Aparte
Petistas de Simão Dias denunciam Executiva Municipal de golpe antidemocrático

Esmeraldo Leal: acusado de golpe baixo na Executiva do PT de Simão Dias

Os filados do PT de Simão Dias assinaram um longo e duro documento de 8.935 caracteres pedindo à Executiva Estadual do partido em Sergipe que anule a convenção da Executiva Municipal simãodiense do último domingo, dia 13, na qual foi decidido o apoio às candidaturas de Aloízio Viana, PSC, a prefeito, e de Fábio Rabelo, PSD, a vice.

O PT de Simão Dias é presidido por Esmeraldo Leal, ex-secretário de Estado da Agricultura, a quem os militantes que subscrevem o documento à Executiva Estadual fazem duras acusações de manobrismos antidemocráticos e pedem uma nova convenção até quarta-feira, 16 data limite para essas atividades. O documento é muito autoexplicativo e está na íntegra a seguir.

“Nós, abaixo relacionados, filiados regulares ao Partido dos Trabalhadores - PT - no município de Simão Dias, nos dirigimos a Executiva Estadual do nosso partido no sentido de pedir que essa instância, considerando o seu papel de dirigente superior e com capacidade de ajustar possíveis erros e ou abusos autoritários e ainda conter desdobramentos que venham a prejudicar o crescimento e ou a imagem do nosso partido, suspenda sumariamente a convenção municipal do município de Simão Dias, realizada no dia 13 de setembro de 2020 para tratar das questões referentes a eleição municipal.

E, de imediato, convoque nova convenção municipal para o último dia de prazo legal - 16/09/2020. Que essa convenção tenha também caráter de encontro municipal com votação de todos (as) filiados (as) regulares e que a decisão a ser homologada pela Executiva Municipal seja exatamente a resultante da decisão da maioria do conjunto de filiados (as). Exposição de motivos:

1 - Entendemos que o processo foi eivado de vícios diversos, a começar pela não realização do encontro municipal que antecederia a convenção. Claro que entendemos o momento de pandemia que dificulta a realização de reuniões como em outros momentos, mas salientamos que em vários momentos e espaços se dispõe de instrumentos e redes sociais que permitiriam a realização do encontro de forma virtual.

2 - Que fomos tomados de surpresa com a composição da Executiva Municipal que, em sua maioria, é composta por membros da família (cópia da ata e relação dos nomes em anexo) do presidente eleito no último PED. Reconhecemos que deveríamos já ter resolvido essa questão anteriormente, mas na verdade nem sabíamos ser assim que estava a composição, isso em função de uma certa ingenuidade e de termos acreditado que no PT não teríamos coisas desse tipo. Vale salientar aqui, mesmo sabendo que esse ponto não se resolverá aqui e nem agora, que não foi resguardada a proporcionalidade correspondente ao resultado do PED.

3 - Que fomos tratados com a máquina burocrática se sobrepondo às questões políticas de forma oportunista e fisiológica.

4 - Que esse processo dificulta sobremaneira inclusive a campanha para a chapa proporcional. Que ao nosso ver não teve o tratamento de interesse devido pelo agrupamento que se coloca como dirigente ao nem mesmo apresentar nomes para ajudar na composição da proporcional e alavancar votos na direção de se atingir a meta mínima do coeficiente eleitoral. Isso para nós é mais uma demonstração da não preocupação desse grupo com o crescimento do Partido dos Trabalhadores no município.

4 - Existia anteriormente uma compreensão clara em toda a base partidária no município de que o Partido dos Trabalhadores de Simão Dias teria candidatura própria, quando em um determinado momento até mesmo o próprio presidente se colocou como pré-candidato sendo depois substituído o nome pelo do vice-presidente. Sendo no entanto que já na penúltima semana de prazo, fomos pegos de surpresa com a retirada do nome sem nenhuma explicação e discussão prévia. Momento em que foram apresentados outros nomes para ocupar as vagas de pré-candidaturas. Fato esse não considerado e nem encaminhado para discussão por essa direção.

5 - Também fomos pegos de surpresa quanto a definição sobre a política de alianças, conduzida de forma fisiológica sem nenhuma discussão programática e democrática e ou de transparência. Repetindo os modos das mais mesquinhas oligarquias em que caciques se fecham e definem os rumos da agremiação política como donos.

6 - Fomos pegos de surpresa também com a pressa em que foi encaminhada para a convenção do PSC/PSD a notícia de que o Partido dos Trabalhadores de Simão Dias estaria apoiando a candidatura do PSC/PSD, mesmo essa direção municipal sabendo da possibilidade concreta de interposição de recursos. Levou em nome do Partido dos Trabalhadores de Simão Dias como se fosse uma posição de unanimidade sem reconhecer a insatisfação e posição contrária da grande maioria dos filiados presentes que defendiam candidatura própria. Estes são os motivos, digamos, que de caráter legal e operacional, mas não queremos nos restringir a esses aspectos, cabe ainda nos reportarmos aos aspectos políticos históricos.

Motivos políticos históricos de contexto e conjuntura:

1 - Considerando a conjuntura nacional com a ascensão de um governo de caráter para além de neoliberal, com cunho fascista expresso nas suas falas e ações. Considerando a conjuntura Estadual em que o bloco de caráter democrático e popular construído anteriormente para os últimos pleitos foi praticamente desmontado para as eleições municipais de 2020, exemplo seja a situação de Aracaju, em que se percebe claramente a tentativa de isolamento do Partido dos Trabalhadores, mesmo com a tentativa do companheiro Lula em resgatar e ou manter a aliança. Isso repercute em praticamente todos os outros municípios do Estado com poucas candidaturas do Partido dos Trabalhadores no espaço majoritário.

2 - Esse quadro, é claro, advém não só desse momento eleitoral. A tentativa de desmonte do PT nos últimos anos, com a história do mensalão, da lava jato e o impedimento da companheira Dilma em 2016, um claro golpe contra o povo brasileiro, vem na direção de conter um projeto de governo que vinha priorizando a inclusão social e econômica das camadas periféricas da sociedade. Muitos dos que estavam “juntos” com o PT, agora e já antes mesmo se aliaram aos grupos políticos e econômicos responsáveis pela ação de ataques e tentativa de desmonte do PT.

3 - Que esse momento cobra de nós filiados e dirigentes do Partido dos Trabalhadores uma ação de resgate, de refundação do PT, indo para a disputa eleitoral e não aceitando alianças com todo e qualquer candidato que expresse qualquer tipo de simpatia e ou relação direta e ou indireta com o bolsonarismo e seus aliados.

4 - Que Simão Dias tem uma situação até um tanto particular. Das candidaturas majoritárias colocadas, algumas assumem abertamente o bolsonarismo como referência, outras estão sob a guarda de bolsonaristas assumidos, dos quais votaram e trabalharam ferrenhamente a favor do golpe e das ações contra o PT, o que nos faz ainda mais seguros de não ter espaço para uma aliança e ter candidatura própria. Considerando inclusive o discurso do nosso presidente Lula do dia 7 de setembro de 2020 que trata dos aspectos de alianças e dos erros cometidos.

5 - Que por outro lado o Partido dos Trabalhadores em Simão Dias vem nos últimos anos relegado a um papel que não chega nem a coadjuvante pela condição de aparelhamento local em virtude de interesses mesquinhos e pessoais.

6 - Que nesse momento, em que somos chamados para a luta, para o confronto com o que há de pior no Governo Federal e seus tentáculos estaduais e municipais, não podemos mais ficar nesse marasmo político, precisamos trazer de volta nosso orgulho, fazer valer nosso papel de maior partido do Brasil aqui também em Simão Dias, resgatando a nossa coragem, a nossa ousadia de se aventurar sem medo de ser feliz.

Por fim, nós filiados abaixo relacionados defendemos a candidatura majoritária própria no nosso município que nos dê as oportunidade de discutirmos com a população, principalmente a mais carente, um projeto de governo e de sociedade diferente, que se sustente nos basilares históricos do Partido dos Trabalhadores, tendo como referência os governos do companheiro Lula e da companheira Dilma.

Trazendo para nós o nosso legado dos programas sociais executados que gerou inclusão social e econômica, que tirou vários milhões da linha de pobreza. Que nos permita resgatar nossa própria história de lutas no município onde o PT foi construído a duras penas e com a oposição e perseguição de muitos que por um tempo e conveniências se colocaram como aliados, como “companheiros”.

Por fim vale salientar que nesse momento está em questão também a forma como se tenta conduzir o processo interno do partido quanto a como decidir pelo destino a seguir, sem que tenha sido realizado o encontro municipal em que todos filiados e todas filiadas pudessem participar e discutir as diversas possibilidades.

Assim, nós abaixo relacionados, também entendemos que podemos e devemos buscar corrigir o erro cometido na convenção realizada no dia 13 de setembro de 2020. É abrir um novo momento para o Partido dos Trabalhadores em Simão Dias, deixando para trás os erros cometidos. Como também termos claro que isso não implica em querer buscar culpados, erros acontecem e devem ser corrigidos.

Nos colocamos na perspectiva de construção de uma unidade em torno de um projeto próprio do PT e com caráter coletivo que incorpore as vontades pessoais e individuais de forma subalterna ao coletivo. Nesse momento também reafirmamos a disposição dos companheiros Denilson Silva Andrade e José Santana Curvelo (Jaí), em se colocarem como pré-candidatos respectivamente a prefeito e vice-prefeito pelo Partido dos Trabalhadores no município de Simão Dias.”

 

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