Aparte
Obras públicas em tempo de crise: “A situação está ruim até para quem mente”

Chiquinho Costa, da Teccol, 31 anos de atividade, 61 de idade: rio revolto

Não há como separar política de economia. Política de negócio. Num país politicamente corrupto, como classificadamente está o Brasil, a primeira instância que sofre não é da política. É a da economia. É a dos negócios. Isso porque a política regula tudo.

 

Veja, por exemplo, o estrago que a corrupção fez na esfera da construção de obras públicas e privadas de Sergipe. Ali por volta de 2012, antes que a bagaçada capitaneada pelo lulopetismo tomasse assento por aqui, 70 construtores se associavam numa instituição da área, a Aseopp - Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas - e tocavam a vida.

Hoje elas são 29. Tudo degenerou-se. A coisa foi tão obscura que talvez não salve nem o bom humor de Chiquinho Costa, 61 anos, com 36 de atuação numa dessas empresas ainda na ativa e associada da Aseopp, a Teccol.

“A situação está ruim até para quem mente”, diz o bem-humorado Chiquinho, muito gregário e vice-presidente de Obras Públicas da Aseopp. Veja na realidade dele mesmo o estrago: no auge, Chiquinho e a Teccol empregavam 483 pessoas. Hoje, apenas 82. Veja este bate-papo descontraído com ele.

Aparte -Como é que os senhores se sentem nesse momento político e econômico nacional?
Chiquinho Costa -
Eu sinto como se pegassem a gente e colocassem num rio revolto. Num barco a vela sem remo nem leme - com a vela sendo o tempo de empresa e a experiência que cada um de nós temos. Mas numa situação em que se puxarmos demais a vela, o barco poderá rodar e não sair do lugar. E se puxar de menos, corremos o risco acontecer a mesma coisa.

Aparte - É como se não tivessem saída.
CC -
Ou seja, você não sabe o que fazer com a vela. Estamos num rio que é o menos apropriado para estarmos neste momento.

Aparte – Mas quando é que este rio muda de curso?
CC -
Este rio muda quando as coisas em Brasília se acalmarem nos diversos poderes.

Aparte - O que deve fazer para acalmar?
CC - Tem horas que eu não vislumbro o que pode ser feito. Tem horas que eu penso que só com força é que pode ser feito algo, e a maior força que tinha e que tem é a nossa. A da comunidade, do povo. Mas não vejo perspectiva para que tenhamos uma reação no curtíssimo e curto prazo.

Aparte -O senhor aposta numa saída somente em 2019 e 2020?
CC -
Eu aposto no segundo semestre de 2019 e lá para 2020.

Aparte - A Aseopp reúne hoje quantos construtores?
CC -
A Aseopp já teve perto de 70 construtores associados e hoje está com 29. E isso reflete totalmente a crise em que vivemos.

Aparte - Quando foi o bom bico de realizações?
CC -
O nosso pico bom de obras foi entre 2012 e 2014, porque a crise demorou um pouco mais a chegar em Sergipe. Há uma variação, porque teve empresas que sentiram em 2012, outras em 2013 e algumas em 2014. Eu, por exemplo, atuei bem até 2014 e ainda peguei um restinho em 2015.

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