Aparte
Opinião: Quem deve pagar as campanhas políticas?

Antonio Samarone: “Se interesses são escusos, a questão deixa de ser política e passa para a esfera criminal”

[*] Antônio Samarone de Santana

Um sujeito jovem, saudável, lhe aborda pedindo dinheiro: - senhor, você pode me arrumar uma grana, pois estou precisando?

Resposta razoável: - não, você deveria se envergonhar de estar pedindo.

Ele retruca: pedir não faz vergonha. Pior seria roubar.

Nessa lógica, o desocupado só enxerga duas alternativas: ou ele ganha ou vai roubar. A hipótese de arrumar um trabalho, não passa pela cabeça do mal-assombrado. É a mesma lógica do financiamento das campanhas.

Como a justiça proibiu a promiscuidade do financiamento privado. Ou seja, os empresários adiantavam o dinheiro para os políticos bancar os apoiadores, e depois seriam ressarcidos regiamente com obras superfaturadas.

Como a farra foi proibida, os políticos agora querem que as suas campanhas e a dos seus partidos sejam custeadas com dinheiro público.

Com o seguinte argumento: não é melhor os contribuintes pagarem a nossa conta das campanhas para que a gente não volte a roubar no sistema de financiamento privado? Ou seja, ou todos pagam a conta das campanhas ou eles serão obrigados a roubar.

Eles omitem que os partidos lutam por suas ideologias e convicções, e que os únicos que devem arcar com os custos são os que professam essas ideologias e acreditam que serão beneficiados com a chegada desses grupos ao poder.

Cada grupo de interessados, portanto, que pague a sua conta. A política é uma atividade de interessados. Se esses interesses são escusos, a questão deixa de ser política e passa para a esfera criminal.

[*] É médico e professor da UFS.

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