Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Morte do senador Major Olímpio cala fundo em Alessandro Vieira, que “bateu na trave”
Compartilhar

Alessandro Vieira: gestos cordiais e volta à vida

Cala fundo e por uma série de motivos. Talvez o principal deles venha do fato de que ambos contraíram o coronavírus num mesmo ambiente, numa mesma reunião de trabalho, evoluíram para a Covid-19 e marcharam para internação quase ao mesmo tempo. Entre 1º e 3 de março.

Alessandro deve ter uma ossatura de organismo melhor do que a do colega que partiu - além, de ser mais novo. Olímpio morreu aos 58 anos, beirando os 59. Alessandro fará 46 anos no dia 3 de abril, e isso faz diferença no combo do entre ficar ou partir.

Esse calar fundo, possivelmente tenha para Alessandro Vieira o mesmo significado de duas pessoas que caíssem de um mesmo avião e uma sobrevivesse. É o caso dele. Sobreviveu, alvíssaras. É quando a pessoa que se dá por salva vê que o parceiro de queda não resistiu, zarpou, e constata: ufa, por pouco não fui eu. Vem daí o “bateu na trava” que ele escutou da equipe médica.

Os dois, Olímpio e Alessandro, foram infectados seguramente por uma mesma cêpa do coronavírus bem perigosa e na mesma reunião de trabalho do Grupo Muda Senado da qual participou ainda o senador Lasier Martins, do Podemos do Rio Grande Sul, identicamente infectado e que desenvolveu a Covid-19.

A morte do senador Olímpio também calou fundo no senador sergipano porque ele e o colega paulista eram muito próximos no Senado - sim, por trás daquela carapaça misantropa do casmurro Alessandro Vieira há insumos para desenvolver afetos e amizades.

Aliás, eles dois - Alessandro e Olímpio - têm muitos pontos em comum: são policiais, são de direita, são os mais votados dos seus Estados em 2018, bateram continência para o homicida Jair Messias Bolsonaro e num dado momento ambos admitiriam ruptura com ele.

De modo que o que vazou do íntimo de Alessandro Vieira nesta quinta-feira de luto foi uma tonalidade afetiva bastante positiva. Sentida, no que merece ser referendado. Respeitado.

Veja o que ele disse, na primeira pessoa, em suas mídias sociais. “Muito triste, momento muito duro para cada um de nós. Olímpio morreu lutando na linha de frente, do mesmo jeito guerreiro que sempre viveu. Que Deus console a família. E que o exemplo de coragem arraste. O Brasil está doente e precisa de cada um de nós. #luto”.  

Sim, corretíssimo sua excelência Alessandro Vieira. Humanidade nunca será pieguice e não deve sair de moda. Corretíssima a sua visão de que “o Brasil está doente e precisa de cada um de nós”.

E, por essa mesma linha de humanidade, é preciso dar alvíssaras ao comunicado feito pelo próprio Alessandro, de que o vírus que lhe atacou e que lhe fez um paciente interno de Covid-19 do Sírio Libanês de São Paulo desde o dia 7 de março está indo embora.

Indo embora e lhe deixando vivo e em paz. Ufa! Veja o que o próprio Alessandro disse nessa quinta de hashtag de luto. “Estou em pleno processo de recuperação da Covid, graças a Deus, ao apoio da família, e ao atendimento qualificado de diversos profissionais de saúde de Sergipe e São Paulo. Os médicos da família, responsáveis pelos primeiros encaminhamentos, Dra. Hérika e os Drs. Wilson e Venâncio, me acompanharam em todo este processo”, afirmou ele.

E disse mais: “Os amigos médicos que também somaram neste cuidado, Drs. Eduardo e Rilton e Dra. Jani. A primeira equipe de atendimento de urgência, no Hospital Primavera, sob comando do Dr. Fabrício. E as equipes dos Drs. Kalil e Uip no Hospital Sírio Libanês. Homens e mulheres que prestam um serviço extraordinário para a sociedade”.

“Quero agradecer em especial pelas milhares de mensagens de carinho e pelas orações em favor da minha saúde. Espero em breve poder agradecer a cada um individualmente e retribuir essa bênção com cada vez mais trabalho por Sergipe. Abraços”. Que bom.

A previsão é de que Alessandro receba alta hospitalar nesta sexta-feira, 19, do Sírio Libanês. Sairá estropiado, sim, mas agradecido pela vida que Olímpio não conseguiu preservar.

“A definição resumida dos médicos sobre meu caso é “bateu na trave”. Perdi 11 kg neste processo, ainda tem muito tratamento e fisioterapia para fazer, mas graças a Deus o pior passou. Fui muito bem assistido, desde o primeiro momento. Doença complicada, com evolução muito rápida em alguns casos”, disse ele, em uma outra nota.  

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.