Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 39 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração / Tanuza Oliveira.

Joel Almeida: “É suicídio político PT se coligar com o grupo de Jackson Barreto”
Compartilhar

Joel Almeida: peitando outra banda do PT, de Rogério e Márcio Macedo

O professor Joel Almeida, 48 anos, conselheiro estadual de educação e ex-presidente do Sintese, é titular da rede estadual de Sergipe há 27 anos. Ele nunca exerceu um mandato público e agora em 2018 se joga, pela Corrente Articulação de Esquerda, ao lado do pré-candidato ao Governo Rubens Marques de Sousa, o Professor Dudu, na condição de candidato ao Senado.

Para isso, Joel Almeida e sua corrente peitam diretamente a outra banda do PT com Rogério Carvalho e a aliança que esta linha petista defende com o governador Jackson Barreto e o MDB. Joel não faz gracinhas e nem concessões e vai direto na canela.

“Ao meu ver, é um verdadeiro suicídio político o PT se coligar com o grupo político de Jackson Barreto. Rogério, que se apresenta como o candidato do PT a uma vaga na majoritária, está fritado, escanteado, e será o patinho feio do grupo. Os petistas já estão vendo isso, e espero que Rogério tenha juízo”, recomenda Joel.

A respeito de si mesmo, o professor Joel Almeida admite uma visão em perfeita consonância com uma boa autoestima. “Eu só não tenho a grana nem o poder político que os outros pré-candidatos ao Senado têm. Sou um professor que faz luta todo ano pra ter direito à revisão de piso salarial, mas não me sinto desfavorecido em formação intelectual e política em relação a nenhum outro candidato”, diz ele.

Vale a pena conferir este breve bate-papo do professor Joel Almeida com a coluna Aparte realizado na tarde desta terça-feira.

Aparte - O senhor não acha que o projeto de disputa de Senado e Governo da Articulação de Esquerda está meio de fastio?
Joel Almeida -
Não. Temos prazo, e a conjuntura nos abre muitas possibilidades. Ao meu ver, é um verdadeiro suicídio político o PT se coligar com o grupo político de Jackson Barreto. Rogério Carvalho, que se apresenta como o candidato do PT a uma vaga na majoritária, está fritado, escanteado, e será o patinho feio do grupo. Os petistas já estão vendo isso, e espero que Rogério tenha juízo. O PT saindo desse campo, as possibilidades de nossas candidaturas vingarem são reais.

Aparte - O que sua Corrente tem feito visando até as prévias de lançamento?
JA -
Dentro do limite de sermos candidatos às prévias, temos tentando dar visibilidade aos nossos nomes de diversas formas nas redes sociais, nas atividades e manifestações dos trabalhadores na capital e no interior e na pauta sindical, de onde a gente se origina, e na pauta partidária a partir da defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato. Temos a clareza de que após o carnaval iremos intensificar o debate e as ações. Inclusive para este dia 17 de fevereiro, vamos fazer uma mesa redonda sobre os temas prioritários e emergentes do Estado de Sergipe. Para essa mesa redonda, estamos convidando especialistas de cada área. Estamos também marcando para o dia 5 de março um ato em defesa de candidatura própria do PT ao governo.

Aparte - O senhor considera que o modelo interno do PT dará garantia de que a proposta de sua corrente passe?
JA -
Temos a clareza de que hoje somos uma corrente minoritária, mas também acreditamos que os petistas no geral não querem ver o seu partido humilhado, subjugado. Quando isso ocorre, nós nos tomamos de uma força muito grande e a reação vem na mesma proporção. O PT tem história, tem caminhada e, apesar das inúmeras críticas, temos ainda muita credibilidade na população. O nosso sentimento nesse momento é o de que sairemos unificados em torno de um modelo para transformar Sergipe.

Aparte - O senhor pessoalmente teria peso e pulso para segurar uma campanha e um mandato de senador por Sergipe?
JA -
Sergipe tem um histórico de ter eleito um senador originário do movimento sindical, o nosso saudoso Zé Eduardo Dutra, que foi presidente do Sindiminas. José Eduardo foi um grande senador, um grande presidente da Petrobras. Eu só não tenho a grana nem o poder político que os outros pré-candidatos ao Senado têm. Sou um professor que faz luta todo ano pra ter direito à revisão de piso salarial, mas não me sinto desfavorecido em formação intelectual e política em relação a nenhum outro candidato. Aliás, vejo que nessa conjuntura, a população tende a adotar outros critérios na hora do voto. A velha política coronelista e patrimonialista vai sofrer um grande revés nessa eleição.

Aparte - Sem Lula no processo, os espaços petistas não ficam cada vez mais restritos?
JA -
Lula não ficará fora do processo. Lula será candidato. Até se for preso político, porque se a prisão de efetivar, será política. O TSE terá que quebrar todas as regras para o nome de Lula não constar na cédula eleitoral de 2018. Essa eleição será atípica em todos os sentidos. Agora, tenho a clareza de que os grupos políticos opositores tratarão o PT como se Lula não fosse candidato. Mas isso é uma questão pra ser resolvida lá na frente.

Aparte - Eventualmente sem a candidatura do Professor Dudu ao Governo, o senhor se sente um natural eleitor de Belivaldo Chagas ou de quem os governistas apoiarem?
JA -
Não tenho nada pessoal contra Belivaldo Chagas. É um homem cortês. Mas ele representa hoje um grupo saturado na política, marcado por um golpe. Belivaldo se diminuiu como quadro político junto a Jackson Barreto. Em hipótese alguma votarei em candidatura do PMDB ou do núcleo político dos golpistas.

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.