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Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Uma celebração sob pandemia: Aracaju comemora os 166 anos de forma virtual
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Aracaju: aniversário discreto sob a imposição de uma pandemia perversa

O de 2021 é mais um ano em que o aniversário da cidade de Aracaju ocorre sob uma pandemia. A diferença é que enquanto no ano passado o poder público foi pego de surpresa pelo vírus, neste as comemorações dos 166 anos já foram pensadas a partir das restrições impostas por ele e pela desenvolvida e avassaladora Covid-19.

Isso porque, na semana em que Aracaju completa os 166 anos a vontade de festejar, abraçar amigos e comemorar mais um ano da capital dá lugar ao apelo para que as pessoas se cuidem e fiquem - ou continuem - em casa, numa luta constante pelo arrefecimento da pandemia do coronavírus.

Pensando nisso, a Prefeitura, por meio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju - Funcaju - preparou o que o presidente da instituição, Luciano Correia, chama de verdadeiro presente para a população, a fim de garantir entretenimento mesmo de casa – leia entrevista com ele na edição de ontem nesta Coluna AparteLuciano Correia: “AjuPlay é uma espécie de Netflix da cultura local”.

A começar pela plataforma inédita de streaming voltada para a cultura e produções de artistas locais: o AjuPlay. Segundo a Funcaju, “o site nasce correspondendo à política cultural que a Prefeitura de Aracaju tem desenvolvido e garante acesso aos melhores produtos artísticos e culturais aracajuanos de forma gratuita, democrática e facilitada”.

Na estreia, no dia 17 de março, 36 produções audiovisuais, musicais e cênicas contemplam o streaming, com o compromisso de expansão do conteúdo para exposições digitais, pesquisas, blogs e galerias de fotos.

“Pela segunda vez, a gente não pode comemorar da forma tradicional, com aquelas solenidades. Esse é o aspecto triste e a gente espera que no ano que vem possa retomar essa programação. Por outro lado, a gente fez dessas limitações uma oportunidade - inclusive para repensar o próprio modelo de comemoração, não só pelo aniversário da cidade, mas para tudo”, avalia Luciano Correia.

De acordo com ele, há uma série de atividades, a maioria on-line. “Temos algumas presenciais, porque são entregas da lei Aldir Blanc, mas mantivemos uma vastíssima programação no campo virtual, que contemplam desde a área da música, como o teatro, o cinema, o audiovisual, etc”, ressalta.

Luciano diz que a gestão fica feliz com essas entregas diversificadas no patamar digital, a ponto de mantê-las, mesmo quando a pandemia dor superada. “Acredito que a gente possa explorar esse potencial, porque as pessoas estão desenvolvendo outras formas de sociabilidade, como o consumo cultural on-line. A gente está fazendo disso uma nova forma de promover cultura para a população”, destaca.

Até o dia 16 de março de 1855 a capital de Sergipe foi a histórica São Cristóvão. Inácio Barbosa, o governante do Estado à época, promoveu a transferência de São Cristóvão para a Aracaju no dia 17 sob a alegação de que com a capital à beira mar Sergipe teria mais chances de ter um terminal portuário marítimo para fazer frente às necessidades de exportação.

Dupla ironia: Sergipe só veio ganhar um porto nos anos 90 do século passado, mais de 140 anos depois, e ele foi instalado no município de Barra dos Coqueiros e não em Aracaju. Ah, e leva o nome de Inácio Barbosa.

Mas São Cristóvão não foi a única cidade brasileira antiga a perder o status de capital de um Estado para uma nova cidade.

Ouro Preto deu lugar a Belo Horizonte como capital de Minas Gerais, Goiás Velho a Goiânia, como a nova capital do Estado de Goiás, Oeiras a Teresina, no Piauí e Olinda a Recife, em Pernambuco.

Possivelmente cada cidade desta deva ter alimentado por bom tempo o seu utopista João Bebe Água, que, revoltado com a mudança de São Cristóvão para Aracaju guardou fogos explosivos até a morte, esperando o dia em que Aracaju devolvesse o status à antiga cidade para explodi-los em comemoração pelo resgate.

Foto: Marco Vieira 

 

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