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Opinião: Belivaldo e o desafio de continuar a ser

Alex Nascimento: “O tempo de Belivaldo, ao que parece, está chegando. O caminho é continuar a ser o que é!”

[*] Alex Nascimento

“Todos nós aguardávamos ansiosamente a sua chegada”. No segundo dia de maio de 2007, com essas palavras Belivaldo Chagas saudava o governador Marcelo Déda, que retornava de sua primeira viagem oficial. “É com prazer que devolvo o Governo do Estado para o comando de Vossa Excelência”, continuou Belivaldo.

Foram apenas dez os dias de ausência de Marcelo Déda naquela sua visita aos Estudos Unidos, com o objetivo de atrair investidores norte-americanos para Sergipe.

Ao reassumir o Governo, Déda não poupou elogios: “gostaria de agradecer ao vice-governador pela forma correta, eficiente e leal com que exercitou essa interinidade, respondendo pelas altas funções do Governo do Estado de Sergipe, dando direção à administração e tomando, com firmeza, decisões em momentos dramáticos, mas com a lealdade e a retidão que sempre foram suas marcas desde quando iniciou na vida pública”.

Dez dias foram suficientes para que o hoje principal nome do PMDB para disputar as eleição de 2018 firmasse, não apenas junto a Déda, como também a prefeitos e variadas lideranças do Estado as características destacadas pelo ex-governador. Essas e outras de suas qualidades podem vir a ser novamente validadas, desta vez pelo eleitor, caso se confirme como candidato ao Governo.

Tais qualidades, sobretudo nestes tempos bicudos em que não se pode mesmo confiar nas pessoas, especialmente nos políticos, são de um valor imenso a qualquer um - quer na vida privada, quer na pública.

Nesse sentido, parece-me equivocada a estratégia da oposição em tentar “queimar Belivaldo”, chamando-o de traidor - até porque não condiz com o “pensar Sergipe” alardeado por ela, neste momento que precede aos embates que virão em 2018.

Mais ainda: em 2010, quando do processo de conversações para definir quem seria o vice de Déda na reeleição, os que hoje alcunham Belivaldo com o pejorativo afirmavam que ele não poderia “ser descartado ao bel prazer dos que apenas almejam ocupar o seu lugar, e, sim, como um lídimo representante da aliança vitoriosa de 2006”.

Sem criar dificuldades para o entendimento, desapegado, a postura de Belivaldo naquele momento também fora a de um “lídimo” para a vitória de Déda e Jackson. “Há tempo para tudo sob o céu que nos protege”, como muito bem gostava de lembrar o finado Déda. O tempo de Belivaldo, ao que parece, está chegando. O caminho é continuar a ser o que é!

[*] É jornalista e professor.

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