Aparte
OPINIÃO: Lampião e Lula: heróis ou bandidos?

Adalberto Vasconcelos Andrade: “na memória dos nordestinos, o cangaceiro continua mais vivo do que nunca. E Lula também”

[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

Lampião e Lula. Ambos pernambucanos – o primeiro, de Serra Talhada; o segundo, de Caetés -, com origem, saga e história parecidas. Pelo menos do ponto de vista de quem os idolatra.

Cada um com seus feitos e efeitos na vida dos seus contemporâneos – aliados, desafetos e admiradores. Para alguns, um bandido; para outros, um herói. Nisso, ambos se parecem.

Mas se voltarmos um pouco no tempo, veremos que há outras semelhanças na forma de pensar e de agir desses dois personagens.

Lampião iniciou no cangaço aos 21 anos. Em 1969, com 24 anos, Lula deu seus primeiros passos como líder sindical. Ambos, predestinados a entrar para a história como líderes carismáticos e estrategistas.

Lampião, no comando do seu bando, conseguiu ludibriar a volante – a força policial da época – por quase 20 anos. Foi um grande estrategista de guerra.

E engana-se quem subestima a inteligência de Lula. No universo político, ele conhece as manhas e artimanhas do poder. É cobra criada.

Não à toa, em 2003 assumiu o posto de presidente da República, resultado de uma eleição em 2002. É uma jararaca, como o próprio se autodenominou ao ser o alvo principal da 24ª fase da Operação Lava jato.

Mas, assim como Lampião, é também um grande estrategista. A atual “Caravana da Esperança” nada mais é do que uma estratégia do petista para tentar conter o impacto da condenação a sua imagem e a antecipação da campanha eleitoral para 2018.

O Rei do Cangaço chegou a ser chamado “O Robin Hood da Caatinga”, já que há quem diga que ele roubava dos ricos para dar aos pobres.

No governo petista, sob o comando de Lula e de sua sucessora, a Dilma Rousseff, apesar de fomentarem o bolsa família, a corrupção acabou desviando milhões de reais dos cofres públicos e levando consigo o que há de mais sagrado na vida de qualquer cidadão: a esperança.

E nessa hora lembrei-me de um artigo do jornalista Luis Pellegrini publicado na IstoÉ. “Lampião não é herói nem bandido. Apenas um simples brasileiro”. O fato é que na memória dos nordestinos, o cangaceiro continua mais vivo do que nunca. E Lula também.
 
[*] É administrador 
de empresas, 
patrulheiro rodoviário
federal aposentado
e escritor.

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.