Aparte
Opinião - Parafraseando Federico Garcia Lorca

[*] Nino Karvan

Eu amo o Brasil de Zumbi. O Brasil de Domingos Jorge Velho, não. Amo o Brasil do Cacique Aperipê. O de Cristóvão de Barros, não.

Eu Amo o Brasil de Frei Caneca. O de quem o mandou fuzilá-lo, não. Eu amo o Brasil de Antônio Conselheiro. O de Artur Oscar de Andrade Guimarães, não.

Eu amo o Brasil de José Maria do Contestado. O de Setembrino de Carvalho, não.

Eu amo o Brasil de Olga Benário, de Carlos Prestes e seus vários camaradas. O do Estado Novo, não.

Eu amo o Brasil que se radicalizou nos anos 1950, com Getúlio Vargas. O de Carlos Lacerda, não.

Eu amo o Brasil de Vladimir Herzog, de Dilma Rousseff, de Carlos Lamarca, de Fernando Gabeira e de Zé Dirceu. 

Eu amo o Brasil de Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil e Carlos Capinam. De Glauber Rocha, de Geraldo Vandré e todos que sonharam um Brasil da gente. Vomito sobre o Brasil de Brilhante Ustra e de tudo que ele representa.

Eu amo o Brasil do bêbado e do equilibrista. Da euforia do final dos 70, das lutas pelas diretas, dos que sonharam em eleger um operário presidente em 1989. O Brasil da Arena, do PDS e do PFL, não.

Eu amo o Brasil de Criolo, Emicida e Suplicy, dos Chicos Science, Cesar e Buarque, que são luta e muita classe. Esse Brasil que arde em arte e amor. Mas um brasilzinho bolsonarista, ah, esse não.

[*] É jornalista, ator, compositor, cantor e luthier.

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.