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Opinião - Novo ciclo: Rogério Carvalho traz novos horizontes a atual política de Sergipe

[*] Gilberto dos Santos

Em 1975, o então governador José Rolemberg Leite nomeou prefeito de Aracaju um engenheiro de 31 anos. Era João Alves Filho.

Naquele mesmo período, 1977, um sergipano de 37 anos, nascido em Aracaju, era nomeado diretor da Confederação Nacional das Indústrias - CNI. Seu nome: Albano do Prado Pimentel Franco. 

Na CNI, Albano Franco construiu relações, acumulou experiência e demonstrou competência durante 14 anos e concomitantemente exercia mandatos de senador. De lá foi alçado ao Governo do Estado de Sergipe.

Coube tanto a Albano Franco quanto a João Alves dividirem o espaço político no chamado espaço da centro-direita com um simãodiense habituado ao voto popular desde 1966, quando elegeu-se prefeito de Simão Dias e posteriormente a deputado estadual em 1970 e 1974. O nome dele: Antônio Carlos Valadares.

Esses três nomes alternaram-se no poder e dominaram a política de Sergipe no espaço da centro-direita. Juntos, são responsáveis por seis mandatos como governadores. 

Ademais, essas três figuras políticas rivalizaram com um outro político com viés populista, oriundo da centro-esquerda, Jackson Barreto, a quem impuseram sucessivas e sequenciais derrotas a nível estadual.

Jackson teve sua primeira eleição como vereador de Aracaju em 1972 e já em 1974 tornara-se deputado estadual, e daí galgou quatro mandatos de deputado federal.

Coube ao talentoso gênio e líder político simãodiense Marcelo Déda ser o elo catalisador que faltava e, ao juntar-se a estes dois últimos - Antônio Carlos Valadares e Jackson Barreto -, construiu um grupo vencedor que veio a se sobrepujar desde então. 

Não só isto. Além de devolver as derrotas impostas a Jackson Barreto, este agrupamento precipitou o fim das carreiras políticas de João Alves e de Albano Franco.

Ora, com a morte prematura de Marcelo Déda, o que se viu foi ir embora o elo catalisador que unia Jackson a Valadares, e isso fez ruir a mesa sustentada pelo tripé construído a custas da engenharia política e do espírito de genialidade de Marcelo Déda.

Jackson e Belivaldo Chagas não foram e não são senão a porta que se entreabre para um novo ciclo de políticos e talentos do Estado de Sergipe.

Agora em 2022, sem dúvida nenhuma, cabe aos celeiros formadores de quadros políticos fornecerem seus nomes para apreciação dos eleitores. 

E, também sem dúvida nenhuma, um quadro oriundo do Partido dos Trabalhadores apresenta-se com desenvoltura e pede passagem para iniciar este novo ciclo e exibir seu currículo, talento e desenvoltura ao grande público, os eleitores. Trata-se de Rogério Carvalho. 

Oriundo de Lagarto, Rogério Carvalho foi líder estudantil e diretor da Diretório Nacional dos Estudantes de Medicina. Participou ativamente da construção do SUS, sendo reconhecido nacionalmente nos meios acadêmicos como um grande técnico na área da saúde pública.

Rogério Carvalho destacou-se como secretário municipal de Saúde de Aracaju na gestão de Marcelo Déda, disputou sua primeira eleição e elegeu-se deputado estadual em 2006. 

Ainda assim foi chamado pelo governador Marcelo Déda para ser secretário de Estado da Saúde. Foi o deputado federal mais votado em 2010 e em 2014 lhe foi tirado o Senado a custas de uma conspiração dos institutos de pesquisa junto às elites e a grande mídia. 

Eleito senador em 2018 contrariando as elites, a mídia e aos institutos de pesquisa, Rogério Carvalho traz novos horizontes ao clima de fim de feira em que se transformou a atual política de Sergipe.

[*] É médico.

 

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