Aparte
Opinião - A relevância da educação em saúde

[*] Richardson Rocha Souza

Segundo a Carta de Ottawa, escrita em 1986, na Primeira Conferência Internacional Sobre Promoção de Saúde, os determinantes e condicionantes de saúde são educação, renda, lazer, habitação, alimentação, trabalho, dentre outros.

Assim, a educação é considerada um elemento-chave para que as ações de saúde se tornem eficazes. Juntando os campos da saúde e da educação, cria-se uma estratégia, que é a educação em saúde, que pode ser denominada como alguma atividade, associada com a construção de conhecimento e aprendizagem, com a finalidade de alcançar saúde.

A educação em saúde é uma importante ferramenta da promoção de saúde, e é considerada uma estratégia de enfrentamento dos problemas das populações. Educar para a saúde é um trabalho que envolve as questões políticas e socioeconômicas, pois a educação é um elemento de transformação social, no qual as ações de educação desenvolvidas para a saúde precisam ressaltar os principais pontos de convergências entre o conhecimento popular e o científico.

Segundo Paulo Freire, os usuários e as coletividades precisam ser partícipes do seu processo saúde-doença, com livre-arbítrio e direito de adotar decisões sobre sua saúde. Portanto, os profissionais devem prestar atenção a este aspecto, uma vez que a obtenção de saberes é relativa e, portanto, o ensinar deve ser dinâmico, de forma que o assunto abordado tenha significado para o receptor. Ou seja, a educação em saúde deve ocorrer de modo crítico, reflexivo e transformador. 

Um dos instrumentos fundamentais para que a educação em saúde ocorra é se fazer disponível para o diálogo, pois, segundo o pensamento freiriano, a educação em saúde se apresenta como um processo, e, de tal forma, este deve ser contínuo. A edificação da aprendizagem deve acontecer na relação falada entre usuário e profissional, procurando nas experiências o ponto de partida da prática educativa.

A educação para a saúde é uma das principais funções do enfermeiro e também do seu campo de atividade, onde é possível que os profissionais de saúde de todos os níveis possam utilizar e abusar da criatividade, inovação e improvisação.

É importante enfatizar a necessidade de se conhecer os diferentes significados e expressões utilizadas por cada comunidade de quem se cuida. Esse aprendizado gerará impacto sobre a Educação em Saúde e traz substância para as práticas de cuidado com uma população. Incontestavelmente, as ações adquiridas para o cuidado são concretizadas através da confiança e do vínculo constituído entre usuários e profissionais.

Estes aspectos são considerados imperativos no desenvolvimento da prática educativa participativa, acatando os princípios educativos, ou seja, as pessoas devem assumir cuidado, e se tornarem capazes de trocar opiniões e ideias sobre suas práticas, como meio de legitimar, afeiçoar ou alterar medidas aceitáveis e benéficas de cuidados à saúde.

O processo de realização de educação em saúde submerge três atores principais: a população, que precisa edificar seus conhecimentos e acrescer sua autonomia nos cuidados, nos âmbitos individuais e coletivamente; os profissionais de saúde, que apreciam a promoção da saúde e prevenção de agravos tanto quanto as práticas curativas; e os gestores, que devem dar apoio aos profissionais.

Ainda que o conceito do Ministério da Saúde exiba informações que implicam essa relação entre os três atores das estratégias empregadas para o desenvolvimento desse processo, ainda existe grande distância entre teoria e prática.

E, assim, um movimento internacional para aumentar a consciência sobre a condição humana, em relação ao bem-estar, a promoção da saúde se torna ainda mais relevante, incluindo um ambiente propício e a política pública mais consistente e integrada, ambiente biológico físico e seu impacto na saúde humana, pois os resultados dessas interações podem afetar a qualidade de vida e desenvolvimento pessoal. 

Na prática, as ações educativas têm o intuito de sensibilizar e/ou conscientizar as pessoas quanto aos cuidados das questões de saúde e, ainda, a obtenção de ações que podem prevenir que as pessoas fiquem doentes. É imperativo destacar que as ações de prevenção são mais benéficas do que as curativas, em questões econômicas e assistenciais, uma vez que elas reduzem o número de pacientes que procuram os serviços de alta complexidade, que são mais caros e, muitas vezes, menos efetivos.

REFERÊNCIAS:

FERREIRA, C.P.; MEIRELES, R.M.S. Elaboração de atividade lúdica relacionada ao tema água e saúde com a metodologia participativa. 2010. Disponível em: http://abrapecnet.org.br/atas_enpec/vienpec/CR2/p233.pdf. Acesso em: 5 out. 2020.

WHO; UNICEF. Progress on sanitation and drinking–water, 2014.

FREIRE, P. Educação e mudança. 22. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 36ª ed. São Paulo: Paz e Terra; 1996.

SOUZA, C.L.; ANDRADE, C.S. Saúde, meio ambiente e território: uma discussão necessária na formação em saúde. Ciência & Saúde Coletiva. V. 19, n. 10, 2014.

FALKENBERG, M.B. et al. Educação em saúde e educação na saúde: conceitos e implicações para a saúde coletiva. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 19, n.3, p. 847-852, Mar. 2014 . Disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 81232014000300847&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 7 out. 2020.

GUIMARÃES, F.T., Educação Ambiental como domínio da promoção da saúde: conversações pedagógicas no âmbito da estratégia de saúde da família. Anais do 12º Congresso Internacional da Rede Unida, 2015. Suplemento Revista Saúde em Redes ISSN 2446-4813 v.2 n.1, 2016. Disponível em http://conferencia2016.redeunida.org.br/ocs/index.php/congresso/2016/paper/view/1758. Acesso em: 21 out. 2020.

[*] É licenciado em Pedagogia, especializado em Gestão Estratégica de RH e em Gestão de Vigilância Sanitária, especializando em Psicopedagogia Institucional e Clínica e graduando no 10º período do curso de Enfermagem da UniAGES – Centro Universitário – Paripiranga, Bahia.

 

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