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Jackson Barreto diz estar feliz por ter mandado Valadares “ao quinto dos infernos”

Jackson Barreto e Antonio Carlos Valadares: uma carreira de gato e rato que se encerra este ano

Alvo de duas derrotas para o Senado - uma em 1998 e essa agora, em 2018 -, o ex-governador Jackson Barreto, MDB, passa longe de estar triste com o resultado desta eleição, ou de ser um político resignado em casa.

Jackson Barreto levou o resultado bem na esportiva desde a noite de domingo, 7. Aos amigos que lhe visitam ou telefonam, Jackson Barreto não manifesta nenhuma queixa pelo desempenho eleitoral. Ao contrário, tem é feito ironia com a situação e com as quedas dele e do colega de geração, Antonio Calos Valadares, PSB.

A um deles, JB disse o seguinte - e tem repetido a muitos outros: “Eu estou é feliz porque mandei o senador Valadares para o quinto dos infernos e estou mais contente ainda porque sei que Belivaldo Chagas vai mandar o filho dele para o mesmo lugar”.

Se alguém aí foi mandado ao quinto dos infernos, esta Coluna não sabe julgar ou aferir, mas que entre JB e o senador Valadares há um clima de amor e ódio, isso não ninguém pode negar e nem tem dificuldade de captar.

“A alegria de JB” vem, ainda, do fato de ele “ter caído” com bem mais votos do que Valadares. Aliás, 29.522 a mais - ele obteve 204.677 votos e o senador do PSB, 175.155. Isso deixou-os em quarto e quinto lugares, respetivamente, na corrida pelo Senado.

JB admite que, ao longo da sua longa carreira, sentiu o peso “da inveja” à sua pessoa pública por parte de Valadares, com quem esteve em tantas parcerias. A posição de JB foi revelada diante da seguinte pergunta de entrevista do JLPolítica, publicada no dia 8 de setembro: “O senhor admite que haja uma relação de amor e ódio entre a sua pessoa e a do senador Antonio Carlos Valadares?”
 

“Não. Ele é que sempre teve um ciúme e uma inveja muito grandes de Jackson Barreto. Por diversas vezes, ele tentou boicotar uma candidatura minha ao Governo do Estado. Colocou dificuldades para mim lá em 1990. Em 1994, Valadares foi aliado porque era interessante para ele. Em 1998, criou dificuldade e na eleição passada também. Nunca foi uma convivência harmoniosa”, disse JB.  

O senador Valadares, que foi entrevistado uma semana depois, dia 16, também não deixou barato. “Como o senhor encara a visão de Jackson Barreto de que na política o senhor só conjuga o verbo na primeira pessoa do indicativo – eu, eu, eu?”, perguntou-lhe o JLPolítica.

“Isso é um folclore espalhado pelo invejoso e despeitado Jackson Barreto. Ele mesmo foi beneficiado três vezes pela minha boa-fé: teve meu apoio duas vezes para governador e uma vez para vice. Sem meu apoio, ele teria chegado ao governo? Aproveito para pedir de público perdão ao povo sergipano pelo equívoco cometido em apoiá-lo”, respondeu.