Aparte
Opinião - Um presidente imbecil e os seus muitos ridículos

[*] Paulo Roberto Dantas Brandão

Ia começar o meu artigo dizendo que o presidente Jair Bolsonaro arregou. Lá no dicionário Caldas Aulete tem o significado de arregar: “Querer arrego, desistência, rendição; mostrar medo ante adversário ou adversidade; acovardar-se; agachar-se; amarelar; amedrontar-se [int: Na hora H, arregou correu. Antônimo: encorajar-se. ]”.

Isso define bem o comportamento do presidente. Relutei em usar o “arregar”, por parecer que estaria decepcionado pela inconsequência dos arroubos imbecis, autoritários e irresponsáveis do presidente.

Mas isso fica para alguns outros que queriam que o presidente transcendesse das palavras tolas e partisse para um golpe de estado de fato. Não deu, né. Não é fácil dar um golpe. Pior ainda é mantê-lo.

Bolsonaro colocou muita gente nas ruas. Foi uma multidão considerável. Mas não na quantidade que achava capaz. Falou um monte de bobagens tanto em Brasília quanto em São Paulo.

Investiu contra as instituições. Disse que não mais obedeceria a determinações judiciais. E prometeu incendiar o Brasil. Bastaram respostas duras do presidente do Supremo e do Senado; uma resposta contundente do presidente do TSE, e algumas insinuações do presidente da Câmara que não daria para segurar as coisas por muito tempo, e o presidente Bolsonaro voltou atrás em tudo que disse.

No fundo, bastou uma batida de pé, para ele arregar, e falar fininho. O seu recuo começou antes de sua nota à nação, quando desautorizou a manifestação dos caminhoneiros incentivada por ele próprio.

O presidente não pensou, como de resto não pensa, que seus arroubos custam cara ao país. Dificultam a vida das pessoas. Prejudicam os negócios. Não pensou que, como disse o presidente do TSE, maculam a imagem do Brasil no exterior e isolam o país. Por isso, o grande capital já desembarcou do seu desastroso governo, incluindo o verdadeiro agronegócio.

O povão, premido por uma inflação alta e que já beira a indecência, por um índice de desemprego elevadíssimo e por ações desastradas no combate à pandemia de uma equipe incompetente, há muito nada quer com esse governo que flerta com o crime.  

Sobre a classe média reacionária, que pensa ser rica, apenas rumina a sua ignorância, seu conservadorismo tacanho e sua pobreza de espírito. Foi essa parcela da classe média que foi às ruas no dia 7. 

E ao contrário do que dizem seus representantes, não estava lá lutando contra a corrupção, pois o Queiroz estava presente nas ruas, e era festejado. 

Não estava lá para lutar contra o sistema, pois o Centrão também estava lá como lídimo representante da velha política. O que a classe média não aceita é a sua perda de prestígio. O desnudar de sua moral dúbia. Agravada com a necessidade de arranjar as mais diversas desculpas para justificar o seu Mito.  

Agora, sem golpe, sem bazofias e sem bravatas, com um claro pedido de arrego por parte do Mito, como ficam os que foram às ruas? Será que estão convencidos que fizeram papel ridículo? 

[*] É advogado e jornalista.

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