Aparte
Opinião - Por que o Brasil está de olho em Sergipe

Sergipe: uma refundação econômica

[*] Eduardo Almeida


Isso aqui, enquanto Estado, vai mudar muito quando a Petrobras ancorar suas duas plataformas flutuantes parecidas com um navio a 100 km da costa sergipana. Vai ser tanto petróleo e gás natural saindo dessas plataformas que todo mundo vai entender direitinho por que a economia de Sergipe é hoje a bola da vez no Nordeste.

Faça uma comparação entre uma antiga máquina de escrever e um computador atual. E aí você terá a medida do salto que a economia sergipana dará nos próximos quatro anos, quando toda essa riqueza for retirada do fundo do mar.

Essa operação atende pelo nome de Sergipe Águas Profundas, também conhecida pela sigla Seap. O petróleo em volume gigantesco se esconde a 2,5 mil metros de profundidade. Com ele, vem o gás, que é separado do petróleo nas plataformas. Depois, tudo é metido em tubulações marítimas e terrestres com destino aos centros de refino e distribuição.

Para quem gosta de números, pode anotar: serão produzidos aqui 240 mil barris de petróleo e processados 18 milhões de m3 de gás por dia. Os  investimentos previstos alcançam R$ 60 bilhões e os empregos diretos e indiretos a serem gerados chegam a alguns milhares.

Sergipe já foi bom nisso. Mas a produção de petróleo por aqui vem caindo faz tempo. Hoje o Estado não é nem uma gota do que já foi nesse campo. Atualmente só produz 12,9 mil barris de petróleo e 2,24 milhões de m3 de gás natural diariamente, quase tudo em terra. 

Dá para entender por que rufam os tambores da economia sergipana toda vez que se fala nesse novo cenário energético. O PIB de Sergipe cresceu 3% em 2025. Espera-se que esse crescimento mais do que dobre com o Seap a plenos pulmões.

Esses investimentos têm o potencial de transformar Sergipe no motor da economia do Nordeste. Além de grandes reservas de petróleo e de gás em águas ultra profundas, o Estado tem a indústria de fertilizantes, agricultura em expansão e o agronegócio em estruturação. 

Não é só: uma usina termelétrica movida a gás natural já injeta energia no sistema elétrico regional e uma outra está sendo erguida pela Eneva ao lado da primeira, no litoral norte do Estado, onde há também um parque eólico desde 2013. O novo investimento é de R$ 7 bilhões, com previsão de gerar três mil empregos.

Trocando em miúdos: floresce aqui a cadeia integrada energia-fertilizantes-agro, estratégica para o desenvolvimento regional e nacional. Sergipe é no momento a grande aposta de curto a médio prazo da Petrobras. Quando o petróleo e o gás vierem à tona, não tem para ninguém. O Estado será o maior polo de investimentos no Nordeste. 

É por isso que o Brasil está de olho em Sergipe. Infraestrutura, serviços, rodovias, portos, ferrovias, logística, tecnologia, qualificação profissional e até corrida imobiliária - tudo vem por gravidade. Um mercado de oportunidades e um mundo de possibilidades se abrem sobre o território sergipano. Será a refundação econômica de Sergipe.

 

 [*] É jornalista profissional com diploma.