aposentado, escritor e colaborador efetivo do portal JLPolítica.

 

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