Aparte
Cientista social não vê surpresa na condenação de Lula

Josadac Bezerra dos Santos: Lula não é do tipo de se entregar

A manutenção da condenação de Luiz Inácio Lula da Silva, com elevação da pena a 12 anos, feita na quarta-feira pela 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, não deve não deve ser vista como uma surpresa.

Esta tese é defendida pelo cientista social - mestre em Ciências Políticas e doutor em Sociologia - e professor da Universidade Federal de Sergipe, Josadac Bezerra dos Santos, em entrevista domingueira ao portal JLPolítica.

“Acredito que já era esperado. Existia um consenso, de certa forma, de que a tendência do Tribunal seria essa de condenação, pois são raros os casos em que ele se comportou de forma a negar as decisões dos juízes, principalmente os de primeira instância, como Sérgio Moro”, diz Josadac.

Mas o cientista Josadac diz, ao mesmo tempo, que deve ser encarado como natural que o PT e o próprio Lula reajam e não aceitem a condenação, que reafirmem que buscarão direitos e que mantenham a pré-candidatura lulista à Presidência da República.

“É um comportamento que não poderia deixar de ser diferente, porque, objetivamente, ainda tem alguma chance, na medida em que vai recorrer em outros tribunais. Então, essa questão ainda dá para ser administrada”, diz ele.

“Acho que é natural que ele busque (direitos), mas isso não significa que eu entenda que ele é inocente. A culpabilidade, ele deve continuar negando, mas vai caber a quem o acusa a capacidade suficiente para provar que ele é culpado. Sai do ponto de vista jurídico para um político, para com isso chegar à população. Eu acho que Lula é o tipo de vítima que não vai se entregar”, diz o cientista social.

A entrevista com o professor Josadac Bezerra dos Santos estará disponível no JLPolítica a partir das 20h deste sábado, 27.