Aparte
Aloizio Viana: “Não estarei derrotando um sobrinho, mas o projeto que ele representa”

Aloizio Viana: “Cristiano nunca foi de pedir benção a mim e sim ao coronel que mora na Serra do Cabral”

A sucessão municipal de Simão Dias deste ano traz à disputa um cenário familiar curioso, Inusitado: um tio contra um sobrinho. Ou, um sobrinho contra um tio.

São dois Viana engalfinhados na busca aos 34.219 votos dos 40.606 simão-dienses - alta densidade de eleitores perante o efetivo de habitantes, não é?

Pela ordem de idade e de patente familiar, são Aloizio Viana - ou Aloizio Souza Viana -, PSC, 56 anos, com cinco mandatos de vereador nas costas e estando no segundo de vice-prefeito da cidade. O tio.

E Cristiano Viana - Cristiano Viana Meneses -, PSB, 44 anos, ex-vereador e candidato a prefeito em 2016, quando perdeu para Marival Santana, PSC. O sobrinho.

Diante do inusitado desta disputa, a Coluna Aparte quis saber dos dois qual o sentimento familiar futuro face à derrota de um deles, e formulou duas perguntas quase idênticas a ambos.

A Aloizio: “Não bate no senhor um drama na consciência derrotar um sobrinho na disputa pela Prefeitura de Simão Dias?” e “E se o senhor for derrotado por ele, como ficará o sentimento? Haverá clima de dar-lhe a bênção depois?”

A Cristiano: “Não bate no senhor um drama na consciência derrotar um tio na disputa pela Prefeitura de Simão Dias?” e “E se o senhor for derrotado por ele, como ficará o sentimento? Haverá clima de pedir-lhe a bênção depois?”.

O maduro Aloizio Viana captou o espírito da coisa e filosofou leve diante do tema. O jovem Cristiano, não compreendeu e não respondeu às duas perguntas. Uma pena. Fique você, leitor, com o que pensa e diz Aloizio Viana.

Aparte - Não bate no senhor um drama na consciência derrotar um sobrinho na disputa pela Prefeitura de Simão Dias?
Aloízio Viana -
Olha, Jozailto, Cristiano continuará sendo o meu sobrinho, independentemente da política. Sobre o drama na consciência, lhe digo que o meu sentimento é ao contrário. Não estarei derrotando um sobrinho, mas o projeto que ele representa. Um projeto do atraso, dos coronéis. Cristiano até esteve ao meu lado, no início da sua trajetória política, mas preferiu caminhar ao lado de um grupo que Sergipe inteiro já rechaçou, os Valadares. Por isso, te respondo com tranquilidade: meu sentimento em derrotar Cristiano é de alívio, e não pelo lado pessoal, mas pelo que ele representa no momento: o passado de humilhações e perseguições que vivera Simão Dias antes de 2012.

Aparte - E se o senhor for derrotado por ele, como ficará o sentimento? Haverá clima de dar-lhe a bênção depois?
Aloízio Viana -
Engraçada essa pergunta. Cristiano nunca foi de pedir benção a mim e sim ao coronel que mora na Serra do Cabral. Mas, mesmo se ele quisesse vir falar comigo, e pedir minha benção, acho que ele seria proibido. Não é do feitio dos coronéis permitirem que os seus subordinados rendam reverências aos seus adversários. Lá a rédea é curta, sabe, Jozailto. Mas como você percebeu na flexão dos meus verbos, o cenário do retorno dos Valadares é tão difícil de imaginar, que nem consigo materializar essa cena e não é por imposição minha ou de qualquer pessoa, é porque quando se sentem o gosto da liberdade é difícil querer voltar à prisão, entende?

 

 

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