Aparte
Opinião - EPBs, OSPBs, ideias estapafúrdias e um tal Lúcio Flávio

[*] Paulo Roberto Dantas Brandão 

Tenho me aventurado em ver algumas propagandas políticas. Fiquei curioso, por exemplo, de ver o que tem a dizer o candidato Lúcio Flavio, de quem nunca tinha ouvido falar e a quem não conheço - mas isso não é relevante, nem fará falta a ele ou a mim.  

A informação é que tem o apoio de um grupo de empresários e produtores rurais. Estão no direito deles de apoiar quem quer que seja.

Mas na TV o candidato Lúcio Flávio só disse até agora algumas bobagens. Pode ser que o seu programa na internet tenha propostas melhores.

Ele tenta ser o representante do bolsonarismo em Sergipe, que até agora não emplacou ninguém para tal liderança. Mas do que falou, só deu enfase à idéia das tais e Escolas Cívico-Militares, proposta para a qual torço o nariz, além da volta do ensino das matérias OSPB e EPB.

Sou do tempo em que a gente era obrigado a cursar tais matérias. OSPB – Organização Social e Política Brasileira - era exigida nas escolas, e EPB - Estudo de Problemas Brasileiros - era matéria das faculdades, obrigatória em todos os cursos.

Na verdade, foi uma tentativa fracassada dos governos militares de  fazer propaganda da chamada Revolução. Ainda bem que ninguém levou à sério, nem professores, nem alunos.  

Foi um fiasco tão grande, que resolveram retirar tais matérias de pauta, pela inutilidade que representavam.
No colégio, meus professores de OSPB, um dos quais é hoje meu amigo, terminavam por deixar a turma à vontade, o que para os adolescentes era uma alegria.  

Na faculdade, os professores de EPB eram escolhidos à dedo entre os mais idiotas - havia e há professores idiotas, não estranhe -, acho que propositalmente para torturar os estudantes.

Meu irmão Ricardo, que foi meu contemporâneo de faculdade, alguns períodos mais adiantados do que eu, conta a história das aulas de EPB.  Ele era colega de um coronel do Exército, que era comandante da 19ª CSM. O coronel era gente boa, e não se preocupava com os meninos que falavam mal da dita revolução, ou que levavam as coisas na gozação - o coronel morreu num acidente automobilístico na BR-101 quando ainda estava na faculdade.  

Nas aulas de EPB havia um professor idiota todo, que se preocupava em agradar ao coronel. Falava bem dos governos militares e olhava para o coronel, para ver se estava tudo bem. O coronel aquiescia com a cabeça, e a palhaçada continuava. 

Os meninos então provocavam o coronel: "Coronel, faça não com a cabeça, só para esse cara desdizer tudo". Divertido, o comandante respondia que não ia fazer aquilo com o rapaz.

Não sei como um prefeito vai exigir que as faculdades ensinem EPB. O município não tem competência para isso. E acho que o sr. Lúcio Flávio parece não saber disso.  No fundo, é uma idiotice de quem quer emular o reacionarismo delirante do presidente da República. 

E me parece que a parcela do empresariado que o apóia é aquela mais brucutu, mais atrasada e mais pobre de idéias. Ainda bem que esse cara está lá na rabeira.

[*] É advogado e jornalista.