Aparte
Opinião - Março chegou ao fim e o Governo Bolsonaro também

[*] Rômulo Rodrigues

Já há uma certeza no começo do mês de abri: o governo Bolsonaro acabou em março. O País está sem comando e a família presidencial procura uma saída de como escapar da prisão.

O Brasil registrou mais mortes até o triste dia 31 de março do que a soma dos outros dez países onde mais morreram pessoas, com o governo negando a entrada de 20 milhões de vacinas fabricadas na Índia.

O dia primeiro de abril chegou com uma tripla ofensiva pela deposição do já defenestrado presidente. Manchetes na blogosfera indicam que três frentes bem articuladas estão botando o bloco do impeachment nas ruas.

As fileiras estão sendo comandadas pelo general Rêgo Barros, porta-voz dos militares que acham que a associação ao governo desgasta as Forças Armadas, o senador Tasso Jereissati, porta-voz da elite empresarial, e o porta-voz da família Marinho, o jornalista de O Globo, Merval Pereira.

Nos estertores do movimento bolsonarista de glorificação do golpe militar de 31 de março de 1964, a ordem do dia do general Braga Neto como ministro da Defesa foi desmoralizada internacionalmente pelo artigo do escritor Paulo Coelho, no jornal Washington Post, lá de onde a ordem do golpe foi dada.

Um detalhe que chama a atenção, como de praxe: a família Marinho, dando uma no cravo e outra na ferradura, está impondo censura nos seus telejornais sobre os temas rachadinhas e o R$ 1,8 bilhão repassados pelo doleiro dos doleiros Dario Messer, onde há sinais de que no obscuro caso da Panamá Papper, sobre o condomínio do triplex, no Guarujá, São Paulo, tem as marcas das pegadas de uma neta do Dr. Roberto Marinho. Derrubar pode, fuçar demais, não pode.

Porém, nada há que esteja ruim que não possa ficar pior. E, neste caso, tirar Bolsonaro para botar Mourão no lugar piora ainda mais para o lado da democracia e melhora ainda mais para o lado do mercado, como sujeito indeterminado, e da destruição da soberania brasileira.

Muito cuidado com o discurso futuro do arrefecimento da pandemia e maquiagem dos números de óbitos que vai acontecer em função de estar chegando ao limite.

Pelas circunstâncias inesperadas, a pandemia chegou há um ano e caiu como um achado nos planos macabro da reforma da Previdência de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, que logo viram cifras nas mortes de idosos aposentados e pensionistas, usuários crônicos do SUS, índios e quilombolas.

No início parecia que trabalhavam com a possibilidade de 150 mil mortes, depois subiram para 250 mil e hoje os números fora do controle apontam para 500 e até 600 mil vidas perdidas pelo coronavírus, até o mês de julho.

Sim, o governo acabou. Mas pode ser só pela metade - a outra metade da laranja, o Mourão, virá como alento para dar tempo aos gananciosos recuperarem o fôlego e tentarem apagar a verdade absoluta de que quem gera riqueza são os trabalhadores e que sem eles de volta aos batentes eles quebram. Os trabalhadores são acostumados a viver com pouco. Eles, não!

E como a emenda poderá vir a ser pior que o soneto? Elementar, meu caro Watson! Ao tomar sua vacina, o vice-presidente Hamilton Mourão revelou sua idade, 67 anos.

Como o golpe militar acaba de completar 57, naquele fatídico 31 de março, ele era um garoto de 10 anos. Quando os militares saíram de cena 21 anos depois, ele tinha 31 anos. Mas já estava totalmente contaminado por todos os conceitos golpistas, preconceituosos, misóginos e entreguistas que aprendeu na academia e na caserna.

Parece que Mourão não aprendeu o de combater a corrupção, já que há denúncia contra si no STM, contra seu filho nas promoções no Banco do Brasil e sobre sua filha na defesa da comerciante que vendeu os leites condensados.

Outro perigo é sobre um afastamento de Bolsonaro aos moldes do de Costa e Silva, com Mourão assumindo tutelado por uma junta militar com os três recém-promovidos comandantes militares, governando de fato. O senador Tasso Jereissati, cantou uma pedra estranha.

Para fechar a página infeliz da nossa história, reaparece a entrevista do coronel reformado do Exército Erimá Pinheiro Moreira, confirmando a história tantas vezes repetidas do recebimento de malas contendo US$ 1,2 milhão pelo general Amaury Kruel, para trair o presidente João Goulart e aderir ao golpe.

Parece que no Brasil, patriotismo tem preço. Só há uma certeza para recolocar o país nos trilhos: a luz no fim do túnel chama-se Lula.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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