Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 37 anos, tem formação pela Unit e é fundador do Portal JLPolítica. É poeta.

Sucessão de Aracaju faz enorme estrago na biografia de Valadares Filho
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Valadares Filho: histórico para puxar Danielle e não ser suprimido por ela

A sucessão municipal de Aracaju deste ano de 2020 está servindo de laboratório para centrifugar, ou moer, a biografia de uma das figuras mais proeminentes da jovem política sergipana de menos de uma década e meia.

Esta figura é a de Antonio Carlos Valadares Filho, PSB, que no último dia 1º de outubro fez 40 anos e desde os 26 está no tablado eleitoral do Estado, quando se elegeu deputado federal com 85.450 lá em 2006, como o quarto mais votado, perdendo apenas para um secretário de Estado da Saúde, Eduardo Amorim, um ex-prefeito de Aracaju, Jackson Barreto, e um ex-governdor de Estado, Albano Franco. Mas já obteve 95.680 em 2010, na reeleição.

Em apenas 12 anos - de 2006 a 2018 -, Valadares Filho amealhou nada menos do que 1.178.933 votos entre os sergipanos, isso distribuídos  em oito votações das quais tomou parte em seis eleições – três de deputado federal, que lhe deram 249.329 votos, e três na disputa por um mandato de Executivo, de prefeito de Aracaju e de governador de Sergipe, nas quais ele foi votado cinco vezes, posto que em duas vezes foi a segundo turno.

Em 2012, Valadares Filho perdeu logo no primeiro turno para João Alves Filho, mas obteve 113.932 votos entre os aracajuanos. Em 2016, obteve 99.071 e 134.271 em primeiro e segundo turnos para perder para Edvaldo Nogueira, e em 2018 foi credor de 212.169 e 370.161 votos na derrota sofrida para Belivaldo Chagas na intenção de ser governador de Sergipe. Mas lideranças não só os  vencedores.   

De modo que esse arsenal de votos - repita-se: um milhão, cento e setenta e oito mil - e essa biografia toda de Valadares Filho não rimam com o espaço reservado a ele agora em 2020, que é o de candidato a vice-prefeito ao lado da Danielle Garcia, Cidadania, uma jovem senhora que nunca recebeu um voto sequer dos sergipanos nem pela disputa de uma Inspetoria de Quarteirão.

Esse não rimar não é apenas pelo antevisto fracasso que a candidatura de Danielle Garcia prenuncia. Ela poderia estar pontuando com até 70% nas intenções de votos, com garantia de liquidar a fatura num primeiro turno, e nem assim o arsenal de votos e a biografia toda de Valadares Filho rimariam com a dimensão que ele tem nesse 2020.

E essa situação fica bem mais grave - gravíssima - quando se percebe o que o esquema arquitetado pelo senador Alessandro Vieira e por Danille Garcia faz de Valadares Filho e de sua montanha de significados político e eleitoral: simplesmente escondem-no, asfixiam-no, sob o tapete da sucessão. Tiram-lhe o fôlego e o brilho.

Independentemente de se você gosta ou odeia Valadares Filho, pelo peso e pelo significado dele era para ser 100% aproveitado no casco da campanha da Danielle - da propaganda eleitoral do rádio e da TV às manifestações públicas e onde mais houvesse demanda de ordem política e eleitoral.

Mas não é assim. O protagonismo é 100% de Danielle Garcia, que o desempenha num estilo meio canastrão. Rudimentar, pouco sensível às sinuosidades gerais da política. Para ela e Alessandro, o Valadares Filho que ja foi destinatário desses 1.178.933 votos entre os sergipanos que fique na cristaleira, na prateleira, nas gôndolas do esquecimento. Do ostracismo.- talvez isso justifique o encalhe da chapa nos menos de 20%.

Há observadores mais maldosos do que esse analista que aqui escreve vendo nessa atitude de Alessandro e de Danielle um ato propositado para queimar Valadares Filho em definitivo e muito mais em projetos futuros. Se de fato for isso, péssimo para quem arquiteta esse propósito. E mais péssimo se Danielle e ele forem suprimidos de um segundo turno pelo gauche e troncho Rodrigo Valadares, PTB.

Valadares Filho não é um mau político e muito menos uma má pessoa. Ademais, ele é novo e tem muito a dar ainda. Mas ao se entregar em segundo plano a essa aliança de 2020 deu uma demonstração de fraqueza, de cansaço e talvez de solidão política.

Independentemente do resultado da eleição no dia 15 de novembro – ainda que Danielle e ele se elegessem ou se elejam – Valadares Filho errou. E da forma como tratam-no agora, colocando-no glacialmente num freezer, se Danielle virasse prefeita, óbvio que jamais lhe dariam qualquer mérito.

De tudo isso, depreende-se que é como se tivesse faltado aconselhamentos mais maduros e precisos a Valadares Filho na hora de redesenhar seu projeto de 2020. Pelo que submeteram a biografia dele, talvez fosse mais eficaz e proveitoso ter se lançado candidato a vereador de Aracaju, arriscar arrebatar de 30 mil a 40 mil votos, eleger-se e a mais meia dúzia de vereadores do seu partido e atalhar seu destino dois anos depois, em 2022, rumo a Brasília, que é onde ele se sentiu bem nos três mandatos de deputado federal por 12 anos.

Mas agora, o leite já é derramado e o estrago certamente não lhe será dos melhores - porque uma coisa é perder duas eleições de prefeito e uma de governador. Mas encurta muito seu histórico e seu horizonte quando a derrota é numa disputa de vice-prefeito.

 

 

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