Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Albano: “Venda da TV SE simboliza um novo ciclo na minha vida”
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Albano Franco: \"eu tenho outros serviços prestados a Sergipe e ao Brasil\"

No dia 15 de novembro deste ano a TV Sergipe vai fazer 46 anos. Ela foi fundada em 1971 por 10 sergipanos e em 1981 a família Franco, por intervenção de Albano Franco, arrematou dos baianos, a quem já pertencia.

Passou a fazer parte do grupo do médico e industrial Augusto Franco. Com a partilha da herança dele ainda em vida, no começo dos anos 90, a TV ficou para os filhos Cesar Franco e Albano Franco. Com a morte de Cesar, os 50% dele foram tocados por Lourdes Teles Franco, a viúva. 

No começo deste mês de novembro, Albano Franco botará um ponto final na sua participação acionária na empresa. Ele está vendendo os seus 50% ao empresário mineiro Rogério Simões, da Rede Integração, que tem uma série de afiliadas da Globo dentro de Minas Gerais.

Albano não nega a afeição que tem pela TV Sergipe. Diz que está vendendo para atender uma orientação da família - mais especificamente do filho Ricardo Franco, que é seu mentor e investidor.

“Se dependesse só da minha opinião pessoal eu não venderia. Mas eu trabalho em família”, diz. Tanto ele quanto Ricardo se recusam a dizer valor do negócio. Nos bastidores da política, aqui e ali alguém conjectura a possibilidade de Albano entrar numa espécie de banzo e se desintegrar sem este bem.

Albano acha que não chegará a tanto. “Eu estou consciente. Diante de tudo isso, aproveito e me valho de uma frase que meu pai, Augusto Franco, usava muito: “é preciso saber enfrentar os novos ciclos””, diz ele à coluna Aparte.

Albano Franco já fez uma breve despedida dos cerca de 200 colaboradores da TV e está providenciando a mudança para um escritório nas imediações do Shopping Jardins, onde vai concentrar a sede dos negócios. Veja breve entrevista com ele.

Aparte - Está ou não vendida sua parte na TV Sergipe?
Albano Franco –
Eu confirmo as negociações, mas nada está assinado ainda.

Aparte – De quando por cento o senhor é proprietário dela?
AF -
De 50%. É meio a meio. Eu estou vendendo a minha parte inteira.

Aparte – Qual o prazo de fechamento do negócio?
AF
- Deve ser nestes próximos dez dias.

Aparte - Quem é de fato o grupo que está comprando?
AF -
É um grupo de Minas Gerais que já tem cinco TVs em Uberaba, Uberlândia, Juiz de Fora, Divinópolis e Araxá, e todas afiliadas à Globo.

Aparte - Mas porque o senhor está vendendo a sua parte?
AF –
Problemas de família. Sou um pai maravilhoso e ninguém age como eu. As pessoas me perguntam no dia a dia: “Mas, Albano, você que gosta do negócio, você que comprou o negócio, vai assinar?”. Eu digo que vou assinar sim.

Aparte – Se dependesse só da sua opinião, o senhor a venderia?
AF -
Se dependesse só da minha opinião pessoal, não. Eu não venderia. Mas eu trabalho em família.

Aparte – Mas o que é que Ricardo Franco, seu filho, alega para defender a venda?
AF -
Você tem intimidade com ele. Pergunte a ele que ele vai lhe dizer. (Foi perguntado. Ricardo não deu detalhes).

Aparte - Ele está achando que TV aberta é negócio de risco hoje?
AF -
Não é isso não. Eu pessoalmente também acho que ainda não é, mas tem muita gente achando que num futuro próximo será.

Aparte – O senhor não teme, com a venda da TV Sergipe, uma eventual perda de poder político e pessoal?
AF -
Olha, eu estou consciente. Eu estou preparado e Deus vai continuar me dando forças como me deu até hoje, embora ouça muita pergunta de muita gente sobre isso.

Aparte – E o que o senhor tem respondido?
AF -
Diante de tudo isso, aproveito e me valho de uma frase que meu pai, Augusto Franco, usava muito: “é preciso saber enfrentar os novos ciclos”. E a venda da TV Sergipe simboliza um novo ciclo na minha vida. Graças a Deus, eu tenho outros serviços prestados a Sergipe e ao Brasil para além de ser dono de uma televisão. Eu vou continuar conselheiro emérito da Confederação Nacional da Indústria.

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