Aparte
Opinião - As esquerdas sergipanas em 2022

[*] Francisco Emanuel Silva Meneses Alves
 

O PT pós-Marcelo Déda é quase uma briga entre quem defende as posições do senador Rogério Carvalho e quem se opõe a elas. Quase sempre a oposição a esses interesses resultam no ostracismo ou na busca de outros caminhos partidários.

Recentemente rupturas internas afastaram figuras notórias na luta pelos direitos dos trabalhadores em educação - e como um todo também. São notórias a luta e a coerência da trajetória de Iran Barbosa, seja na Câmara de Aracaju, na Câmara Federal e agora na Alese. Como é notório também o fato de que várias pessoas de sua assessoria migraram para o PSOL.

O PT estivera até pouco tempo de corpo, alma e cargos no Governo Belivaldo, ainda tem a Vice-Governadoria e até 2018 teve Eliane como vice-prefeita de Edivaldo Nogueira, que, se mudou, também viu o PT mudar.

Em 2020 o PSOL elegeu sua primeira vereadora em Aracaju, Linda Brasil, mulher trans, e teve Sonia Meire como sua primeira suplente. Estância, que seria uma cidade estratégica em termos de tamanho e significado para o partido, presenciou a derrota de Marcio Souza, aliado com nomes já conhecidos da política tradicional desse município.

Em 2020, Marcio Macedo foi candidato em Aracaju numa situação em que parte do partido era favorável a se manter como Edivaldo, como também ainda era por se manter na base de Belivaldo.

Para onde vão a esquerda e a centro esquerda em 2022? Provavelmente veremos o PSOL alinhado com o PT e figuras como Iran Barbosa, Professor Dudu, Marcio Souza, Linda Brasil, Sônia Meire, Henri Clay, Magal da Pastoral, João Daniel, Camilo Daniel, Professora Ângela, Valadares, Valadares Filho e outros num mesmo palanque.

Há que se chamar a atenção também para os nomes do delegado Mario Leony, destacado no ativismo LGBTQIA+, antifascista e consonante com as lutas sociais sergipanas, e a advogada Niully Campos. Ambos já conhecidos do eleitorado aracajuano e sergipano.

Política é uma construção diária e ininterrupta, principalmente a política que se faz junto a classe trabalhadora das cidades do nosso Estado. No entanto, a pergunta que fica no ar é como explicar uniões com pessoas e partidos que vez por outra estiveram em governos aos quais se fez oposição firme e programática?

Parte dessa pergunta é respondida e enfatizada pelo fato de que, ao que parece, se depender do PT nacional, o ideal é formar uma coalizão com mais partidos e mais votos para agregar no apoio à campanha de Lula também em Sergipe.

Também nunca é demais lembrar que o já referido falecido ex-governador Marcelo Déda foi um ativo colaborador na construção do PSD de Gilberto Kassab através do ex-deputado Ulices Andrade, hoje conselheiro do TCE.

Esse PSD, a começar por Kassab, foi um catalisador de parlamentares e lideranças que gostariam de se aliar aos governos petistas, mas no DEM não conseguiriam devido ao choque histórico que havia entre os dois, desde os tempos do PFL.

Parte dessa trégua pelo compartilhamento de poder veio a ruir em 2016 durante o processo de impedimento da ex-presidenta quando ex-demistas e então pessedistas votaram a favor do afastamento de Dilma Rousseff.

Jackson Barreto foi vice-governador e enquanto deputado federal foi aliado e defensor de Lula. Belivaldo foi vice-governador de Déda e Fábio Mitidieri votou contra o afastamento de Dilma e se posicionou firmemente contra os governos Temer e Bolsonaro primando razoavelmente pelos acordos que sempre fez.

Além desses nomes citados, temos Edvaldo Nogueira, que sempre esteve próximo de Déda, assumindo a Prefeitura de Aracaju quando ele aquele se tornou governador de Sergipe em 2006 e tendo recorrentemente seu apoio para eleições e reeleições daí em diante.

O Rogério Carvalho legislador é atuante, influente e articulado nos municípios de Sergipe e os trabalhadores da educação têm vários nomes que estariam aptos e poderiam representá-los bem, assim como os demais movimentos sociais.

O problema é que o excesso de fragmentações pode também resultar na perda de espaços estratégicos, como são os legislativos, por parte de nomes relevantes e destacados nas lutas da classe trabalhadora.
Quando o assunto é eleição, o critério quantitativo pesa fundamentalmente e, por vezes, devido ao “fogo amigo”, pode prejudicar um grupo inteiro.


[*] É cientista social, analista político, professor e membro da Academia Capelense de Letras e Artes.

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.