Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 39 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração / Tanuza Oliveira.

Num ato não-republicano, Clovis paga R$ 22 mil de cachê a Agnaldo Timóteo para show privê no TCE
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Clovis Barbosa: qual a reação dele se sua atitude fosse tomada por um prefeito?

Numa análise simples, e a olho nu, dir-se-ia que a gestão do conselheiro Clovis Barbosa à frente do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe tem tido mais virtudes que defeitos. Que ele mesmo, ou próprio, as tem nesta proporção.

E mais virtudes que defeitos, neste país crivado de homens públicos assaltantes do erário e descuidados de toda a sorte, já é uma medida boa. Já seria, para usar um atributo muito custoso no jornalismo, louvável.

E louvável, sim, tem sido a interlocução que Clovis Barbosa busca com os agentes públicos - prefeitos, vereadores, secretários, deputados e o tipo de gestor -, ao adotar a pedagogia do preventivo, da orientação de véspera, do remédio antes das doença, para evitar os erros.

Louvável - vamos lá – tem sido o esforço de Clovis de dotar o TCE de técnicos concursados, em detrimento dos da cordialidade dos cargos em comissão que sempre vicejaram por ali. A assessoria de Cloves informa que, pela primeira vez na história, os CCs constituem-se minoria no corpo funcional do TCE. Que bom que assim seja.

Mas nem tudo é só virtude no modo de ser e de atuar de Cloves Barbosa - e esta coluna não está fazer aqui qualquer alusão às eternas brigas que ele tem comprado com a maioria seus pares, mesmo porque entre eles há alguns de pouca visão da boa coisa pública.

Portanto, a coluna Aparte, eufemismo do seu autor, acha desnecessária, descabida e abusiva a contratação do cantor Agnaldo Timóteo para um show particular dedicado a 30 pessoas que estavam se aposentando compulsoriamente do TCE, numa espécie de Plano de Desligamento Voluntário daquela casa.

Este fato aconteceu na última sexta-feira, dia 16, e teve um custo de R$ 22 mil de cachê para o erário sergipano. Aliás, um custo, admitamos, até modesto para a importância de Agnaldo Timóteo, um pop-star da música cafona do Brasil e dono de um repertório que valeria até mais.

A gravidade do problema está na licenciosidade de Clovis Barbosa diante desse gesto - sim, no serviço público todos são tutelados. Ou não, para fazer jus ao porco ladino da fazenda de George Orwell, no livro  “A Revolução dos Bichos”?

Uma licenciosidade que fala mais alto se for usada uma medida no campo das comparações: o leitor aí seria capaz de intuir qual a reação do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, ou senão do próprio Clovis Barbosa, se um dos 75 prefeitos sergipanos contratasse um Agnaldo qualquer para show de despedida de 30 servidores públicos que estivessem a se desligar compulsoriamente de uma destas prefeituras?

Esta coluna dá-se o luxo do pré-julgamento: deste gestor, seria pedida a cassação pelo Ministério Público sob as palmas do próprio Tribunal de Contas. Sim: se no serviço público todos são tutelados, quem tutelaria Clovis Barbosa num ato como este da contratação de Agnaldo Timóteo? Quem seria o seu santo corregedor?

Seja lá quem for, deve chamá-lo ao feito. Deve dizer-lhe que o gesto dele é imprudente para qualquer gestor em qualquer época, e muito mais para ele, que deve servir de espelho, e para esta quadra de extrema dificuldade de recurso públicos.

E nem valerá aqui o argumento de Clovis, de quem gastou-se R$ 22 mil para celebrar uma economia aí que passaria a dar um alívio de R$ 500 mil mensais aos cofres do Estado.

Porque, repita-se aqui, o que está em jogo é a licenciosidade de um presidente de Tribunal de Contas para decidir fora da caixa, fora do eixo do seu itinerário. Apesar de todo o seu histórico de um homem decente e ético, o que Cloves Barbosa fez neste caso em particular não foi republicano.

 

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