Aparte
Pascoal Nabuco: “as práticas patrimonialistas se mantiveram no poder até no Governo Déda”

Manoel Pascoal Nabuco D’ávila: boa receptividade da sociedade sergipana

Aos 80 anos, Manoel Pascoal Nabuco D’ávila mantém a aura de um homem muito importante na observação da cena política de Sergipe. Há 10 anos desembarcado da magistratura por uma aposentadoria compulsória, esse desembargador mantém-se fiel à promessa de que não se envolveria mais com as labutas da justiça, não abriria escritório de direito e nem seria aquele homem de bastidores tantas vezes secretário de Estado.

Mas ainda cumpriria uma outra: a de escrever livros jogando luzes sobre seu tempo - sobretudo o passado, embora resvale para o presente, sem amarras. E recentemente ele lançou o terceiro, “Visão da política de Sergipe (1946 a 2016) Tudo como Dantes”, no qual faz uma ousada constatação de que neste período o poder público de Sergipe foi dominando por homens com visões patrimonialistas e coronelistas no poder público.

E aí, surpreendentemente, Pascoal Nabuco não salva a pele nem de Seixas Dória e nem Marcelo Déda, tido como dois progressistas neste estirão de tempo. “Seixas sempre foi uma criatura do Leandro Maciel, sempre foi um udenista ranzinza”, diz ele.

“O livro quer deixar evidente que aquelas práticas patrimonialistas, do coronelismo, que eram trazidas, se mantiveram no poder durante todos esses anos, inclusive até o Governo Déda, que, para nós, era uma esperança de que esse ciclo acabasse, uma vez que ele foi o único governador que não era da oligarquia”, diz ele num breve bate-papo com a coluna Aparte - em breve, o JLPolítica trará uma entrevista domingueira com ele.

Aparte - Como foi a noite de lançamento do seu “Visão da Política de Sergipe?” Foi boa, positiva?
Pascoal Nabuco - 
Para mim, foi até uma surpresa. Um dos lançamentos de livro mais concorridos que ocorreram aqui nos últimos tempos. Praticamente, fiquei das 17h às 21h autografando livros. Foram autografados 201 livros.

Aparte - Para alguém que não está no poder, isso é um recorde.
PN -
Eu que já estava fora do poder há tempos, tive essa grande surpresa. E fiquei feliz porque vi muitos amigos ali presentes.

Aparte - Em 230 páginas, é possível contar uma história sintética da política de Sergipe de 1946 a 2016?
PN -
Esse foi um esforço que eu fiz como autor, porque o objetivo não é fazer uma história de Sergipe mais aprofundada e sim mostrar que no Estado sempre houve uma oligarquia agrária e mercantil, e que essa oligarquia é que ditou a política de Sergipe.

Aparte - E chega a que conclusão?
PN
- Então, o livro quer deixar evidente que aquelas práticas patrimonialistas, do coronelismo, que eram trazidas, se mantiveram no poder durante todos esses anos, inclusive até no Governo Déda, que, para nós, era uma esperança de que esse ciclo acabasse, uma vez que ele foi o único governador que não era da oligarquia nem a representava.

Aparte - O senhor não conta Seixas Dória como um outro nesses 70 anos como um  que também que não fosse das da oligarquias?
Aparte
- Não. Porque o Seixas sempre foi uma criatura do Leandro Maciel, sempre foi um udenista ranzinza e, para mim, passa à história como uma pessoa que rompeu uma tradição entre os udenistas, que é o leandrismo. Mas o leandrismo era maior que a UDN. E Seixas foi uma criação dele.

Aparte - O senhor vê alguma semelhança entre Seixas Dória e Marcelo Déda?
PN
- Não. Só na oratória, porque ambos eram bons nisso. Mas o Marcelo, assim como ele, era bem intencionado. E eram sérios. Os dois.

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