Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Jerônimo Reis: “Um município do porte de Lagarto não comporta gestores tapados”
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Jerônimo Reis: “O povo só quer os mentirosos, os ladrões e os manhosos”

O ex-prefeito de dois mandatos do município de Lagarto, ex-vice-prefeito, ex-deputado estadual e federal Jerônimo Reis, MDB, 65 anos, disse à Coluna Aparte nesta sexta-feira, 30 de julho, que esta que é a maior cidade do interior de Sergipe tem sido tocada em mais de uma década “por administradores tapados”.

E para Jerônimo Reis, isso é algo “inadmissível e insuportável” para o futuro de Lagarto e dos lagartenses. “Lagarto não merece gestores tapados em termos de administração pública”, afirma Jerônimo. Ele se admite “triste” com o destino administrativo recente do município. “Lagarto está uma cidade grande, desorganizada e bagunçada”, diz, prefixando 110 mil habitantes - o IBGE fala em 105.221, tomando por base o ano de 2020.

“O sofrimento do povo de Lagarto é muito grande. São muitos anos com um povo na Prefeitura da cidade só pensando em fazer o que o PT fez, e mais nada. Não fazem mais nada. Chegam na eleição com uma ruma de dinheiro, ganham o poder e depois o povo que se acabe”, diz. Para Jerônimo, a tradução de “fazer o que o PT fez” é roubar. Ele tem o PT e Luiz Inácio Lula da Silva em péssimos conceitos.

Jerônimo Reis se elegeu prefeito de Lagarto em 1996 e se reelegeu 2000, tendo a Zezé Rocha como vice-prefeito. Antes, havia sido vice. Em 2002, ele renunciou ao mandato de prefeito para disputar uma vaga de senador, deixando o vice Zezé no seu lugar. Perdeu a eleição. Em 2004, Zezé se reelegeu. Em 2008, Valmir Monteiro se fez prefeito de Lagarto contra eles. Mas em 2012, os Reis e os Rocha retomaram o poder com Lila Fraga.

Quando atribui a condição de “gestores tapados”, Jerônimo Reis faz a contagem a partir de 2009, início da era “administrativa” de Valmir Monteiro, e bota Lila Fraga, eleito em 2012 pelo seu grupo, no mesmo pacote de desapreço.   

“Isso inclui a todos dessas últimas quatro gestões, e aí está incluso o nome de Lila. Tem sido todos uns tapados. O Lila pode até ser gente de bem - e é um homem sério -, mas tem uma visão administrativa tapada. E é preciso dizer com todas as letras: um município do porte de Lagarto não comporta gestores tapados, e nem ninguém esperava isso dele, porque Lila é um bom administrador no seu comércio, mas, infelizmente, visão administrativa na coisa pública ele não teve”, diz Jerônimo.

“Portanto, me refiro a Lila e a todos os demais. Nesses três ou quatro últimos mandatos, Lagarto não teve gestores que apresentassem uma visão futurista, responsável, e esse período cobre Valmir Monteiro (2009-2012), Lila Fraga (2013-2016), Valmir de novo (2017-2019), Hilda Ribeiro (2019-2020) e depois Hilda, (2021) que continua. Esses gestores todos não corresponderam à expectativa da população de Lagarto em termos de uma administração pública que pense no futuro e no progresso social. Pode ter havido entre eles gente boa, como é o caso de Lila, mas gestão pública não teve e, o pior, não tem”, afirma.

Jerônimo Reis evoca o tempo em que ele e Zezé Rocha administraram, para reforçar que ali Lagarto vicejou e prosperou social e economicamente. “Há mais de 20 anos, quando a família Reis administrava Lagarto juntamente com Zezé Rocha, entregamos um município que dava de 10 a zero em Itabaiana, administrativamente falando. Hoje, nós lagartenses perdemos de 20 a zero para Itabaiana”, diz ele.

“Nós tínhamos visão administrativa pública. Eu posso até ser um péssimo comerciante, mas na questão pública tenho visão. Artur Reis, meu pai, teve visão. Não tenho nada contra o progresso de Itabaiana e dos itabaianenses. Que aquela cidade e seu povo cresçam, mas que Lagarto não pare e nem retroceda”, diz Jerônimo. Itabaiana tem nove mil habitantes a menos do que Lagarto - são 105 mil contra 96 mil.

Mas qual seria a solução para Lagarto vir à tona e prosperar novamente? “A solução é um gestor que preste, que olhe para a cidade com olhos futuristas, com olhos desenvolvimentistas. Nos últimos 15 anos faltou isso. Lagarto não teve, nesse período, um administrador que apresentasse uma visão administrativa. Uma visão progressista”, diz Jerônimo.

“Mas acho que Lagarto só voltará a ter uma boa visão de administração pública quando o povo, o eleitorado, entender que precisa tirar de cena esses políticos que não têm visão futurista. Que não olham a cidade com os olhos que merecem e exigem um município de 110 mil habitantes. Mas o povo é culpado, porque é ele quem tem escolhido esse tipo de condutor. Lagarto merece gente mais responsável, mas o povo só quer os mentirosos, os ladrões e os manhosos”, reforça o ex-prefeito.

“O que eu estou dizendo é que não dá para se tocar uma cidade como Lagarto só se pensando na política. Tem que pensar essencialmente na administração. Primeiro na gestão, depois é que vem a política. A política é apenas um meio de se ganhar espaços para se fazer gestão, e a boa política pensa em gestão”, afirma o ex-prefeito.

 

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